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Destinos e Negócios

Turismo LGBTQIA+: as cores de um mercado valioso e que ganha força no Brasil

Pandemia serviu para acelerar expansão do segmento no país, que agora briga com destinos internacionais - Foto: reprodução

Pandemia serviu para acelerar expansão do segmento no país, que agora briga com destinos internacionais – Foto: reprodução

Por Ana Azevedo e Janaina Brito

Junho é o Mês do Orgulho LGBTQIA+, período marcado por diversos movimentos de conscientização e celebração da comunidade. Em um mês tão significativo, nada mais justo do que debater sobre o turismo LGBTQIA+ e a importância deste mercado para o setor.

De acordo com pesquisas realizadas pela Organização Mundial de Turismo (OMT) e a Associação Internacional de Turismo LGBTQIA+ (IGLTA), o Turismo LGBTQIA+ é quatro vezes mais rentável que o turismo convencional. Segundo o estudo, o segmento movimenta cerca de 100 mil milhões de dólares da economia global.

Apesar de ainda haver uma certa resistência, o turismo tem se aberto mais e se preparado para receber o turista LGBT e atender a demanda deste mercado tão potencial. De acordo com Alex Bernardes, criador e diretor geral da LGBT+ Turismo Expo, a comunidade tem “começado a sentir uma certa receptividade”, principalmente em solo brasileiro.

“O trade nacional começou a ver nosso turista com mais volume, viajando internamente com o fechamento das fronteiras e tivemos a entrada muito forte de grandes marcas apoiando a comunidade LGBT, como a Netflix, Uber, Burguer King, Boticário, Natura, etc. Isso foi dando a este público mais confiança de viajar à vontade pelo nosso país, o que antes não acontecia tanto”, afirmou o diretor.

Alex Bernardes, criador e diretor geral da LGBT+ Turismo Expo

Alex Bernardes, criador e diretor geral da LGBT+ Turismo Expo

“Ao mesmo tempo que o público se mostrou com mais força durante a pandemia, isso deu ao mercado nacional uma certa confiança para apostar no turista LGBT. Eles viram que estavam perdendo dinheiro. Estou muito otimista com o turismo LGBT nacionalmente falando. A pandemia ‘obrigou’ a gente a redescobrir o Brasil em todos os segmentos, mas principalmente para o nosso público, que tinha medo de ser mal recebido. A mentalidade dos destinos deu uma mudada, as pessoas estão mais abertas. Uma nova pesquisa do Datafolha apontou que cerca de 80% dos brasileiros apoiam as pessoas ‘saírem do armário’. Isso é uma mudança de comportamento que beneficia nossa comunidade em vários âmbitos”, comemorou Alex.

De acordo com ele, os destinos internacionais vão ter que ‘dar uma pedalada’ para reconquistar os turistas brasileiros, visto que os destinos nacionais têm se preparado para receber este público. “Nós temos as diferenças cambiais, a lentidão para vistos nos EUA, por exemplo, o que torna viajar pra fora muitas vezes quase que inviável. No Brasil, temos praias lindas, cidades maravilhosas, comidas incríveis, temos tudo que é bom aqui e o turismo nacional só tem a ganhar recebendo bem o turista LGBT”.

Mas para receber bem, é necessário investir em treinamentos e capacitações. “Treinamento é a base de tudo. Não só para o público LGBT, mas para todo mundo. Por isso, empresas privadas e marcas investem tanto neste treinamento. Ser bem atendido é o objetivo de todos. O que falta é a gente tirar este mito do trade de que todos são bem recebidos. Quando falamos em diversidade e inclusão, o povo diz que o turismo recebe bem todos os públicos, mas não é bem assim.

Muita gente tem na memória o turismo GLS, não tá atento a novas nomenclaturas, boas práticas de atendimento, questão de nome social, são vários detalhes que acabam prejudicando ou favorecendo a experiência de um turista em um destino. Ser bem recebido e sentir que estou sendo bem acolhido, com segurança, é o que mais me atrai em um destino. Não adianta o lugar ser incrível e você chegar lá e ter medo de ser quem você é”, explicou Alex.

Contudo, Alex reforça que não adianta apenas se capacitar e achar que o público vai chegar milagrosamente até voce. “É preciso se comunicar com este mercado, criar atrações, criar eventos, como as paradas. Este ano, debateremos muito isso no LGBT Expo, incluindo o turista LGBT como oportunidade para baixas temporadas. Tem destinos que são sazonais e o este público, por não ficar tão preso a certos calendários, é um público potencial. É uma oportunidade de investir neste público para os destinos se manterem fortes o ano todo”, completou Alex.

“Acho que este é o momento. Nós, como consumidores e turistas, vivemos a transformação e somos um perfil de turismo transversal. Consumimos todos os segmentos: aventura, religioso, romântico, etc”, disse Alex, defendendo o investimento em criação de produtos, eventos e atrações para a comunidade.

Para o organizador de um dos principais eventos LGBTS do Brasil e o principal no setor de Turismo, a volta dos eventos é muito positiva para o turismo. “Existe uma carência, muita coisa mudou. Não temos um evento para famílias LGBTs, quero fazer isso, como um encontro nacional de famílias LGBTs que mostre para as crianças que existem outras crianças com o mesmo modelo familiar. Há uma carência de eventos de ecoturismo para o público da comunidade”, finalizou.

Movimentação na agenda impulsiona o turismo nacional

Graças a flexibilização dos protocolos de biossegurança em combate à Covid-19, aos poucos, temos visto o retorno dos eventos e festivais ao mercado. Em junho, há a tradicional celebração do Orgulho LGBT+ a nível mundial, que culmina em uma série de paradas, festas e feiras para a comunidade celebrar, conquistar e reforçar causas, enquanto impacta massivamente na economia.

Clovis Casemiro, da IGLTA

Clovis Casemiro, da IGLTA

Conforme dados da Empresa Municipal de Turismo de São Paulo (SPTuris), a Parada do Orgulho LGBT é o evento que mais atrai turistas à cidade. Em 2019, por exemplo, captou 3 milhões de pessoas e impactou em R$403 milhões localmente, segundo a Prefeitura de São Paulo, gerando volume 40% mais alto que o do ano anterior.

Em 2022, depois de um hiato, a perspectiva, segundo Clovis Casemiro, coordenador da Associação Internacional de Turismo LGBTQIA+ (IGLTA) no Brasil, é tão positiva quanto foi nas edições anteriores. “A Parada do Orgulho LGBT não acontece somente no domingo, são três dias muito bem planejados e que contam com uma feira de negócios, onde podemos evidenciar as oportunidades de negócios disponíveis e criar novas”, disse.

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