Apesar do período de estagnação econômica, um segmento com uma dinâmica específica continua em expansão no Brasil: intercâmbio e educação internacional. De acordo com a Belta, Brazilian Educational & Language Travel Association, os números são significativos. Em 2014, mais de 230 mil brasileiros deixaram o país para fazer um programa de intercâmbio no exterior. Em relação ao ano anterior, o aumento foi de 15%. Calcula-se que as empresas de educação internacional tenham movimentado  US$ 1.359.232.523,81 no mercado financeiro brasileiro em 2014. 

Ainda no ano passado, a CI – Intercâmbio e Viagem –, maior empresa de intercâmbio e turismo jovem do país, cresceu aproximadamente 11,5%, chegando a faturar R$ 270 milhões ao ano. Também embarcou cerca de 80 mil clientes para o exterior.  Segundo o sócio-diretor da empresa, Celso Garcia, a expectativa de crescimento para 2015 é de 23,5%. “Acreditamos alcançar esse número devido à mudança de cultura do brasileiro, que cada vez mais investe em uma experiência internacional. A alta do dólar não necessariamente é um empecilho, pois existem outras opções de destinos, onde a moeda não está tão valorizada, como Canadá e Nova Zelândia”, explica o sócio-diretor. “Também compreendo que a economia é cíclica, logo, quando a situação melhorar, as vendas que estavam represadas, serão concluídas”, ressalta Garcia. 

No mês de março, a CI também realizou quatro edições da 7ª Feira de Intercâmbio 7 a 17 anos, nas cidades de São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro e Ribeirão Preto. Única feira exclusivamente direcionada para crianças e adolescentes, os eventos receberam ​20% a mais de visitantes do que sua edição anterior, ávidos por informações sobre os programas CI, como Intercâmbio Teen e High School. “O sucesso dos eventos corrobora que o interesse por este tipo viagem não foi impactado pela crise”, comemora. “Identificamos que cada vez mais os pais reconhecem a importância de uma experiência internacional na vida dos filhos”, completa Garcia. 

O aumento das vendas acompanha a expansão da rede. A empresa optou pelo crescimento por meio do sistema de franquias desde 1992. “Nós adotamos esse sistema porque assim empresa e franqueado trabalham em parceria. O franqueado entra com o investimento e nós oferecemos todo o suporte e treinamentos necessários. Outra vantagem é que em cidades menores, por exemplo, o dono da loja está mais próximo do cliente”, aponta Garcia. 

Até o final deste ano, a CI espera aumentar a rede em mais de 15% e alcançar a marca de 100 novas lojas. Atualmente, a empresa tem 82 lojas contratadas, distribuídas em 63 cidades brasileiras. “O objetivo é captarmos novos franqueados em cidades do interior, com mais de 100 mil habitantes. Acreditamos que são mercados com grande potencial, em que a população tem um alto poder aquisitivo e tem começado a valorizar mais um programa de intercâmbio no exterior”, contemporiza o executivo. 

De acordo com o sócio-diretor, esse mercado continua em expansão porque o brasileiro começou a incluir uma experiência internacional entre as metas de vida. “Aprender inglês ainda é a maior motivação do brasileiro para fazer um curso fora. Contudo, o espectro de programa tem aumentado. Hoje, a pessoa pode se especializar em alguma área profissional, como moda, gastronomia, administração; fazer um curso de graduação ou pós; realizar um trabalho voluntário; fazer programas que aliam lazer e conhecimento; dentre outros”, elenca Garcia. “Estudar fora não é uma decisão tomada por impulso. É algo pensado e programado com antecedência pelas famílias e pelos jovens”, conclui o sócio-diretor da CI.