
A Boeing divulgou nesta terça-feira (28) seus resultados financeiros para o quarto trimestre de 2024, destacando desafios operacionais e avanços estratégicos em meio a um cenário de recuperação. A companhia reportou receita de US$ 15,2 bilhões, prejuízo GAAP por ação de US$ 5,46 e prejuízo principal por ação (não-GAAP) de US$ 5,90.
Os resultados refletem os efeitos da recente paralisação e do acordo com a Associação Internacional dos Maquinistas e Trabalhadores Aeroespaciais (IAM), encargos em programas de defesa e custos relacionados às reduções de força de trabalho. Além disso, o fluxo de caixa operacional foi negativo em US$ 3,5 bilhões, enquanto o caixa e títulos negociáveis aumentaram para US$ 26,3 bilhões, impulsionados por captações de capital.
Aviões comerciais
O segmento de aviões comerciais, responsável por US$ 4,8 bilhões da receita trimestral, apresentou redução de entregas e margens pressionadas (-43,9%) devido aos impactos da paralisação da IAM. No entanto, o programa 737 retomou a produção, e o 777X reiniciou os testes de voo, com previsão de entrega do modelo 777-9 em 2026.
Durante o trimestre, o segmento registrou 204 pedidos líquidos, incluindo grandes contratos com a Pegasus Airlines (100 aeronaves 737-10) e FlyDubai (30 aeronaves 787-9). Ao todo, foram entregues 57 aeronaves, e a carteira de pedidos ultrapassou 5.500 aviões, avaliada em US$ 435 bilhões.
Defesa, espaço e segurança
A receita de US$ 5,4 bilhões no segmento de Defesa, Espaço e Segurança foi acompanhada de margens negativas (-41,9%), impactadas por encargos em projetos como o KC-46A e T-7A Red Hawk. O segmento garantiu novos contratos com a Força Aérea e Marinha dos EUA, além de ampliar sua carteira para US$ 64 bilhões.
Serviços globais e perspectivas
O segmento de Serviços Globais reportou receita de US$ 5,1 bilhões e margem de 19,5%, destacando contratos de sustentação do C-17 e atualizações do F-15.
Segundo o CEO Kelly Ortberg, a Boeing está focada em estabilizar operações, melhorar qualidade e restaurar a confiança de stakeholders: “Estamos fazendo mudanças fundamentais para recuperar totalmente o desempenho da nossa empresa.”
Embora enfrente prejuízos e desafios operacionais, a Boeing demonstra sinais de recuperação com avanços nos principais programas e expansão da carteira de pedidos, que alcançou US$ 521 bilhões. A expectativa é de melhora gradual nas entregas e no fluxo de caixa operacional ao longo de 2025.







