Sobre fusão entre Azul e Gol: "temos certeza que o Cade fará análise profunda da proposta", diz Jerome Cadier, CEO da Latam
Jerome Cadier, CEO da Latam (Divulgação/Latam)

O CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, avaliou com cautela a possível fusão entre Azul e Gol, durante coletiva de apresentação de resultados nesta sexta-feira (31), destacando que ainda é cedo para conclusões definitivas. Segundo ele, o Memorando de Entendimento (MoU) anunciado recentemente é “genérico e non-binding” (não vinculante), o que significa que muitos detalhes da operação ainda não estão claros, incluindo as medidas de mitigação que as empresas pretendem adotar.

“A gente viu vários casos de tentativas de combinação de negócios em países de tamanho muito inferior a esse que foram negadas. Então, temos certeza de que o Cade fará uma análise profunda dessa proposta e proporá medidas de mitigação”, afirmou Cadier.

A fusão poderia criar um player com 60% do mercado brasileiro, que é o quarto maior mercado da aviação mundial. Para Cadier, é essencial que qualquer medida regulatória preserve a competitividade do setor. “O que a gente não quer é um mercado mais concentrado, com menos opções para passageiros, preços mais altos e menor crescimento. É isso que temos que evitar”, reforçou.

O executivo acredita que ainda haverá muitas discussões ao longo do ano antes de se ter uma definição sobre o futuro da possível fusão. “Tenho certeza de que o Cade sempre foi muito técnico e fará uma recomendação ponderada sobre os efeitos dessa combinação de negócios”, concluiu.

O executivo também abordou a questão da inevitabilidade da fusão e seu impacto na competição do setor. Para ele, ainda não há clareza sobre os detalhes da proposta, e o Cade deverá avaliá-la com profundidade, ouvindo diferentes players do mercado, incluindo a Latam. “A recomendação para o mercado brasileiro precisa fazer sentido tanto para a dinâmica do setor quanto para os clientes e passageiros. O que acontece hoje é que há um nível de endividamento distinto entre as companhias que operam no Brasil. O setor em si tem margens operacionais saudáveis, mas o desafio está no financiamento desse ativo. Tenho minhas dúvidas se uma fusão é a melhor forma de resolver um problema de dívida”, pontuou.

Cadier mencionou que a Latam, após passar pelo processo de recuperação judicial no Chapter 11, saiu fortalecida sem precisar recorrer a fusões ou concentração de mercado. “São empresas que operam muito bem, que, em termos de pontualidade, cancelamentos e serviço, estão entre as melhores do mundo. O ativo é muito bom, o problema é a dívida”, finalizou.