Investigação de queda da Air India aponta falha em dois motores; caixa-preta é chave para entender tragédia
Caixa-preta pode revelar falha fatal em dois motores de avião da Air India (Divulgação/Air India)

A queda do Boeing 787-8 da Air India, que deixou mais de 270 mortos na última quinta-feira (12), ganhou um novo rumo na investigação: uma possível falha simultânea nos dois motores da aeronave. Um cenário considerado extremamente raro na aviação.

Imagens de vídeo e análises preliminares indicam que o avião não conseguiu ganhar altitude e caiu apenas 450 pés (cerca de 137 metros) após a decolagem, explodindo em uma área residencial próxima ao aeroporto de Ahmedabad. O modelo envolvido era um Dreamliner equipado com motores General Electric GEnx.

Embora as causas exatas ainda não tenham sido confirmadas, o principal foco da investigação agora está na possibilidade de perda de potência nos dois motores, o que teria impedido o Boeing de sustentar voo. O que teria provocado essa falha dupla ainda é um mistério – e a resposta pode estar nos dados da caixa-preta, que já foi localizada e está sendo analisada por autoridades indianas em parceria com especialistas da Boeing.

O voo AI171 decolava rumo a Londres (Gatwick), com 242 pessoas a bordo. Apenas uma delas sobreviveu. Além disso, ao menos 30 pessoas em solo também morreram, já que o avião caiu sobre prédios e ruas lotadas.

Em meio ao luto, funerais foram realizados em Ahmedabad e DNA de 80 vítimas já foi identificado. A área do impacto, dentro do complexo do BJ Medical College, ainda carrega destroços e a marca da destruição.

Piloto evitou desastre ainda maior

O piloto, capitão Sabharwal, de 55 anos, foi apontado por moradores como um herói. Nos últimos segundos antes do impacto, ele teria manobrado o avião para uma área gramada, evitando prédios mais altos. “Se tivesse caído direto no bloco onde moro, ninguém teria sobrevivido”, disse uma moradora local.

A reação das autoridades

Após o desastre, a Diretoria Geral de Aviação Civil da Índia (DGCA) determinou inspeções emergenciais em todos os Boeing 787 operados por companhias indianas. O foco principal está nos sistemas de combustível, nos controles eletrônicos dos motores e em componentes associados a falhas inesperadas.

A Boeing também enviou engenheiros e especialistas para Ahmedabad, enquanto o governo indiano exige transparência e rapidez nos laudos técnicos. O avião envolvido na tragédia havia passado por manutenção completa em 2023 e estava com inspeção prevista apenas para dezembro deste ano.

Enquanto isso, outro voo da Air India com o mesmo modelo foi forçado a retornar a Hong Kong dias depois da tragédia, também por falhas técnicas.

A peça mais aguardada da investigação é a Flight Data Recorder, conhecida como caixa-preta, que armazena informações cruciais do voo, da aceleração ao comportamento dos motores e comandos do piloto. Técnicos dizem que será a única forma de confirmar se a falha dupla nos motores foi mecânica, humana ou eletrônica.

*Com informações do Independent