ASZUL E GOL
Nesta sexta, Azul precisa responder ao Cade sobre acordo com a Gol; ações caíram até 42% ontem e ministro critica fusão por risco de concentração (Eric Ribeiro/M&E)

O setor aéreo brasileiro enfrenta um momento de alta tensão nesta sexta-feira (18), prazo final para que a Azul Linhas Aéreas preste esclarecimentos ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre seu acordo de codeshare com a Gol. O entendimento entre as companhias, que permite a venda de passagens em voos operados uma pela outra, antecede uma possível fusão entre as duas maiores aéreas do país.

A movimentação chamou a atenção do Cade, que investiga se o acordo deveria ter sido previamente comunicado ao órgão, o que poderia configurar gun jumping, prática ilegal em que empresas atuam de forma integrada antes da aprovação formal da fusão. Embora uma nota técnica da Secretaria-Geral do Cade tenha indicado que o acordo não caracteriza infração, o processo segue em tramitação e será avaliado pelo tribunal do conselho.

A pressão regulatória impactou fortemente o mercado financeiro. Na quinta-feira (17), a véspera da data-limite imposta pelo Cade, as ações da Azul (AZUL4) fecharam em queda de 9,21%, a R$ 0,69. Já os papéis da Gol (GOLL54), que passaram por uma reestruturação financeira e finalizaram um processo de capitalização, despencaram 42,21%, para R$ 5,45.

Em paralelo, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, externou preocupação com a possível fusão. “Hoje, 98% da aviação brasileira é comandada por três companhias. Qualquer concentração de mercado pode ser prejudicial ao consumidor”, afirmou, embora tenha ressaltado que respeitará a decisão final do Cade.