passaporte visto eua estados unidos (Banco de imagens Unsplash:ConvertKit)
Nova checagem digital exigirá dados biométricos e pode gerar filas nos aeroportos da Europa (Unsplash/ConvertKit)

A União Europeia vai substituir os carimbos manuais nos passaportes por um sistema digital de controle de entrada e saída a partir de outubro. O anúncio foi feito na última quarta-feira (30) pela Comissão Europeia. A medida valerá para cidadãos de países de fora da UE, como o Brasil, e será adotada por 29 países europeus.

O novo sistema coletará nome, número de passaporte, impressões digitais e fotografia dos visitantes. Os dados serão registrados em um banco comum e utilizados para monitorar estadias de curta duração. A medida integra uma política migratória que busca aumentar a rastreabilidade e reforçar a segurança nas fronteiras.

Segundo o comissário europeu para assuntos migratórios, Magnus Brunner, o objetivo é ampliar o controle sobre o fluxo de viajantes. “Isso nos ajudará a saber quem entra e quem sai da UE”, afirmou. A substituição do carimbo físico será feita de forma gradual, com campanhas de comunicação voltadas aos viajantes e aos operadores de transporte.

A iniciativa enfrenta resistência. Companhias aéreas e ferroviárias alertaram para o risco de aumento nas filas, especialmente em grandes hubs, como aeroportos e estações internacionais. O prefeito de Londres, Sadiq Khan, classificou o cenário como potencialmente caótico, mencionando especificamente a estação de St Pancras, ponto-chave da Eurostar.

As autoridades britânicas já emitiram orientações sobre a possibilidade de atrasos, informando que cada passageiro poderá levar “alguns minutos a mais” para cruzar as fronteiras. Apesar das críticas, a Comissão Europeia mantém a previsão de implementação, reforçando que a digitalização trará benefícios em segurança e prevenção de migração irregular.

A adesão ao sistema abrangerá todos os países da UE — exceto Irlanda e Chipre — além de Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. A proposta, debatida há quase uma década, entra em operação em meio a discussões sobre eficiência, privacidade e impacto operacional para o setor de turismo e transporte.