
SÃO PAULO – Durante o Travel Connect 2025, em São Paulo, Cíntia Tavella, diretora regional das Américas da Booking, apresentou dados inéditos sobre a adoção de inteligência artificial (IA) no turismo e as principais tendências de viagens para este ano e para a próxima década. A executiva destacou que a América Latina e, especialmente, o Brasil, se posiciona na vanguarda do uso de IA para planejar e vivenciar viagens.
Segundo pesquisa global realizada pela companhia entre janeiro e maio com mais de 37 mil consumidores em 33 países, 98% dos brasileiros afirmaram estar entusiasmados com a IA (ante média global de 91%), e 12% disseram confiar totalmente na tecnologia, o dobro da média mundial. A região também lidera no uso prático de IA para recomendações de restaurantes, planejamento de roteiros e tradução durante as viagens.
O estudo mostra um contraste com América do Norte, Europa e Oriente Médio, onde a adoção e a confiança na IA ainda são menores. “Os casos de uso mais inovadores que veremos no futuro provavelmente virão de mercados como o Brasil e a China, que já demonstram alta aceitação e experimentação”, afirmou Cíntia.
Tendências de viagem em 2025
Além da tecnologia, a pesquisa apontou que a principal motivação para viajar este ano é relaxar e buscar bem-estar, mesmo em um cenário global de tensões geopolíticas. Na América Latina, 88% dos viajantes se disseram otimistas em relação a 2025, contra média global de 75%.
No Brasil, 79% priorizam destinos com belas paisagens ao ar livre, e 64% dos latino-americanos pretendem gastar mais em viagens neste ano. Outro destaque é o crescimento das viagens em família e intergeracionais: 91% dos latino-americanos querem viajar com parentes para vivenciar novas culturas juntos.
Perspectivas econômicas
O turismo, que já representa cerca de 10% do PIB global, deve atingir 12% até 2035, com estimativa de movimentar US$ 60 bilhões. Brasil e México estão entre os 15 países que mais devem aumentar sua participação no mercado global de viagens. “A América Latina tem um dos perfis mais jovens de viajantes e está atraindo cada vez mais visitantes internacionais, o que cria oportunidades para todo o ecossistema do setor”, ressaltou a executiva.
O papel da concorrência e das redes sociais
Para Cíntia, a concorrência estimula inovação e amplia o mercado. O crescimento das reservas online e o avanço da IA tendem a transformar ainda mais a experiência do viajante, enquanto redes sociais seguem como principal fonte de inspiração para as gerações mais jovens. “Estamos vivendo a maior revolução desde o início da internet. A IA vai acelerar o desenvolvimento de produtos, melhorar o atendimento e criar novas formas de interação no turismo”, concluiu.







