
Star of the Seas – Durante a inauguração do Star of the Seas, novo navio da Royal Caribbean, o CEO da R11 Travel, Ricardo Amaral, falou sobre o papel do turismo como agente de integração cultural, os desafios para o crescimento do setor no Brasil e as perspectivas para as vendas no mercado nacional. Ele também comentou sobre a relação com a Royal Caribbean, a ampliação do portfólio da operadora e o impacto da nova taxa de visto para os Estados Unidos.
Para Amaral, não há personificação maior do turismo do que um navio de cruzeiro. “Se você vai para Roma, tem italianos atendendo turistas do mundo todo. No navio, é gente do mundo inteiro atendendo gente do mundo inteiro. É universalizante”, explica.
Ele lembra que a história do comércio começou com as embarcações, que levavam mercadorias e criavam conexões entre culturas e economias. “Hoje existe o ângulo da experiência, mas também o consumo. O turismo quebra barreiras, inclusive em momentos de guerra, quando as viagens são as primeiras a serem afetadas”, destaca.
Impacto da nova taxa de visto para os EUA
O CEO avalia que o aumento do custo para a emissão e renovação de vistos para os Estados Unidos — cerca de US$ 250 a mais — não deve afetar diretamente os clientes atuais da R11, que já têm o hábito de viajar para o destino. “No nosso caso, é uma inconveniência, não um impeditivo. Mas para novos viajantes, pode influenciar na escolha de outros destinos, como a Europa, por exemplo. É aí que está o risco para o crescimento”, afirma.
Amaral defende que o Brasil deveria buscar acordos para isenção total de visto, aproveitando seu potencial turístico. “O país perdeu a oportunidade de estar numa posição mais favorável. Turismo deveria ser prioridade nas relações internacionais”, pontua.
Relação com a Royal Caribbean e novos produtos
Mesmo com a abertura para a venda de outras companhias, Amaral afirma que a parceria com a Royal Caribbean continua sólida. “Foi um processo negociado, de comum acordo. Ampliamos o portfólio sem concorrer diretamente com a Royal. É complementaridade.” Ele destaca o sucesso de vendas dos lançamentos. “Todo novo navio da Royal é o que mais vendemos. O brasileiro gosta de novidade e de viajar em família, e o Star of the Seas tem cabines para até oito pessoas, além de gastronomia e entretenimento pensados para todos os perfis.”
Amaral afirma que o treinamento é um dos diferenciais no Brasil e ajuda a explicar o alto índice de satisfação dos clientes nacionais. “Vendemos de forma educacional. O agente de viagens recebe treinamento detalhado para que o passageiro saiba aproveitar ao máximo. Isso aumenta o NPS e fideliza.” A R11 também investe no programa Sales Activation, que reativa agências que já têm contrato, mas não estavam comercializando o produto ativamente.
O Brasil no mapa dos cruzeiros
Apesar de considerar que o país evoluiu pouco em infraestrutura portuária e regulamentações, Amaral acredita que o potencial continua enorme. “O Brasil é um dos países mais bonitos que existem. Poderíamos receber um volume muito maior de navios se houvesse melhorias. Hoje, companhias criam destinos próprios para manter a experiência em alto nível, como ocorre no Caribe.”
Ele cita o modelo “Curb to Cabin in 10 minutes”, que garante embarque rápido nos EUA, como algo que ainda falta no Brasil.
Com o dólar em patamares mais baixos do que no fim de 2024, Amaral vê um cenário promissor. “Os elementos estão entrando no lugar para fecharmos 2025 muito bem e entrarmos em 2026 com força total. Temos um oceano azul de oportunidades no Brasil.”
Ele credita os bons resultados à especialização e à eficiência operacional da R11. “Temos quase 80 pessoas na equipe, apaixonadas por cruzeiros. Automatizamos processos, mas sem perder o atendimento humano. Esse é o nosso diferencial.”
Encerrando o papo, Amaral reforça seu entusiasmo pelo setor. “Não tem como não curtir um navio. Eu sou apaixonado. O turismo no mar é experiência, conexão e oportunidade — e o Brasil pode e deve ser protagonista nesse cenário.”







