Turismo
O ministro do Turismo, Celso Sabino; e Marcelo Freixo, presidente da Embratur (Janaina Brito/M&E)

O Ministério do Turismo virou peça-chave nas articulações do Palácio do Planalto após o União Brasil anunciar o rompimento com o governo Lula. No centro da disputa, o ministro Celso Sabino (União-PA) resiste a deixar o cargo e, apesar da pressão de sua sigla, é visto no governo como peça estratégica demais para ser substituído neste momento.

Sabino tem ao seu favor o protagonismo na preparação da COP30, que será realizada em Belém (PA), e sua posição como presidente do Conselho Executivo da ONU Turismo. Essas credenciais reforçam a avaliação no Planalto de que sua saída teria alto custo político e diplomático. Segundo fontes palacianas, a tendência é “manter o útil ao agradável” e sustentar sua permanência, ainda que seja necessário buscar soluções como um eventual licenciamento partidário.

Nos bastidores, a possibilidade de entregar o Turismo ao MDB chegou a ser ventilada, mas não houve até agora tratativas formais com o governador do Pará, Helder Barbalho, liderança que controla a sigla no estado. Caso Lula decida pela troca, o nome mais forte é o de Marcelo Freixo, atual presidente da Embratur. O ex-deputado é visto como o único capaz de garantir continuidade aos projetos já em andamento para a COP30.

Enquanto isso, Sabino terá de enfrentar um dilema: manter sua posição no ministério pode significar romper de vez com a direção nacional do União Brasil, que ameaça punir filiados que desobedecerem a orientação de saída do governo. “Se a permanência persistir, serão adotadas as punições disciplinares previstas no estatuto”, reforçou o presidente do partido, Antônio Rueda.

O Planalto, por sua vez, cobra fidelidade irrestrita de ministros ligados a partidos dissidentes. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, foi clara ao afirmar que só ficará no governo quem demonstrar compromisso pleno com as pautas do presidente Lula. Nesse cenário, a sobrevivência de Sabino no Turismo dependerá de sua capacidade de conciliar interesses: atender às demandas de Brasília sem perder espaço no tabuleiro político do Pará.