Dia Mundial do Turismo: um motivo para celebrar - e para ousar mais
27 de setembro, Dia Mundial do Turismo (Divulgação)

Hoje, no Dia Mundial do Turismo, voltamos nossos olhares para um setor que muito mais do que viajar: conecta pessoas, culturas, economias. O turismo brasileiro vive um momento de efervescência. Atravessa desafios, sim, mas manifesta uma resiliência e força que merecem reconhecimento, comemoração… e inspiração para irmos além.

O que já alcançamos

Os números recentes comprovam: o turismo internacional no Brasil bate recordes históricos. Em 2025, somente em seus primeiros meses até aqui, o país recebeu quase 7 milhões de turistas estrangeiros, alta de 12,6% sobre 2023 – o melhor resultado da série histórica. 

Além disso, houve um avanço relevante da aviação civil: mais de 20 milhões de passageiros a mais no modal aéreo nos últimos dois anos.  Para este ano, a previsão é de que o setor aéreo brasileiro transporte mais de 128 milhões de passageiros, ultrapassando fortemente os níveis de 2022. 

Investimentos também acompanham esse momento auspicioso. No primeiro trimestre de 2025, os investimentos estrangeiros diretos no turismo alcançaram US$ 81 milhões, salto de 88% em relação ao mesmo período de 2024.  Em infraestrutura, aeroportos regionais estão sendo modernizados ou ampliados; aeroportos importantes como Congonhas e Guarulhos têm projetos em curso, e o total de obras no setor aeroportuário já soma cerca de R$ 10 bilhões. 

O turismo doméstico também não fica atrás. Em 2024, cerca de 60% dos embarques feitos por operadoras foram para destinos internos, gerando R$ 5,46 bilhões em faturamento e permitindo que brasileiros “redescubram” o Brasil. 

Os entraves que ainda persistem

Apesar de todo esse otimismo, há obstáculos que não podem ser ignorados:

  • Infraestrutura desigual: regiões fora dos eixos tradicionais ainda sofrem com acesso difícil, carência de oferta de transporte (rodoviário e aéreo), rede hoteleira limitada ou com padrões variados.

  • Burocracia e regulação: vistos, licenças, normas locais, tributação e regimes fiscais ainda geram insegurança para investidores e atrasos para empreendedores.

  • Qualificação de mão de obra: para além de empregos temporários, o setor exige profissionais preparados: guias, hotelaria, cultura, e ainda há lacunas na oferta de capacitação, mesmo com todos os esforços louváveis das empresas em treinamentos.

  • Sustentabilidade: crescimento deve vir acompanhado de responsabilidade ambiental, social e cultural; pressões sobre destinos frágeis, poluição, impactos para comunidades locais são riscos reais se não forem bem manejados.

A resiliência que nos leva adiante

O que esses números demonstram é que nosso turismo não foi vencido por crises recentes — sejam econômicas, de câmbio, sanitárias ou logísticas. Pelo contrário: mostramos capacidade de reagir, de ajustar rotas, de investir. Vimos crescimento tanto no turismo internacional quanto no doméstico, vimos a aviação expandir, chegamos perto ou ultrapassamos metas antes do previsto.

Essa resiliência é mérito de muitos: governo, setor privado, estados e municípios, comunidades, trabalhadores do turismo, agentes de viagens. Também de políticas claras de promoção internacional, de ampliação da malha aérea, de parcerias, de redes de eventos, de promoção de destinos além do litoral “convencional”, de um trabalho técnico da Embratur, que soube se reinventar e se guiar por dados e resultados.

O que podemos e devemos alçar como meta

Neste Dia Mundial do Turismo, além de celebrar, convém mirar adiante com ambição:

  1. Superar as metas para o final de 2025 — a previsão de 8 milhões de turistas estrangeiros pode ser ultrapassada, se mantivermos o ritmo do primeiro semestre.

  2. Diversificar destinos — regiões amazônicas, sertões, interior nordestino, Pantanal, áreas culturais menos exploradas devem receber atenção para distribuir os benefícios do turismo e evitar saturação. E claro, temos Belém, que esperamos um legado deixado pela COP30.

  3. Melhorar conectividade aérea e logística — investir em aeroportos regionais, fortalecer voos internacionais diretos, reduzir gargalos de infraestrutura para acesso aos destinos, e fortalecer a aviação nacional – seja com a presença de novas companhias ou reestruturações eficazes das já existentes.

  4. Revisar regulamentos e tributação — simplificar processos, tornar regimes mais transparentes, atrair mais investimento nacional e estrangeiro com segurança jurídica.

  5. Fortalecer sustentabilidade e inclusão — considerar comunidades locais, preservar meio ambiente, valorizar identidade cultural, garantir que crescimento venha sem despesa social ou ambiental.

Para celebrar, e continuar construindo

Hoje é dia de festejar: por todos os recordes batidos, pelas vistas que se multiplicam, pelos novos voos, por cada turista que escolheu o Brasil, por cada empresa que investiu, por cada pacote vendido e honrado pelas agências e operadoras. O setor é poderosa força motriz de desenvolvimento, geração de emprego, cultura, identidade.

Mas a comemoração só será plena se vier acompanhada de ação: para que não apenas tenhamos o que celebrar, mas que ainda tenhamos muito mais para conquistar. O Brasil tem atributos únicos — natureza exuberante, cultura diversa, hospitalidade genuína — que, bem aproveitados, nos colocam em posição de destaque no mapa global do turismo. Não se é admissível que um setor tão importante não seja levado a sério como merece. A pasta do Turismo não pode ser moeda de troca de governos, a cadeira não pode ser ocupada por aqueles que não estão à altura de sentar nela e muito menos deve ser COMEMORADO o fracasso ou falhas de gestões passadas, afinal, a perda é coletiva! Assim como esperamos que seja a vitória.

Parabéns a todos os que fazem do turismo uma causa de esperança, uma alavanca de futuro. E que este Dia Mundial do Turismo sirva não só para olhar para o que já fizemos, mas para nos lembrar do que ainda podemos ser: uma nação turística de referência, vibrante, diversa e próspera.

Por Janaina Brito, editora do Mercado & Eventos