
Roma – A indústria de cruzeiros tem desempenhado um papel transformador no turismo global, ao mesmo tempo em que busca soluções sustentáveis e de melhor integração com as comunidades costeiras. Essa é a avaliação de Pierfrancisco Vago, presidente-executivo da Divisão de Cruzeiros do Grupo MSC. Sua visão foi apresentada durante um painel na Cúpula do WTTC, no qual destacou tanto os avanços tecnológicos da frota quanto o impacto econômico positivo que os navios podem gerar nos destinos visitados.
Segundo ele, os cruzeiros “democratizaram o luxo”, ao oferecer uma experiência multigeracional e diversificada, com marcas que atendem diferentes perfis de passageiros. “Um cruzeiro não é apenas uma experiência de hospitalidade, mas também de viagem. Todos os dias você acorda em um novo país, em uma nova cidade, e isso cria uma conexão direta com as comunidades costeiras”, afirmou.
Distribuição do turismo e combate ao overtourism
O executivo ressaltou que os cruzeiros contribuem para a descentralização do turismo, ajudando a aliviar a pressão sobre grandes destinos turísticos. Ele citou acordos já realizados com cidades como Dubrovnik e Barcelona, que enfrentam desafios relacionados ao excesso de visitantes.
“O trabalho conjunto permitiu segmentar e organizar o fluxo de passageiros, evitando aglomerações e melhorando a experiência tanto para os turistas quanto para os moradores locais”, explicou. A estratégia inclui ainda o estímulo ao consumo em restaurantes, lojas e passeios locais, gerando impacto econômico direto e indireto para as comunidades visitadas.
Além dos grandes centros, o setor tem explorado destinos menores ou mais remotos, em que os navios acessam por meio de sistemas de tendering (desembarque por barcos menores). “Isso distribui o turismo para diferentes regiões sem depender apenas de hubs tradicionais, criando oportunidades em locais pouco explorados”, destacou.
Sustentabilidade e inovação tecnológica
No campo da sustentabilidade, a meta da indústria é atingir a neutralidade de carbono até 2050. Para isso, os navios já incorporam sistemas avançados de tratamento de água, reciclagem de resíduos, tintas menos poluentes e uso crescente de combustíveis de transição, como o GNL (gás natural liquefeito).
“Projetar um navio é um processo que leva cerca de cinco anos e sua vida útil chega a 30 anos. Por isso, ao planejar uma embarcação hoje, precisamos imaginar como será o mundo em 2040: o que as pessoas vão comer, como vão se entreter, qual será a configuração das cabines. É um desafio intelectual e tecnológico enorme”, afirmou.
Confiança do consumidor e experiências completas
Outro ponto ressaltado foi a crescente expectativa dos passageiros de que suas férias sejam seguras e livres de riscos. “O tempo de férias é precioso. O consumidor quer ter a garantia de que, em caso de imprevistos como a erupção de um vulcão ou o cancelamento de voos, a marca estará preparada para cuidar de tudo”, explicou.
Nesse sentido, a integração entre transporte, hospedagem e atividades em terra é vista como fundamental para reforçar a confiança do viajante. “O passageiro quer saber que não ficará desamparado e que a experiência de férias será completa, segura e inesquecível”, finalizou.







