
BUENOS AIRES – A Argentina não é apenas o principal mercado internacional da Gol: virou também o campo de testes para a nova estratégia de internacionalização da companhia aérea. Na FIT Buenos Aires 2025, o diretor comercial Danillo Barbizan detalhou como a empresa está ampliando sua malha no país vizinho, adaptando serviços ao consumidor argentino, da escolha de rotas à forma de pagamento, e reforçando parcerias, como a que mantém com a Avianca sob o guarda-chuva da holding Abra.
Com foco em regionalização e aprendizado, a Gol prepara um plano de cinco anos para internacionalização que busca ir além da expansão: quer mudar a forma de competir. Afinal, o leque se abre – e o jogo pela fidelização do passageiro aumenta a cada dia.
Confira entrevista completa abaixo:
M&E – Vamos começar pelo mercado argentino. Qual é a importância dele para a Gol?
Danillo Barbizan – A Argentina é, para nós, primeiro, segundo, terceiro, quarto e quinto mercado. Se a operação dá certo aqui, ela compensa qualquer desafio em outros países. Houve uma virada importante: antes, 70% dos passageiros eram brasileiros indo à Argentina. Agora, 70% a 90% são argentinos viajando para o Brasil. Isso mostra como a economia local melhorou e como viajar continua sendo prioridade para o argentino. Isso também nos traz novos desafios.
M&E – E como a Gol se posiciona para atender esse novo perfil de demanda? Como competir em um mercado tão disputado?
Danillo Barbizan – Ofertando voos ponto a ponto, sem necessidade de conexão em São Paulo ou Rio. Temos rotas diretas de cidades argentinas para Florianópolis, Porto Alegre, Brasília e Nordeste, porque entendemos que o argentino valoriza esse acesso rápido. Ainda temos os clássicos, como Rio e Floripa, mas também inovamos com rotas como Mendoza–Rio de Janeiro, que aposta no mendocino viajando para o Brasil.
M&E – Vimos recentemente sobre uma parceria realizada com o Mercado Pago, muito forte aqui na Argentina para pagamentos instantâneos – algo parecido como é o Pix para o Brasil. Isso faz parte desse novo olhar para o passageiro estrangeiro?
Danillo Barbizan – A parceria com o Mercado Pago na Argentina é exatamente isso! Antes, pensaríamos: “Qual a relevância disso para o brasileiro?”. Hoje, a pergunta é: “Como o argentino paga suas viagens?”. E a resposta foi o Mercado Pago. Assim como no Brasil o Pix é indispensável, aqui essa solução é essencial. Esse é um bom exemplo de mudança de postura: olhar para o que faz sentido no mercado local e adaptar o produto.
Argentina vira peça-chave da Gol para testar rotas, parcerias e novo olhar sobre o passageiro
M&E – O que esperar da alta temporada de verão 2025?
Danillo Barbizan – Será a maior oferta internacional da nossa história, e a Argentina é central nisso. Teremos voos sazonais como Rosário–Florianópolis e Córdoba–Florianópolis, além de estreias como Montevidéu–Fortaleza e Assunção–Rio de Janeiro. Também vamos explorar a chamada quinta liberdade com a rota Guarulhos–Punta del Este–Aeroparque, que permite ao passageiro combinar destinos sem precisar voltar ao ponto de origem.
O Voo de Punta tem início em 21 de dezembro de 2025 a 23 de fevereiro de 2026, com duas frequências semanais: às quintas-feiras e aos domingos.
M&E – E encerrou agora a temporada de inverno argentino, onde a Gol retomou a sua operação sazonal para Bariloche. Como foi o resultado dessa operação?
Danillo Barbizan – Bariloche foi retomada após muitos anos, de forma sazonal, e funcionou muito bem. Mais que lucro, buscávamos aprendizado. Quando repetimos a operação, conseguimos ajustar a malha, refinar custos e entregar mais eficiência. Foi um posicionamento importante e já nos prepara para os próximos anos. Mas a temporada de inverno em geral foi muito boa, e as expectativas para a alta temporada de verão – tanto no Brasil quanto internacional são as melhores possíveis.
M&E – Falando em expansão, quais são os próximos passos internacionais da Gol?
Danillo Barbizan – Nosso plano de cinco anos é muito mais robusto na expansão internacional. Queremos estar presentes em todas as capitais da América do Sul, além de Caribe, América Central e Estados Unidos. Mas a diferença desta vez é o mindset: não é só sobre levar brasileiros para fora, mas entender como cada mercado local – argentino, uruguaio, colombiano, gosta de voar e adaptar produto, distribuição e experiência.
M&E – E sobre essas novas rotas, como elas são escolhidas?
Danillo Barbizan – É sempre um equilíbrio entre corporativo, turismo e sazonalidade. Porto Alegre–Buenos Aires, por exemplo, tem forte público corporativo, ligado ao agronegócio, maquinário agrícola e setor de gás. Em outros casos, como Floripa, o motor é puramente turístico. Cada rota ensina: mesmo quando não atinge os resultados iniciais, vira aprendizado para o próximo business plan.
M&E – O plano com a Embratur também faz parte da expansão?
Danillo Barbizan – Sim. A Embratur é quem promove o Brasil no exterior. Estar alinhado com ela é estratégico para levar a imagem do país junto com a Gol, que é vista como uma marca fortemente associada ao Brasil. Fazemos workshops, assinamos acordos e vamos estar sempre próximos porque essa integração é fundamental na promoção internacional.
M&E – Competir fora do Brasil é diferente de competir dentro?
Danillo Barbizan – Muito. No Brasil, é um mercado difícil, com competição acirrada. Na América do Sul, enfrentamos companhias de bandeira. Por isso, não é só preço: é brand power, experiência, frequência de voos, distribuição. A grande novidade desta fase internacional da Gol é exatamente a mudança de mindset: não é simplesmente abrir uma rota, mas estruturar todo o produto pensando em como o passageiro local vai nos enxergar.
M&E – E como o corporativo entra nessa estratégia?
Danillo Barbizan – Hoje temos um produto mais robusto para esse público. Nossa operação em Aeroparque, por exemplo, foi desenhada também para atender executivos, oferecendo opções de curta antecedência e contratos corporativos. Isso nos coloca em outro patamar de competitividade na Argentina e em outros mercados sul-americanos.
M&E – Na FIT Buenos Aires, a Gol divide estande com a Avianca. Como funciona essa parceria?
Danillo Barbizan – A Gol e a Avianca estão sob o mesmo grupo controlador, a Abra. Essa sinergia se traduz em complementariedade de rotas, força de marca e time de vendas. Onde uma não está presente, a outra cobre. Na Argentina, por exemplo, executivos da Gol atendem Córdoba, Rosário e Mendoza, regiões onde a Avianca não tem equipe. O estande conjunto aqui na FIT é simbólico: mostra como as duas companhias, mesmo com marcas diferentes, se apresentam juntas e oferecem mais opções ao passageiro.
Para Danillo, a estratégia da Gol nos próximos 5 anos passa em consolidar a posição na Argentina, avançar em toda a América do Sul e seguir crescendo no Caribe, América Central e Estados Unidos. “O pilar central é regionalizar a operação, como já fazemos no Brasil, e fortalecer a marca fora do país. Queremos que, na cabeça do passageiro internacional, quando pensar em voar para o Brasil ou a partir dele, pense imediatamente: “Eu vou de Gol”, finalizou.
O M&E viaja com apoio da Shift Mobilidade Corporativa e proteção GTA







