Gol e Azul
Suspensa a fusão de Azul e Gol: papéis sobem e companhias encerram acordo de codeshare (Eric Ribeiro/M&E)

As ações da Azul e da Gol registraram forte alta no pregão da última sexta-feira (26), um dia após a divulgação do fim das conversas sobre uma possível fusão entre as duas companhias aéreas. O movimento reflete a reação do mercado ao anúncio feito pela Abra, controladora da Gol, de que as tratativas iniciadas em 2024 foram oficialmente encerradas. Por volta das 11h06, os papéis da Azul avançavam 16,19%, cotados a R$ 1,22, enquanto as ações da Gol subiam 7,26%, a R$ 6,06.

Em fato relevante, a Abra justificou a decisão afirmando que “as partes não tiveram discussões significativas ou progrediram em uma possível operação de combinação de negócios por vários meses como resultado do foco da Azul em seu processo de Chapter 11”. A holding também destacou que os entendimentos iniciais ocorreram em um cenário distinto do atual, tanto para a Azul quanto para a Gol.

A Gol, em comunicado separado, informou que solicitou à Azul a rescisão dos acordos celebrados em maio de 2024 que estabeleciam um codeshare entre as duas empresas. A companhia garantiu, no entanto, que honrará todos os bilhetes já comercializados no âmbito da parceria. A Azul confirmou a mesma posição e reafirmou seu compromisso de seguir fortalecendo sua estrutura de capital.

Cade e críticas ao processo

As tratativas entre as empresas chegaram a despertar preocupação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). No início de setembro, o órgão havia pressionado as companhias a formalizar o acordo de codeshare, sob pena de suspensão das operações conjuntas.

Em entrevista à Reuters, o presidente do Cade, Gustavo Augusto, criticou a postura das aéreas de comentar publicamente sobre uma possível fusão sem que houvesse uma proposta concreta. Para ele, esse tipo de anúncio prematuro, seguido da desistência, gera insegurança no mercado.

Se levada adiante, a união de Azul e Gol teria criado uma companhia com cerca de 60% do mercado doméstico, superando a Latam, que detém em torno de 40%, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Reorganização em curso

Em recuperação judicial nos Estados Unidos desde maio, a Azul reforçou, em seu comunicado, que seguirá empenhada em fortalecer suas finanças. Já a Gol, sob controle da Abra, passa por ajustes internos e aposta em manter a confiança de clientes e acionistas mesmo com a ruptura das negociações.