Latam aposta na eficiência e no cliente: “Queremos ser a companhia favorita da América do Sul”
Aline Mafra, diretora de marketing e vendas da Latam (Ana Azevedo/M&E)

RIO DE JANEIRO – A Latam Brasil vive um ciclo de crescimento sólido, marcado pela busca de eficiência, modernização de frota, novas rotas e uma gestão cada vez mais centrada no passageiro. Durante a Abav Expo, no Rio de Janeiro, a diretora de Vendas e Marketing da companhia, Aline Mafra, conversou com o Mercado & Eventos sobre o novo momento da empresa, um bate-papo que passou por judicialização, expansão internacional, parcerias e os planos para os próximos anos.

M&E – O recente anúncio da frota Embraer E2 agitou o mercado. Como a Latam pretende distribuir esses aviões e o que eles representam neste momento da empresa?
Aline Mafra – A gente sonhou muito com essa frota. Eu tenho 20 anos de empresa e posso dizer que foi um dos anúncios mais marcantes que já vivemos. São 24 aviões já encomendados, com entrega a partir do último trimestre do ano que vem, e um potencial de compra de até 74. A maior parte deve vir para o Brasil, que foi a região que impulsionou esse projeto. Dos 35 aeroportos potenciais, 25 estão aqui.

M&E – E como esses novos aviões se encaixarão na malha brasileira? Aline Mafra – É uma lista viva. Estamos sempre estudando novos aeroportos. Esses aviões atendem com mais assertividade o tamanho da demanda e viabilizam novas ligações diretas, conectando cidades secundárias que hoje dependem dos nossos hubs.

M&E – O passageiro brasileiro já está preparado para esse novo modelo de conectividade, sem precisar passar por São Paulo ou Rio?
Aline Mafra – Em algumas regiões, sim. Quem mora em Fortaleza, Curitiba, Porto Alegre ou Confins já tem opções melhores, mas ainda há bases muito dependentes dos grandes centros. Isso mostra o tamanho da oportunidade. O Brasil tem dimensão continental e muitas cidades ainda têm apenas um ou dois voos por dia para Guarulhos.

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M&E – E no internacional? A Latam tem ampliado presença em várias frentes.
Aline Mafra – Sim. Mesmo sem crescer tanto em frota wide nos últimos dois anos, conseguimos aumentar a oferta com eficiência. Hoje temos voos diurnos da Europa para o Brasil, algo que antes não fazíamos, o que aumentou o uso das aeronaves. E na América do Sul, com a frota narrow, conseguimos crescer com mais flexibilidade. Europa performa muito bem, mas toda a nossa rede internacional está saudável.

M&E – Quais são as principais novidades de rotas neste ciclo?
Aline Mafra – Inauguramos o Guarulhos–Bariloche sazonal, de junho a agosto, e lançamos Porto Alegre–Aeroparque, Rio–Ezeiza e Fortaleza–Lisboa. Até o fim do ano, virão seis novas rotas: Guarulhos–Córdoba, Guarulhos–Rosário, Recife–Ezeiza, Florianópolis–Lima, Florianópolis–Buenos Aires e uma sazonal Belém–Bogotá, para atender à COP30.

M&E – É um bom momento para investir na Argentina?
Aline Mafra – Sim. A Argentina continua sendo muito procurada. Não temos operação doméstica lá, mas nossos voos internacionais estão indo muito bem, com altas taxas de ocupação e boa satisfação dos passageiros. Floripa–Buenos Aires, por exemplo, é uma rota muito mais receptiva do que emissora. A aposta é mútua, o argentino está voltando a viajar para o Brasil.

M&E – A América do Sul vive um ambiente competitivo, com presença forte das low costs. Como a Latam se posiciona?
Aline Mafra – A competição é saudável e nos obriga a evoluir. O produto da Latam está muito forte para competir tanto no lado premium quanto no mais acessível. Conseguimos segmentar melhor: temos a Premium Economy, internet a bordo, embarque prioritário, salas VIP, e ao mesmo tempo mais assentos e eficiência para democratizar a aviação. A nossa operação hoje é capaz de competir com os players mais agressivos da região.

M&E – O Brasil entra agora na alta temporada. Como a Latam se prepara para o aumento da demanda?
Aline Mafra – Temos 2 mil voos extras programados, especialmente para o Nordeste, partindo de Santos Dumont e Congonhas. É uma operação que exige muito planejamento: precisamos equilibrar malha corporativa e de lazer, alocar aviões com antecedência e lidar com fatores climáticos, principalmente em Guarulhos. Por isso, mantemos aeronaves reserva em locais estratégicos, como Brasília e Guarulhos.

O Brasil representa metade da operação da holding, mas responde por 98% dos processos judiciais

M&E – Falando em operação, o tema da judicialização no setor aéreo voltou a ganhar força. Como a Latam tem lidado com isso?
Aline Mafra – É um desafio enorme. O Brasil representa metade da operação da holding, mas responde por 98% dos processos judiciais. De forma alguma queremos desestimular o passageiro a buscar seus direitos, mas defendemos que eventos fora do nosso controle, como condições meteorológicas ou fechamento de aeroportos, não gerem indenizações por dano moral. Temos trabalhado com os órgãos competentes para tratar o tema de forma mais justa e realista.

Aliança global? Latam prefere parcerias estratégicas

M&E – E quanto às parcerias estratégicas, especialmente com a Delta?
Aline Mafra –A Delta é o grande exemplo de parceria que funciona. É um casamento que deu certo. Quando se entra em uma aliança global, há muitas companhias com dinâmicas diferentes e nem sempre complementares. A Latam prefere parcerias estratégicas, que realmente agreguem eficiência e tragam passageiros para a nossa malha. Temos também parcerias com bancos e marcas premium que falam com o mesmo público.

M&E – A Latam também tem se destacado em visibilidade e marketing.
Aline Mafra – Sim, vivemos um momento muito positivo. Muita gente procura a Latam para associar marca, o que é resultado direto de reputação. Buscamos parceiros que nos ampliem, como Rock in Rio ou atletas com grande alcance, porque isso aumenta o conhecimento da marca. Queremos ser a companhia favorita da América do Sul, a primeira escolha do passageiro.

Queremos ser a companhia favorita da América do Sul, a primeira escolha do passageiro

M&E – Quais são os principais investimentos da Latam para os próximos anos?
Aline Mafra – Temos quatro grandes projetos anunciados. O primeiro é o Wi-Fi em toda a frota wide até 2026, um investimento de US$ 60 milhões. O segundo é a nova sala VIP em Guarulhos, com 4,7 mil m² e US$ 20 milhões em investimento. O terceiro é a criação de uma cabine intermediária entre a econômica e a executiva, prevista para 2027. E o quarto é o retrofit dos nossos A319, para equiparar o padrão de conforto e conectividade da frota mais moderna.

M&E – E o que esses investimentos refletem no dia a dia do passageiro?
Aline Mafra – Refletem o nosso propósito. A Latam vem batendo recordes de resultado, e tudo isso está sendo devolvido em produto. Nosso NPS subiu de 19 para 56 pontos, e isso é fruto direto de conectividade, amabilidade e investimento em pessoas. Estamos crescendo com equilíbrio, propósito e cuidado com o cliente.

O M&E viaja com apoio da C2Rio e proteção GTA