A duas semanas da COP 30, Belém confirma hospedagem para 132 países
Justiça e governo atuam para conter preços e garantir estrutura à conferência climática (Divulgação/ civitatis)

A duas semanas da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), Belém já se prepara para receber representantes de 132 países com hospedagem garantida. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (27) pela Secretaria Extraordinária para a COP30 (Secop). Outros 49 países ainda negociam acomodações, em meio à reta final de organização do evento, que ocorrerá entre 10 e 21 de novembro de 2025.

O número representa um avanço significativo em relação ao cenário de duas semanas atrás, quando apenas 87 países haviam confirmado presença — quantidade insuficiente para garantir o quórum mínimo exigido pela Organização das Nações Unidas (ONU). Pelas normas da Conferência, é necessário que pelo menos um terço das delegações esteja representado para que o encontro ocorra, e dois terços para a validação de decisões oficiais.

A hospedagem foi, nos últimos meses, um dos principais desafios enfrentados pela organização. Com a expectativa de reunir dezenas de milhares de participantes, Belém precisou ampliar rapidamente sua capacidade de acomodação. A escassez de leitos e o aumento nos preços motivaram a intervenção da Justiça, que determinou medidas para coibir práticas abusivas nas plataformas de hospedagem.

Como parte das soluções, motéis e escolas foram reformados e adaptados para receber participantes, e novos hotéis foram inaugurados. De acordo com a presidência da COP, Belém agora conta com 53 mil leitos disponíveis, distribuídos da seguinte forma:

  • 14.547 em hotéis na capital e região metropolitana;
  • 6 mil em navios adaptados;
  • 10.004 em residências de temporada administradas por imobiliárias;
  • 22.452 ofertados por meio da plataforma Airbnb.

Além da estrutura de hospedagem, a cidade se prepara para a montagem dos dois grandes polos do evento: a Blue Zone e a Green Zone, ambas instaladas no Parque da Cidade.

A Blue Zone é o espaço oficial das negociações climáticas, sob gestão direta da ONU (UNFCCC). É lá que acontecem as plenárias, reuniões entre delegações, discursos de chefes de Estado e a definição de acordos internacionais sobre o clima. O acesso é restrito a delegados, representantes de agências, imprensa e observadores credenciados.

Já a Green Zone é administrada pelo país anfitrião e aberta ao público. O espaço será dedicado à sociedade civil, com programação voltada à educação ambiental, inovação, sustentabilidade e cultura. ONGs, empresas, universidades e coletivos terão presença ativa, aproximando o debate climático das comunidades locais e ampliando a participação popular.