
O ministro do Turismo, Celso Sabino, voltou a defender uma visão mais equilibrada sobre a segurança pública no Rio de Janeiro e o impacto que episódios isolados têm sobre a imagem da cidade no Brasil e no exterior. Durante a abertura de um seminário sobre segurança promovido pela Esfera Brasil, Sabino afirmou que o município, governado por Eduardo Paes, não é o mais violento do país, apesar de ser frequentemente tratado dessa forma quando algum caso ganha destaque na imprensa.
Em painel dividido com Paes, o ministro destacou que episódios envolvendo o Rio costumam ganhar proporções desproporcionais, em comparação a situações semelhantes registradas em destinos turísticos internacionais. “A cidade do Rio está longe de ser a primeira em números de violência no país. Mas parece que, sempre que acontece qualquer episódio relacionado à segurança no Rio, o mundo inteiro se alarma e a repercussão toma proporções muito maiores do que episódios de violência que acontecem em outras cidades turísticas do mundo”, afirmou.
Sabino também apontou que parte dessa amplificação negativa ocorre dentro do próprio país, mencionando a necessidade de superar o que chamou de “síndrome de vira-lata”. Segundo ele, brasileiros tendem a enaltecer serviços estrangeiros mesmo quando enfrentam dificuldades, enquanto são mais rígidos ao avaliar situações semelhantes no Brasil.
“A gente precisa superar a síndrome de vira-lata. Você sai do Brasil hoje em um voo para Londres e passa duas horas na fila da imigração. Quando você volta ao Brasil e espera 15 minutos na fila, sempre tem alguém dizendo que aqui não funciona nada, que a espera é longa. Mas lá em Londres, não dá um pio, não reclama de nada”, disse o ministro, ao defender uma postura mais justa sobre o funcionamento de serviços nacionais.
Ao longo da fala, Sabino reforçou que o debate sobre segurança deve ser acompanhado de responsabilidade na divulgação de informações, evitando prejudicar a imagem de destinos turísticos e afetar diretamente a economia do setor.
No final de outubro, em uma entrevista concedida com exclusividade ao M&E, o ministro já havia abordado o tema da forma como os episódios de violência no Rio de Janeiro são divulgados e seu impacto sobre o turismo no Brasil. Sabino afirmou que “o que aconteceu não representa o cotidiano do Brasil” e criticou a cobertura desigual em que casos pontuais no Rio ganham destaque mundial, enquanto situações semelhantes em outras cidades turísticas internacionais passam despercebidas.







