Especialistas do setor abordam paridade, risco e colaboração no Visit Travel Show
Debate abordou promoção de destinos, fidelização de clientes e expansão internacional (Ana Azevedo/M&E)

PORTO DE GALINHAS – O Visit Travel Show 2025 segue nesta quarta-feira (3) no centro de convenções do hotel Armação, com o painel “Cenário do Turismo Nacional”, reunindo representantes de empresas como CVC, Azul Viagens, FRT e Abreu. O debate abriu espaço para críticas diretas sobre desafios enfrentados pelo trade, como controle de tarifas, disparidade de preços e riscos compartilhados entre operadores e hoteleiros.

Dani Meirelles, CEO da FRT, iniciou ressaltando que o equilíbrio financeiro e a fidelização do cliente são prioridades: “Não buscamos volume extremo. Trabalhamos com parcelamento e markup de forma saudável, evitando guerras tarifárias. O hoteleiro precisa controlar a paridade de preços; sem isso, a receita é comprometida”. Ela enfatizou que tecnologias já permitem monitorar os canais e que a boa vontade dos gestores é essencial para evitar perda de receita.

O debate avançou para a questão da presença internacional e diversificação de mercados. Felipe Cuadrado, diretor de Produtos da Abreu, alertou que a promoção do Brasil fora do país exige continuidade e planejamento estratégico: “Para manter competitividade, precisamos de divulgação e capacitação constantes, principalmente em mercados como Portugal e Espanha. Investimos em bloqueios aéreos e planejamento anual para garantir oferta na alta temporada”, explicou. Segundo ele, sem essa atuação, o Brasil perde espaço para destinos concorrentes e limita seu potencial de crescimento.

A discussão sobre conectividade e assentos aéreos trouxe Giulliana Mesquita, Head de Negocio Azul Viagens, para detalhar o impacto direto das operações sobre o trade: “Temos mais de 2 milhões de assentos dedicados ao Nordeste em 2025. O desafio é equilibrar tarifas e disponibilidade entre lazer e corporativo. Distribuir o risco entre operadores e destinos permite maximizar ocupação e manter preços competitivos”. Ela reforçou que o trabalho conjunto entre operadores e companhias aéreas é essencial para viabilizar o crescimento sustentável dos destinos.

Já Rodrigo Galvão, diretor de Produtos Nacionais da CVC Corp, complementou apontando a importância da cooperação entre todos os elos do setor: “Porto de Galinhas e Pernambuco lideram vendas graças à ação conjunta de hoteleiros, receptivos e operadores. A união fortalece os destinos e garante sustentabilidade ao turismo nacional”. Ele destacou que estratégias compartilhadas permitem enfrentar os desafios do mercado e ampliar a confiança dos clientes.

Ao longo do painel, os participantes reforçaram que o turismo brasileiro depende de decisões estratégicas alinhadas: gestão de preços, fidelização de clientes, presença internacional, controle de tarifas e colaboração entre todos os envolvidos. O consenso foi que a profissionalização e a sinergia do trade são fundamentais para gerar emprego, renda e desenvolvimento local, consolidando o turismo como motor econômico sustentável.

*O M&E viaja com proteção da GTA e apoio da Shift Mobilidade Corporativa.