
BELÉM – A Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa) realizou nesta terça-feira (9) o SEEDS, no Espaço Arena, no Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, em Belém. Com patrocínio do Ministério do Turismo e apoio do Governo e da Secretaria de Turismo do Pará, o encontro reuniu diferentes esferas do poder público para discutir como governança, gestão territorial e sustentabilidade avançam na prática diante da preparação para a COP-30 e do aumento da pressão climática sobre destinos brasileiros.
O primeiro painel, dedicado ao eixo de políticas públicas, colocou lado a lado a Embratur, a Fundtur MS e a Secretaria Executiva de Belém para a COP30. A mediação coube à presidente da Braztoa, Marina Figueiredo, que abriu o debate lembrando que, para o visitante, especialmente o internacional, o tema deixou de ser diferencial.
“Hoje olhar para a sustentabilidade já não é mais um diferencial e sim uma obrigatoriedade. O turista que chega no destino analisa a adoção de medidas sustentáveis na prática turística”, disse a presidente da Braztoa.
A partir dessa premissa, o painel analisou o quanto o setor público tem sido cobrado — e observado — pela própria indústria do turismo. A mesa convergiu no ponto central: liderança pelo exemplo é o que posiciona destinos e orienta o trade, e essa liderança precisa partir de políticas estáveis, mecanismos de controle e decisões aplicadas no território.
A perspectiva federal: coerência interna e governança multinível

Gabrielle Nunes, coordenadora Geral de Sustentabilidade e Turismo Responsável da Embratur afirmou que a agência estruturou seu trabalho definindo metas ambientais e critérios para apoiar iniciativas com foco em conservação e turismo responsável e citou o Plano Brasis como exemplo. Ela explicou que a entidade revisou seus processos antes de ampliar exigências ao mercado. “Não adianta pedir que sejam sustentáveis se não dermos o exemplo”, disse.
Segundo a executiva, a Embratur atua com critérios de sustentabilidade na seleção de destinos para ações internacionais, incluindo dar preferência às empresas premiadas nessa área diante por conterem projetos alinhados à agenda climática. A gestora avaliou que, mesmo com avanços, o setor ainda patina em questões básicas.
“Em 2003 houve a primeira grande declaração que colocou a sustentabilidade e a agenda climática no turismo, e até hoje ainda discutimos, por exemplo, o uso do canudinho de plástico, que é algo básico e que já deveria ter sido superado. Enquanto isso, vemos incêndios florestais, enchentes, desabamentos e branqueamentos de corais, eventos fruto da precariedade climática, que acendem alertas e reforçam a importância da atuação sustentável”, afirmou. Para ela, atingir os ODS depende de uma governança multinível, coordenada e dedicada dentro e fora do turismo.
O caso de Bonito e a pressão do setor privado

O painel trouxe ainda, a experiência do Mato Grosso do Sul como exemplo de atividade turística lucrativa e sustentável de forma equilibrada. Bonito, um dos maiores polos turísticos do estado é o primeiro destino carbono neutro do mundo e já está em seu terceiro ciclo, mantendo sua crepitação.
Flávia Neri, diretora de Desenvolvimento do Turismo da Fundtur MS lembrou que o estado trabalha com limites de visitação e controle de capacidade de carga desde a década de 1990, especialmente porque parte significativa das atividades ocorre em fazendas e áreas privadas. \
“A liderança pelo exemplo, no caso de Bonito, foi muito pautada pelos empresários que cobraram a gestão pública. Eles entenderam lá atrás, que era melhor atuar de forma consciente para ter longevidade enquanto preservavam o ambiente, do que explorar intensamente a atividade turística e perder a riqueza natural”, disse.
Segundo ela, a assinatura da Declaração de Glasgow reforçou compromissos que já estavam em execução e hoje, a agenda climática organiza investimentos e orienta editais e políticas no estado. Para o trade, ela reforçou um ponto-chave: decisões sustentáveis só ganham escala quando municipalidades incorporam critérios e monitoram resultados.
Belém e a urgência da gestão de resíduos

No Pará, o debate sobre sustentabilidade ganhou pressão com a preparação da COP30. André Godinho, secretário executivo do município para o evento, afirmou que Belém possui um plano de ação climática financiado pelo BID, mas que só terá impacto se governo e setor privado atuarem juntos. “Se o setor público e o privado não entenderem que aqui não pode ficar só no teórico e sim chegar no prático, esse plano vira só um documento”, afirmou.
O executivo também endossou, que destinos que não protegem seus recursos naturais perdem competitividade. Segundo ele, é imprescindível a atuação de forma integrada entre secretarias e políticas que considerem a identidade amazônica como ativo econômico, citando ingredientes como cacau e açaí e a relação com comunidades.
Ele destacou ainda, a gestão de resíduos como o principal desafio local, em consequência da percepção do turista sobre o manejo do conteúdo, bem como do seu tipo. O uso de plástico e o descarte incorreto, por exemplo, que acarretam na degradação ambiental. “No lixo eu aprendi o seu valor. Se não resolvermos o lixo, não resolvemos a base do turismo. Não é janela de papo furado. É necessidade”, disse
*O M&E viaja com proteção da GTA e apoio da Shift Mobilidade Corporativa.







