
A demanda por eventos corporativos segue em trajetória de crescimento no Brasil e tem refletido diretamente no aumento das viagens de negócios ao longo de 2025. Dados da DataEventos, ferramenta de inteligência de mercado da plataforma MeEventos, indicam que o número de eventos corporativos realizados entre janeiro e 10 de dezembro deste ano cresceu 19,98% em relação ao mesmo período de 2024. O levantamento analisou mais de 50 mil solicitações de propostas e cerca de 20 mil eventos movimentados na plataforma.
O avanço revela um mercado em fase de consolidação, no qual os eventos deixaram de ser ações pontuais de branding e passaram a integrar estratégias comerciais das empresas. A comparação mês a mês entre 2024 e 2025 mostra um início de ano aquecido, com destaque para fevereiro, que registrou alta de 72,6% no volume de eventos realizados. Outros meses também apresentaram crescimento expressivo, como março (+36,7%), maio (+35,3%), abril (+27,5%), junho (+26,7%) e janeiro (+26,4%).
No segundo semestre, a expansão continuou, ainda que em ritmo mais moderado. Outubro cresceu 28,2%, setembro 21,7%, julho 11,6%, agosto 9,7% e novembro 6,5%. A tendência reforça a expectativa de maior concentração de eventos entre agosto e dezembro, padrão já observado no ano anterior e que exige planejamento antecipado de fornecedores e organizadores.
Apesar do aumento no volume de eventos, a taxa média de conversão apresentou retração. Em 2024, 66,22% das propostas se transformavam em contratos fechados; em 2025, esse índice caiu para 57,45%. O dado indica um mercado mais competitivo e criterioso, no qual empresas avaliam com mais rigor formatos, custos e entregas antes de fechar contratos.
Segundo Tiago Ferreira, CEO da MeEventos, o crescimento vem sendo impulsionado principalmente pelos micro eventos corporativos. “Estamos observando um aumento acelerado desses encontros estratégicos, organizados para aproximar clientes, fortalecer parcerias e gerar novas oportunidades de negócios. Os dados confirmam não apenas a retomada, mas a consolidação do setor de eventos corporativos como um pilar estratégico nas empresas”, afirma.
Essa movimentação intensa no calendário corporativo reflete diretamente no setor de mobilidade. De acordo com dados da agência de viagens corporativas VOLL, com base em mais de 850 mil usuários de seu aplicativo de gestão, o volume de viagens aéreas cresceu 20% no quarto trimestre de 2025 e 46% no acumulado do ano, em comparação aos mesmos períodos de 2024. O aumento da demanda é apontado como um dos fatores para a elevação do ticket médio das passagens aéreas no Brasil, que subiu 23% no quarto trimestre, passando de R$ 1.165 para R$ 1.439. No acumulado anual, a alta foi de 16%, de R$ 693 para R$ 808.
O ticket médio das passagens com destino a São Paulo também avançou 17% no quarto trimestre, de R$ 876 para R$ 1.030, reforçando a capital paulista como principal polo de eventos corporativos do país. No modal rodoviário, o volume de viagens cresceu 32% no último trimestre de 2025 e 164% no ano, com destaque para destinos como Ribeirão Preto, Campinas e Belo Horizonte, que passaram a concentrar eventos e encontros empresariais fora do eixo tradicional.
“À medida que os eventos se tornam parte fundamental da estratégia de negócios, observamos uma alta consistente nas viagens corporativas. Essa movimentação exige mais planejamento e soluções integradas para garantir eficiência logística e controle de custos”, afirma Luiz Moura, cofundador e diretor de negócios da VOLL e conselheiro de turismo da FecomercioSP.
Os dados também apontam uma mudança na forma como as empresas utilizam os eventos. Conferências, workshops e experiências de marca têm sido adotados como ferramentas para atração de novos clientes, enquanto encontros exclusivos e personalizados fortalecem relacionamentos e impulsionam vendas. Eventos de reconhecimento, lançamentos de produtos e premiações, por sua vez, ganham espaço como instrumentos de fidelização e expansão de negócios.
Esse novo entendimento sobre o potencial estratégico dos eventos tem levado empresas de diferentes segmentos a estruturar departamentos internos dedicados à área, ampliar equipes e destinar mais recursos ao planejamento e à mensuração de resultados. O movimento também se reflete no mercado de trabalho, com o crescimento de posições estratégicas ligadas à gestão de eventos.
O impacto se estende a toda a cadeia produtiva. Buffets, espaços de eventos, agências, fornecedores de som, iluminação, audiovisual e logística relatam aumento da demanda e avanço na profissionalização dos serviços. Com eventos cada vez mais estratégicos, cresce também a busca por soluções tecnológicas integradas, capazes de oferecer dados em tempo real e experiências personalizadas.
“A consolidação da realização de eventos no segundo semestre reforça um padrão claro no comportamento empresarial: o fechamento do ciclo anual é também o momento de reconhecer equipes, celebrar resultados e projetar novos negócios. Para fornecedores e empresas de tecnologia, o cenário é de oportunidade”, avalia Tiago Ferreira.
Para Luiz Moura, da VOLL, o momento indica a consolidação do modelo presencial, com perspectivas positivas para 2026. “Estamos vivendo um novo ciclo para o setor de eventos e mobilidade. Os dados mostram que esse formato voltou com força e passou a ocupar papel central nas estratégias das grandes empresas. Para o setor de viagens corporativas, isso representa um salto qualitativo, no qual integração tecnológica e inteligência de dados são essenciais para acompanhar a complexidade dessa nova demanda”, conclui.







