Carnaval
Encontro de blocos gera caos, apesar de avaliação positiva da gestão municipal (Reprodução/André Penner)

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), classificou como um “sucesso” o primeiro fim de semana do pré-carnaval na capital paulista. A avaliação positiva, no entanto, contrasta com os episódios de caos, superlotação e empurra-empurra registrados no domingo (8), especialmente na região da Rua da Consolação, onde dois megablocos desfilaram no mesmo dia.

A situação mais crítica ocorreu durante o desfile do bloco patrocinado pela Skol, que tinha como principal atração o DJ escocês Calvin Harris. Vídeos e relatos de foliões apontam pessoas passando mal, grades de contenção derrubadas e dificuldade de acesso aos postos médicos em meio à multidão. Diante do cenário, a Prefeitura de São Paulo acionou um plano de contingência para tentar conter a crise.

“Se considerarmos a quantidade de pessoas e as poucas ocorrências, a conclusão é que o pré-carnaval foi um sucesso”, afirmou Nunes em entrevista à GloboNews. Segundo ele, a infraestrutura montada pela gestão municipal “foi perfeita” para atender o público.

O bloco estava programado para iniciar às 11h30, na esquina da Rua da Consolação com a Rua Pedro Taques, com apresentações de Nattan, Xand Avião, Felipe Amorim e Zé Vaqueiro. Calvin Harris fecharia o desfile a partir das 14h. Pouco depois do meio-dia, porém, o cortejo parou de avançar, o empurra-empurra se intensificou e diversos foliões passaram mal.

Durante o desfile, o cantor Nattan interrompeu a apresentação ao menos três vezes para pedir auxílio a bombeiros e à equipe do evento. Com a superlotação, pessoas que precisavam de atendimento tinham dificuldade de chegar aos postos médicos.

Imagens que circularam nas redes sociais mostram foliões desmaiando, sendo retirados em macas e até derrubando grades de proteção para escapar da pressão da multidão. Na altura do número 1.400 da Rua da Consolação, grades do prédio da Escola Paulista de Magistratura foram derrubadas, e parte da área externa do imóvel foi ocupada. Houve ainda relatos de pessoas se agarrando a portões de prédios para conseguir respirar.

Confira, abaixo, vídeo do momento:

Superlotação atrasa desfiles e força acionamento de plano de contingência

A superlotação levou participantes a ocuparem pontos improváveis, como abrigos de ônibus, banheiros químicos e até a marquise de uma escola estadual da região. As paralisações ao longo do trajeto atrasaram o desfile, e Calvin Harris iniciou sua apresentação pouco depois das 15h, com mais de uma hora de atraso. O cortejo terminou às 16h40, ainda com grande concentração de público.

Segundo a Polícia Militar, o efetivo foi reforçado por conta da superlotação, embora o número de agentes mobilizados para os eventos de pré-carnaval não tenha sido divulgado. Nem a Prefeitura, nem a PM, o Corpo de Bombeiros ou a organização do bloco informaram estimativa oficial de público, mas imagens aéreas mostram uma multidão ocupando vários quarteirões da Consolação.

O tumulto também impactou o desfile do Acadêmicos do Baixo Augusta, que estava previsto para começar às 14h no mesmo local. A organização do bloco informou que o início atrasou cerca de duas horas por questões de segurança, em razão da confusão provocada pelo bloco anterior.

Em nota, a Prefeitura afirmou que o “recorde de público” levou à liberação de vias de acesso como áreas de escape e à retirada de gradis para melhorar a mobilidade. Segundo a gestão municipal, a partir das 14h55 foi acionado um plano de contingência, que incluiu a abertura de ruas transversais para dispersão do público, o bloqueio da entrada de novos foliões no circuito da Consolação e a atuação da Guarda Civil Metropolitana à frente do trio elétrico para evitar novas paradas.

Carnaval na Consolação: críticas antecipadas e falhas confirmadas

A decisão de autorizar dois megablocos simultâneos na Consolação durante o pré-carnaval já havia gerado críticas quando foi anunciada, no fim de janeiro. Moradores e especialistas alertaram para a limitação do espaço. À época, Nunes afirmou que haveria estrutura suficiente para garantir a segurança e o atendimento médico.

Neste domingo, a presidente do Conselho Comunitário de Segurança dos bairros Consolação, Higienópolis e Pacaembu, Marta Porta, avaliou que os problemas previstos se confirmaram. “A quantidade de pessoas não é suportável no espaço”, disse. Para ela, o episódio deve servir de referência para evitar a repetição de dois megaeventos no mesmo local e dia nos próximos anos.

O Acadêmicos do Baixo Augusta também criticou a organização e o não cumprimento dos horários combinados. Em nota, o bloco afirmou ter sido “desrespeitado de forma triste e violenta” e atribuiu o atraso e os riscos à falta de coordenação do poder público.

Apesar dos episódios de pânico e dos relatos de foliões prensados pela multidão, a Prefeitura informou que não houve registro de ocorrências graves e que os postos médicos funcionaram normalmente durante o atendimento ao público.

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