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Em 2026, a Motiva projeta investir R$ 8,3 bilhões em suas operações de rodovias e trilhos, com destaque para a expansão da Linha 4 – Amarela(Divulgação/Motiva)

A Motiva encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 3,27 bilhões, um crescimento de 162,6% em relação a 2024. O resultado reflete o desempenho operacional consistente nas plataformas de Rodovias, Trilhos e Aeroportos, além dos ganhos de eficiência, da simplificação do portfólio e da otimização de ativos ao longo do ano.

No quarto trimestre de 2025, o lucro líquido somou R$ 605,7 milhões, avanço de 178,1% na comparação anual. Na visão ajustada, o lucro líquido alcançou R$ 2,2 bilhões no acumulado do ano, alta de 25%, enquanto no trimestre chegou a R$ 606 milhões, crescimento de 68,3%.

A Receita Líquida Ajustada totalizou R$ 15,3 bilhões em 2025, aumento de 5,2% frente a 2024. O desempenho foi impulsionado pela maior movimentação nas três plataformas de negócios, pelos reajustes tarifários em Rodovias e pela expansão de 21,8% nas Receitas Complementares. O crescimento dessas receitas reflete, principalmente, a ampliação da área bruta locável em Trilhos, com a inauguração de novos espaços comerciais em São Paulo e na Bahia. No quarto trimestre, a Receita Líquida Ajustada somou R$ 4,04 bilhões, alta de 6,8%.

O Ebitda Ajustado alcançou R$ 9,5 bilhões no acumulado de 2025, crescimento de 15% em relação ao ano anterior. A margem Ebitda avançou de 57% para 62,3%, alta de 5,3 pontos percentuais, impulsionada pela otimização do portfólio, pelo desempenho de novos ativos, como PRVias e Rota Sorocabana, e pela maior eficiência operacional. No quarto trimestre, o Ebitda Ajustado chegou a R$ 2,5 bilhões, com crescimento de 25,2% e margem de 62,4%.

“Os resultados de 2025 demonstram a consolidação do processo de transformação da Motiva, em curso desde 2023. Com a ênfase da nossa estratégia na criação de valor sustentável através de um crescimento mais focado e sinérgico, da aceleração da agenda de eficiência e da simplificação do nosso portfólio, entregamos um aumento de dois dígitos no nosso Ebitda, acima do compromisso de um high single digit assumido em nosso plano estratégico Ambição 2035”, afirma o CEO da Motiva, Miguel Setas.

A eficiência operacional também se refletiu na gestão de custos. Em 2025, a relação Opex (Caixa) / Receita Líquida Ajustada fechou em 37,5%, antecipando em um ano a meta de 38% prevista para 2026.

Mesmo com investimento recorde, a Motiva encerrou o ano com alavancagem ajustada de 3,6 vezes, em linha com o patamar registrado ao fim de setembro de 2025. A Companhia também ampliou de 51% para 54% o volume de dívidas com vencimento a partir de 2032, elevando o prazo médio do endividamento para 5,9 anos.

Desempenho operacional nas plataformas

Em bases comparáveis, as operações da Motiva apresentaram crescimento ao longo de 2025. Na plataforma de Rodovias, excluindo as novas concessões PRVias e Rota Sorocabana e a operação encerrada da ViaOeste, a demanda avançou 2,4% no ano, totalizando 981,9 milhões de veículos. O resultado foi impulsionado pelas concessões no estado de São Paulo, pela RioSP e pelas operações ViaCosteira e ViaSul. No quarto trimestre, o crescimento foi de 3,7%.

Na plataforma de Aeroportos, o número de passageiros cresceu 7%, alcançando 42,5 milhões de clientes. O destaque ficou para o Aeroporto de Curaçao, o BH Airport, em Confins (MG), e os terminais dos Blocos Central e Sul no Brasil. O desempenho reflete o aumento da taxa de ocupação dos voos e a maior oferta de assentos pelas companhias aéreas.

Em Trilhos, também em bases comparáveis e excluindo o negócio de Barcas, a movimentação de passageiros cresceu 2,1%, com 754,8 milhões de clientes transportados. O resultado foi favorecido pelo maior nível de ocupação dos escritórios nas regiões atendidas pela ViaQuatro e pela ViaMobilidade, em São Paulo, além da expansão da demanda após a inauguração do Terminal Intermodal Gentileza, no Rio de Janeiro, beneficiando o VLT Carioca. No quarto trimestre, o avanço foi de 1,3%.

Investimento recorde e perspectivas

Em 2025, a Motiva realizou o maior investimento de sua história, totalizando R$ 8,7 bilhões, alta de 17,5% em relação a 2024. Do total, R$ 6,5 bilhões foram destinados ao segmento de Rodovias, com destaque para a ampliação da Via Dutra na Região Metropolitana de São Paulo e em São José dos Campos, além do avanço das obras da Serra das Araras, com entrega prevista para 2027, dois anos antes do prazo contratual.

Em Trilhos, os investimentos somaram R$ 1,3 bilhão, com foco nas obras da ViaMobilidade nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, incluindo melhorias na rede de energia, revitalização de estações e intervenções na via permanente. Já em Aeroportos, os aportes chegaram a R$ 780 milhões, com a conclusão do ciclo de obras da Fase 1B de modernização dos terminais.

Para 2026, a Companhia projeta investimentos de R$ 8,3 bilhões, já desconsiderando a plataforma de Aeroportos, sendo R$ 7,2 bilhões em Rodovias. Também está previsto um aporte de R$ 941 milhões na Linha 4-Amarela, com avanço das obras de expansão e construção de duas novas estações.

Venda de Aeroportos e outros destaques

No quarto trimestre de 2025, a Motiva anunciou a venda da plataforma de Aeroportos para a mexicana ASUR por R$ 11,5 bilhões, entre equity e dívida, operação que resultou em um múltiplo de 8,8 vezes EV/Ebitda. A transação ainda depende de aprovação dos órgãos reguladores e, por esse motivo, os números da Motiva Aeroportos passaram a ser apresentados como Resultado das Operações Descontinuadas.

Em Rodovias, a Companhia celebrou um aditivo na concessão da SPVias, que ampliou o prazo contratual em 322 dias, e venceu o leilão do contrato otimizado da Rodovia Fernão Dias, reforçando sua liderança no setor. Outro marco foi o início da operação do pedágio Free Flow na Rodovia Presidente Dutra, em dezembro, na região de Guarulhos.

Na agenda ESG, a Motiva divulgou seu Relatório de Sustentabilidade 2025, elaborado em linha com a transição regulatória brasileira e com foco nas normas IFRS S1 e S2, instituídas pela Resolução nº 193/23 da CVM, voltadas à divulgação de riscos e oportunidades materiais de sustentabilidade.