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Foto ilustrativa – Tripulação passa mal após ingerir doces com cannabis dados por passageiro (IA/Gemni)

Tripulantes da British Airways foram hospitalizados em Los Angeles após consumirem balas de goma com THC oferecidas por um passageiro ao fim de um voo entre Londres e Los Angeles. O caso ocorreu semana passada (11), após o desembarque e levou ao afastamento dos profissionais do voo de retorno.

O episódio ocorreu depois do desembarque, quando a equipe britânica se deslocava de ônibus para o hotel onde permaneceria antes do voo de retorno ao Reino Unido. Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, parte da tripulação da British Airways ingeriu as balas durante o trajeto e começou a apresentar sintomas de mal-estar pouco tempo depois.

Análises posteriores indicaram que as balas continham 300 miligramas de THC, o principal composto psicoativo da cannabis. Três tripulantes da britânica consumiram a maior parte do produto e apresentaram sinais de intoxicação, sendo encaminhados a uma unidade hospitalar para atendimento médico. Em razão da situação, os profissionais não puderam operar o voo de retorno programado para o dia seguinte. Eles foram posteriormente transportados como passageiros em outro voo. A companhia aérea enviou uma equipe substituta para realizar a operação prevista.

A British Airways informou, em nota, que “um pequeno número de tripulantes relatou mal-estar no hotel, mas já se recuperaram” e que “uma equipe substituta foi enviada para operar o voo de volta, sem impacto para os clientes”. A empresa também iniciou esforços para identificar o passageiro responsável por entregar as balas à tripulação. Não há informações públicas sobre a identidade do viajante ou se ele tinha conhecimento da composição do produto oferecido.

Embora as tripulações da British Airways sejam submetidas a políticas internas e testes relacionados ao uso de substâncias, a companhia indicou que, neste caso, não haverá punição aos profissionais envolvidos, uma vez que o consumo ocorreu de forma involuntária e fora do período de serviço ativo.

Os tripulantes da British Airways não sofrerão punições

Balas com THC enviam tripulantes da British Airways ao hospital após voo internacional no dia 11
A companhia aérea não detalhou se revisará seus protocolos internos após o incidente (Divulgação/British Airways)

O caso reacende discussões sobre procedimentos de segurança e protocolos internos relacionados ao recebimento de itens de passageiros por parte de tripulações. Ainda que o consumo tenha ocorrido após o término do voo, a situação levantou questionamentos sobre riscos potenciais, especialmente se a ingestão tivesse acontecido durante a operação da aeronave.

Especialistas em segurança aérea apontam que a ingestão de substâncias psicoativas pode comprometer reflexos, julgamento e capacidade de resposta, fatores considerados essenciais para o desempenho das funções a bordo. No episódio registrado, o fato de os sintomas terem surgido apenas após o desembarque evitou impactos diretos na condução do voo.

A legislação norte-americana permite a comercialização de produtos com cannabis em determinados estados, incluindo a Califórnia, onde está localizada Los Angeles. No entanto, o transporte internacional de substâncias contendo THC é regulado e pode ser enquadrado em normas federais e internacionais de aviação. Até o momento, não há informações sobre abertura de investigação por autoridades aeroportuárias ou policiais.

O episódio ocorreu em um contexto de aumento na oferta de produtos comestíveis à base de cannabis em mercados onde a substância é legalizada. Em geral, esses produtos podem conter concentrações variadas de THC, com efeitos que se manifestam de forma gradual e podem durar várias horas. Apesar de os tripulantes já terem se recuperado, o caso reforça a necessidade de cautela em situações que envolvam alimentos ou bebidas oferecidos por desconhecidos, mesmo quando apresentados como gesto de agradecimento.

A ocorrência não causou cancelamentos nem atrasos no voo de retorno, segundo a British Airways. A substituição da tripulação foi realizada antes da decolagem programada, mantendo a operação conforme o cronograma previsto. O incidente também evidencia a importância de protocolos claros sobre aceitação de itens por parte de funcionários em serviço ou em deslocamento oficial, tema que pode passar por revisão interna após o episódio.

A hospitalização dos tripulantes não deixou sequelas conhecidas, e todos já receberam alta médica. A companhia aérea segue apurando as circunstâncias do ocorrido. O caso, embora sem impacto operacional direto, amplia o debate sobre segurança, responsabilidade e procedimentos em ambientes de aviação comercial, especialmente em voos internacionais que conectam países com legislações distintas sobre substâncias controladas.

*Com informações de O Globo.