Azul
O CEO da Azul, John Rodgerson (Acervo M&E)

A rápida conclusão do processo de reestruturação da Azul S.A. sob o Chapter 11 foi resultado direto de credibilidade junto ao mercado, metas bem definidas e alinhamento entre parceiros e credores, segundo o CEO John Rodgerson.

Em resposta a questionamentos sobre o prazo reduzido e a ausência de impactos operacionais relevantes, o executivo afirmou que a companhia entrou no procedimento com planejamento claro e amplo suporte da indústria, em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (23).

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Em resposta ao M&E, se experiência mais rápida reflete uma maturidade maior do mercado e dos stakeholders em relação a esse tipo de processo, entendido hoje como ferramenta de fortalecimento, e se isso coloca as aéreas brasileiras em um patamar competitivo mais equilibrado no pós-reestruturação, John respondeu: “Nós tentamos tudo para evitar o processo e isso trouxe muita credibilidade para o nosso lado”, disse Rodgerson. Segundo ele, as negociações prévias e a transparência com parceiros facilitaram o avanço das tratativas após a entrada formal na Justiça americana.

“Quando eu entrei, eu tive essa credibilidade ao meu lado e isso ajudou”, explicou.

O CEO destacou que o apoio antecipado de parceiros estratégicos, como United Airlines e American Airlines, contribuiu para consolidar confiança no plano apresentado. Além disso, conversas com fornecedores e fabricantes, incluindo Airbus, Embraer e GE Aerospace, reforçaram o alinhamento necessário para a execução da reestruturação.

Para Rodgerson, outro fator determinante foi a ausência de conflitos entre credores, cenário que costuma prolongar processos semelhantes. “Normalmente no Chapter 11 há várias disputas entre credores, mas nós não tivemos disputa, porque todo mundo estava olhando para frente”, afirmou. “Nós não tentávamos proteger acionista; fizemos tudo para proteger a Azul”.

O executivo também reconheceu que experiências recentes de outras companhias do setor contribuíram para uma compreensão maior do mercado sobre a reestruturação como ferramenta de fortalecimento. Ainda assim, ressaltou que o contexto enfrentado pela Azul foi particularmente desafiador, com impactos acumulados da pandemia, do câmbio e de eventos operacionais relevantes.

“Sabíamos exatamente o que queríamos fazer, tínhamos metas ao entrar e essas metas foram alcançadas muito rápido”, disse.

“Sempre foi uma empresa muito boa, mas nosso balanço ficou pressionado por fatores fora do nosso controle”, afirmou, citando a sucessão de desafios enfrentados pela companhia, como a pandemia de Covid-19, a variante Ômicron, a forte desvalorização cambial e eventos operacionais relevantes que afetaram a malha aérea ao longo dos últimos seis anos.

Ao detalhar a estratégia financeira pós-reestruturação, Rodgerson destacou a redução estrutural de custos e o foco em geração de caixa. “Reduzimos os juros que pagamos em mais de 600% e o custo de aluguel de aeronaves em mais de um terço. Estamos focados na geração de caixa e nossa meta é ser a empresa menos alavancada do Brasil”, afirmou.

Azul chega ainda mais competitiva

Gol
Azul busca decolar com mais competitividade após conclusão do Chapter

O executivo também comparou a posição da companhia à da Latam Airlines após sua reestruturação. “Estamos começando cerca de meio ponto melhor do que a Latam quando saiu do Chapter 11. A Latam está melhor que a gente neste momento e reconhecemos isso, mas temos um plano para desalavancar muito rápido”, complementou.

Com a saída do Chapter 11, Rodgerson afirmou que a companhia entra em uma nova fase competitiva. “Eu sei que vou ser muito competitivo daqui para frente”, declarou, reforçando a expectativa de que o balanço reestruturado permita à Azul retomar investimentos e disputar mercado em condições mais equilibradas no setor aéreo brasileiro.