
Um ciclone-bomba atingiu o Nordeste dos Estados Unidos nesta semana e transformou Nova York em cenário de filme. A tempestade de inverno, intensificada por um processo conhecido como bombogênese, despejou até 75 centímetros de neve em áreas próximas, registrou rajadas superiores a 100 km/h e colocou a cidade no ranking das dez maiores nevascas já documentadas. Milhões de pessoas ficaram sob alerta, escolas fecharam e aeroportos operaram com milhares de cancelamentos.
O inverno de 2026 entrou para a história em Nova York. O que começou como uma forte tempestade evoluiu rapidamente para um dos eventos climáticos mais intensos das últimas décadas. O responsável foi um sistema de bombogênese, fenômeno que ocorre quando a pressão atmosférica de um ciclone despenca em poucas horas, fortalecendo ventos e organizando a precipitação.
O resultado foi uma combinação perigosa de neve volumosa, rajadas violentas e visibilidade quase zero em diversos momentos.
Até o início da tarde de segunda-feira, o Central Park acumulava 50 centímetros de neve, superando a marca registrada na grande nevasca de janeiro de 2011. Em bairros como Staten Island, os números foram ainda mais impressionantes. Em Grasmere, o acumulado passou de 61 centímetros. No Brooklyn, áreas como Sheepshead Bay chegaram a 57 centímetros. No Queens, o Aeroporto LaGuardia marcou 56,4 cm.
Fora dos limites da cidade, em Long Island, o volume foi ainda maior. Babylon registrou 75 centímetros de neve.
- Nevasca provoca cancelamentos em Nova York e afeta voos entre Brasil e Estados Unidos
- *Copa do Mundo: Nova York e Miami já estão entre os destinos mais reservados por brasileiros em 2026
Nova York: o que é um ciclone-bomba
A chamada bombogênese acontece quando um sistema de baixa pressão se intensifica de forma explosiva. Em termos técnicos, há uma queda abrupta da pressão atmosférica em um intervalo curto de tempo. Esse processo fortalece os ventos e potencializa as áreas de chuva ou neve.
Na prática, a tempestade ganha características semelhantes às de um furacão de inverno.
Para que uma tempestade seja oficialmente classificada como nevasca, é necessário que os ventos ultrapassem 56 km/h por pelo menos três horas, com visibilidade inferior a 400 metros. Segundo o Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos, esses critérios foram amplamente superados durante o pico do sistema.
Outro fator que agravou a situação foram as chamadas bandas de mesoescala. São faixas estreitas de precipitação intensa capazes de despejar entre 5 e 8 centímetros de neve por hora. Em determinados momentos, a cidade enfrentou condição de whiteout, quando a visibilidade cai praticamente a zero.
Impactos imediatos na rotina
Diante da previsão e da rápida intensificação do sistema, a prefeitura determinou o fechamento das escolas e recomendou que motoristas evitassem circular. O prefeito informou que as aulas seriam retomadas após o período mais crítico.
O transporte aéreo sentiu o impacto antes mesmo do auge da tempestade. Milhares de voos foram cancelados de forma preventiva. Companhias flexibilizaram remarcações para evitar que aeronaves e tripulações ficassem presas nas áreas mais afetadas.
Além do transtorno na mobilidade, houve preocupação com possíveis apagões. A neve acumulada tinha alto teor de umidade, o que a torna mais pesada. Somada às rajadas intensas, aumentou o risco de queda de árvores e postes.
Autoridades também emitiram alertas para inundações costeiras moderadas a severas. A combinação de maré alta com ventos persistentes de nordeste elevou o nível da água em áreas próximas ao litoral.
Extremos climáticos em debate
Eventos como esse reacendem a discussão sobre a frequência e a intensidade dos extremos climáticos. Especialistas apontam que, embora tempestades de inverno sempre tenham feito parte da dinâmica atmosférica da região, a variabilidade tem se tornado mais acentuada nos últimos anos.
Nova York agora soma mais um capítulo à sua lista de grandes nevascas históricas. Para quem viveu a experiência, a memória vai além dos números. Foram dias de silêncio branco, ruas vazias e uma cidade acostumada ao ritmo acelerado obrigada a desacelerar.
*Com informações de O Globo








