Copa do Mundo 2026 aquece mercado e cria novas rotas (Divulgação)
Copa do Mundo 2026 aquece mercado e cria novas rotas (Divulgação)

A Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, já começou a impactar o turismo internacional muito antes da bola rolar. Dados do Traveler Insights Report, do Expedia Group, mostram que as buscas para os três países-sede cresceram 35% no quarto trimestre de 2025, na comparação anual. O torcedor não está esperando 2026 chegar. Ele já está planejando.

O movimento reforça uma tendência clara no mercado: grandes eventos esportivos deixaram de ser apenas viagens pontuais. Eles se transformaram em experiências completas, que misturam jogos, turismo, compras e gastronomia.

Segundo Luciana Melo, responsável pelo Expedia TAAP na América Latina, o interesse vai além das partidas. “O evento tem impacto direto no turismo e exige planejamento especializado”, afirma.

Turismo esportivo cresce e pode chegar a US$ 1 trilhão

O avanço nas buscas está inserido em um contexto maior. O turismo esportivo já representa 10% dos gastos globais com viagens e deve alcançar US$ 1 trilhão até 2032, segundo estudo do Expedia Group.

O comportamento do viajante também mudou. Cerca de 44% cruzam fronteiras para acompanhar eventos esportivos e 81% estendem a estadia para conhecer outros destinos. A Copa do Mundo 2026 deve seguir esse padrão.

Mais da metade dos viajantes busca experiências complementares, como restaurantes, compras e atrações culturais. Ou seja, a viagem não termina no estádio.

“Os clientes querem algo que una esporte, cultura e lazer. É isso que agrega valor”, diz Melo.

Boston, Nova York e Miami lideram interesse

Copa do Mundo 2026 já movimenta o turismo e cria corrida por hospedagem
Nova York será sede da partida final da Copa do Mundo Fifa 2026

Entre as cidades-sede da Copa do Mundo 2026, Boston registrou crescimento de 1.000% nas buscas por hospedagem. Nova York aparece na sequência, com alta de 120% na comparação anual. Miami ocupa a terceira posição, com aumento de 260%, impulsionada especialmente pelo interesse no jogo entre Brasil e Escócia.

O impacto, porém, não se limita às cidades que receberão partidas. Muitos viajantes estão montando roteiros combinados. Boston com Cape Cod. Nova York com Filadélfia. Miami com Orlando. A ideia é aproveitar a Copa do Mundo como ponto de partida para uma viagem mais ampla.

Esse comportamento tende a elevar a permanência média e aumentar o gasto total por viajante.

Planejamento antecipado será decisivo

Com 48 seleções e mais de 100 partidas previstas, a Copa do Mundo 2026 será a maior da história. A expectativa é de milhões de torcedores circulando entre três países, o que pressiona tarifas e disponibilidade.

Nesse cenário, o planejamento antecipado vira diferencial competitivo. Hospedagens fora das áreas centrais, tarifas flexíveis e conexões inteligentes passam a fazer parte da estratégia de venda.

O Expedia TAAP anunciou webinars focados nas cidades-sede, além de um hub exclusivo com hotéis, voos e aluguel de carros integrados na plataforma.

Mas o fator principal continua sendo o olhar estratégico do agente.

A Copa do Mundo como motor do turismo

A Copa do Mundo 2026 não deve movimentar apenas estádios. O torneio tende a reorganizar fluxos turísticos, ampliar o interesse por destinos vizinhos e impulsionar o turismo esportivo global.

Para o setor, o jogo já começou. E quem entender o comportamento do viajante agora estará melhor posicionado quando o apito inicial soar.