
Barcelona decidiu apertar o cerco ao turismo. A capital da Catalunha aprovou a elevação da taxa cobrada por noite de hospedagem e, em alguns casos, o valor pode chegar a 15 euros por pessoa. A medida coloca a cidade entre as mais caras da Europa quando o assunto é imposto turístico e faz parte de um pacote que tenta enfrentar dois problemas que caminham juntos por ali: excesso de visitantes e crise habitacional.
Nova regra é aprovada como caminho de transição
A nova regra foi aprovada pelo parlamento regional da Catalunha e dobra a cobrança para hóspedes de aluguéis por temporada. O teto passa de 6,25 euros para até 12,5 euros por noite. No caso dos hotéis, os valores variam entre 10 e 15 euros, dependendo da categoria. Antes, a faixa ia de 5 a 7,5 euros.
Na prática, a conta pesa. Um casal hospedado por duas noites em um hotel quatro estrelas poderá desembolsar cerca de 45,60 euros apenas de taxa turística. Nesse segmento estão quase metade dos hotéis da cidade. Já em hotéis cinco estrelas, o valor pode atingir o teto de 15 euros por noite, por pessoa. Passageiros de cruzeiros seguem pagando cerca de 6 euros.
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Crise de moradia em Barcelona pressiona autoridades
A decisão não surgiu do nada. Nos últimos anos, moradores têm ido às ruas protestar contra o que chamam de “turismo excessivo”. O argumento é claro: a explosão de visitantes impulsionou os aluguéis de curta duração e encareceu a moradia para quem vive na cidade.
Como resposta, além do aumento da taxa, o governo regional já anunciou que pretende proibir todos os aluguéis de curta temporada até 2028. A nova cobrança é vista como um passo intermediário nessa direção.
De acordo com o texto aprovado, um quarto da arrecadação será destinado diretamente a políticas de habitação. A expectativa é que o dinheiro ajude a ampliar a oferta de moradias e reduzir a pressão sobre os preços.
Uma das taxas mais altas da Europa
Antes da mudança, Barcelona aparecia na 11ª posição no ranking europeu de impostos turísticos em 2025, segundo levantamento da plataforma Holidu. No topo da lista está Amsterdã, onde visitantes pagam 18,45 euros por dia.
Com o novo teto de até 15 euros, Barcelona se aproxima das cidades mais caras do continente nesse quesito. O movimento reforça uma tendência que já aparece em outros destinos populares, que buscam equilibrar receitas com sustentabilidade urbana.
O impacto econômico ainda é uma incógnita. A cidade recebe cerca de 15,8 milhões de turistas por ano e figura entre as quatro principais do mundo para convenções e eventos internacionais, segundo o conselho local de turismo. Participantes de congressos e feiras também não estarão isentos da nova taxa.
Setor hoteleiro teme queda na demanda
Representantes da hotelaria demonstraram preocupação. O diretor-geral do sindicato de hoteleiros de Barcelona, Manel Casals, afirmou que propostas para um aumento gradual, que permitisse monitorar os efeitos sobre a demanda, não foram consideradas.
O receio é que o encarecimento afaste parte dos visitantes, especialmente em um cenário europeu competitivo, no qual destinos disputam cada euro gasto pelo turista.
Para quem planeja viajar, a mudança exige atenção redobrada no orçamento. Em um roteiro de alguns dias, a taxa pode representar um valor significativo no custo final da hospedagem.
Barcelona segue sendo um dos destinos mais desejados da Europa, com arquitetura icônica, vida cultural intensa e forte calendário de eventos. Agora, porém, visitar a cidade exigirá não apenas planejamento, mas também um bolso um pouco mais preparado.

*Com informações de Valor Econômico







