
Depois de dias de cancelamentos em efeito dominó, aeroportos do Oriente Médio começam a respirar. A retomada é lenta, cheia de condicionantes e ainda cercada de incertezas. Em Israel, o principal terminal do país, o Aeroporto Internacional Ben Gurion, nos arredores de Tel Aviv, deve reabrir na noite desta segunda-feira em um “formato extremamente limitado”, segundo comunicado oficial. A ampliação das operações dependerá da evolução do cenário de segurança.
Nos Emirados Árabes Unidos, a movimentação também dá sinais de volta. A operadora Dubai Airports confirmou que o Dubai International Airport e o Dubai World Central – Al Maktoum International terão voos retomados ainda hoje, mas em número reduzido. A recomendação é clara: ninguém deve ir ao aeroporto sem confirmação direta da companhia aérea.
- 5 impactos do fechamento do espaço aéreo de Dubai após ataques no Oriente Médio
- Royal Air Maroc retoma voos para Beirute e reforça conexões entre Brasil, Marrocos e Oriente Médio em 2026
Israel reabre Ben Gurion em modo restrito
O fechamento do espaço aéreo israelense ocorreu após a escalada militar envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. O impacto foi imediato. Milhares de passageiros ficaram espalhados por diferentes países, sem previsão de retorno.
A partir de terça-feira, as operações em Ben Gurion poderão ser ampliadas gradualmente. Inicialmente, apenas companhias israelenses devem retomar voos.
A El Al Israel Airlines informou que busca autorização para realizar voos fretados a partir da Europa para destinos próximos a Israel, como Taba, no Egito, e Aqaba, na Jordânia. A estratégia é transportar passageiros até esses pontos e concluir o trajeto por via terrestre.
A companhia estima que cerca de 40 mil clientes estejam retidos no exterior. Outros 34 mil turistas permanecem atualmente em Israel. A venda de novas passagens foi suspensa até 21 de março para priorizar a realocação de quem teve voos cancelados.
Concorrentes menores, como a Arkia e a Israir, também interromperam vendas temporariamente. A Arkia já iniciou voos de resgate conectando cidades europeias a Taba.
Oriente Médio: Travessias terrestres operam como alternativa
Com o tráfego aéreo ainda limitado, as passagens de fronteira ganham importância. A autoridade aeroportuária israelense informou que o cruzamento de Taba funcionará 24 horas por dia. Já as conexões com a Jordânia operam em horários reduzidos.
Para muitos viajantes, essa logística improvisada virou a única forma de voltar para casa.
Dubai e Abu Dhabi retomam operações sob alerta
Nos Emirados, a retomada também é cautelosa. Em nota, a administração aeroportuária reforçou que os horários seguem sujeitos a alterações. A orientação é acompanhar os canais oficiais das companhias antes de qualquer deslocamento.
No Zayed International Airport, em Abu Dhabi, cerca de dez voos já aparecem disponíveis para reserva, incluindo rota para Moscou. O movimento é visto como um primeiro passo para a normalização.
A prioridade, segundo autoridades locais, é garantir segurança operacional e reorganizar tripulações e aeronaves que ficaram fora de posição durante os dias de paralisação.

Aviação do Oriente Médio ainda opera sob ajustes
A crise escancarou a fragilidade das conexões globais quando conflitos regionais escalam rapidamente. Centenas de milhares de passageiros ao redor do mundo sentiram o efeito quase imediato. Aeroportos lotaram, aeronaves ficaram fora de posição e tripulações precisaram aguardar autorizações que mudavam a cada hora.
Agora, o que se vê é um sistema em reconstrução. Companhias revisam malhas, reorganizam equipes e recalculam rotas alternativas para evitar áreas sensíveis. A expectativa é que novas frequências sejam liberadas ao longo dos próximos dias, sempre condicionadas à estabilidade da região e às avaliações constantes das autoridades de aviação civil. Até lá, a operação segue enxuta, monitorada em tempo real e sujeita a ajustes repentinos. Passageiros enfrentam reacomodações, conexões mais longas e incertezas sobre horários, enquanto o setor tenta restabelecer a confiança e reduzir o impacto financeiro acumulado nos últimos dias.







