
O dólar abriu em alta nesta terça-feira (3), cotado a R$ 5,24, enquanto o Ibovespa recuava 3,23%, aos 183.192 mil pontos, em meio ao quarto dia de bombardeios no Oriente Médio após ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. O cenário internacional também levou bolsas asiáticas e europeias a fecharem em queda e impulsionou o petróleo Brent, que chegou a US$ 83,55, com alta de 7,56%. O movimento impacta câmbio, custos operacionais e planejamento do setor de turismo.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, operava em queda de 3,23%, aos 183.192 mil pontos. A retração acompanha o desempenho negativo das bolsas internacionais. Na Ásia, os mercados fecharam em baixa, e na Europa as bolsas seguem a mesma tendência, em reação às incertezas geopolíticas e ao impacto potencial sobre energia e inflação global.
O aumento da tensão internacional também elevou os preços do petróleo. O barril do Brent é cotado a US$ 83,55, com alta de 7,56%, tendo ultrapassado os US$ 85 ao longo do dia. A valorização da commodity amplia preocupações com custos logísticos, combustível de aviação e transporte rodoviário, fatores diretamente ligados à cadeia do turismo.
Setor do turismo deve ficar atento às variações do dólar
Para o setor de viagens, a combinação de dólar em alta e petróleo mais caro pressiona tarifas aéreas, pacotes internacionais e contratos de fornecedores atrelados à moeda americana. Operadoras e agências monitoram o câmbio do dólar, especialmente em períodos de instabilidade, quando oscilações rápidas impactam margens e estratégias de precificação.
O cenário ocorre no mesmo dia em que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025. A economia brasileira cresceu 2,3% no acumulado do ano, totalizando R$ 12,7 trilhões. Apesar do crescimento, o ritmo desacelerou em relação a 2024.
Segundo o IBGE, a agropecuária registrou alta de 11,7% em 2025, sendo o principal destaque do período. O avanço decorreu de aumento na produção e ganhos de produtividade, especialmente nas culturas de milho e soja. A pecuária também contribuiu positivamente para o resultado anual.
O setor de serviços, diretamente ligado ao turismo, apresentou crescimento de 1,8% no acumulado do ano. A indústria avançou 1,4%, com destaque para a extração de petróleo, que impulsionou o valor adicionado das indústrias extrativas, encerrando o ano com alta superior a 8%.
O PIB per capita chegou a R$ 59.687,49, com crescimento de 1,9%. Embora os dados indiquem expansão econômica, o ambiente externo pode alterar projeções para 2026, especialmente se a volatilidade nos mercados financeiros persistir.
Para o turismo internacional, a valorização do dólar pode ter efeito ambíguo
Por um lado, o Brasil se torna mais competitivo para estrangeiros, que encontram preços relativamente mais atrativos. Por outro, viagens de brasileiros ao exterior tendem a ficar mais caras, o que pode estimular o turismo doméstico.
O aumento do petróleo também entra no radar das companhias aéreas. O combustível representa uma das principais despesas operacionais do setor. Movimentos bruscos na cotação internacional costumam refletir em ajustes tarifários, sobretudo em rotas internacionais.
Além disso, a instabilidade global pode influenciar decisões de investimento e planejamento de eventos corporativos e feiras internacionais, segmento relevante para o mercado MICE (Meetings, Incentives, Conferences and Exhibitions). Empresas tendem a adotar postura mais cautelosa diante de cenários geopolíticos incertos.
A conjuntura atual reforça a interdependência entre economia global, energia e turismo. Oscilações cambiais e no preço das commodities impactam diretamente a formação de preços no setor, além de afetarem fluxo de viajantes e decisões estratégicas de companhias aéreas, hotéis e operadoras.
*Com informações de Alessandra Ferreira, CBN.
dólar dólar dólar







