8ª edição do South African Tourism Trade Show mira recorde de brasileiros na África do Sul; veja os detalhes
Evento reúne trade e projeta novo pico de embarques para a África do Sul (Felipe Abílio/MeE)

A oitava edição do South African Tourism Trade Show, realizada no Renaissance São Paulo Hotel, colocou a África do Sul novamente no centro das atenções do mercado brasileiro. O evento, voltado a operadores e agentes de viagens, chega a um momento estratégico: depois de enviar mais de 63 mil brasileiros ao país no ano passado, a meta agora é bater o melhor resultado da história.

Para quem acompanha o movimento do turismo internacional, o recado foi claro. A África do Sul quer crescer no Brasil e entende que isso passa, antes de tudo, pelo relacionamento com quem vende.

“Esse evento já virou um marco para a indústria do turismo. Ele é importante em todos os sentidos”, afirmou Tati Isler, representante da África do Sul no Brasil. Segundo ela, a consistência ao longo dos anos ajudou a consolidar a imagem do destino. “As pessoas confiam. Sabem que todo ano estaremos aqui, trazendo novidades e fortalecendo o contato com o mercado.”

Brasil como prioridade e números em alta

8ª edição do South African Tourism Trade Show mira recorde de brasileiros na África do Sul; veja os detalhes
Tati Isler, representante da África do Sul no Brasil (Felipe Abílio/MeE)

O Brasil é tratado como prioridade estratégica. Em 2024, mais de 63 mil brasileiros visitaram a África do Sul. A expectativa para este ano é ainda mais otimista.

“Tem tudo para ser o melhor ano de todos”, disse Tati. Para ela, há fatores concretos por trás dessa projeção. “Estamos com duas companhias aéreas operando e, no segundo semestre, teremos incremento de voos, inclusive para a Cidade do Cabo. Isso facilita muito.”

Além da malha aérea, ela aponta o contexto internacional como um elemento que pesa na decisão do viajante. “O mundo está caótico. Muita gente tem receio de alguns destinos. A África do Sul oferece estrutura de primeiro mundo e é um país tranquilo para visitar. Quem vai, volta feliz.”

A viagem direta, com cerca de sete horas, também aparece como diferencial competitivo. “É rápido, é prático e o brasileiro já entende o destino. Isso ajuda muito.”

Relação próxima com o trade

Para Marcelo Marques, também representante da África do Sul no Brasil, o sucesso do evento está no formato construído ao longo dos oito anos.

“A gente vem nutrindo essa relação com o trade desde a primeira edição”, explicou. “É um formato dinâmico, que as pessoas gostam. Muitos dizem que é o melhor evento do setor porque encontram parceiros, amigos e fazem negócios de verdade.”

Ele reforça que o encontro vai além de um dia de rodadas. “Os sul-africanos ficam uma semana no Brasil. Fazem reuniões nas agências, aplicam treinamentos, apresentam produtos com calma. O evento é um aperitivo, mas abre portas.”

A estratégia é misturar quem já atua no mercado brasileiro com fornecedores que ainda estão começando a trabalhar o país. “A África do Sul tem uma indústria de turismo muito desenvolvida. É muito produto. Então a ideia é aproximar os agentes dessas experiências.”

Marcelo Marques, também representante da África do Sul no Brasil,
Marcelo Marques, também representante da África do Sul no Brasil (Felipe Abílio/MeE)

Geopolítica, hemisfério sul e custo-benefício

Marcelo também acredita que 2026 pode marcar um novo recorde. “Temos vários fatores positivos. Vamos chegar a 11 voos semanais no segundo semestre.”

Ele cita ainda a conjuntura internacional. “Com zonas de conflito em várias regiões, as pessoas tendem a olhar mais para o hemisfério sul. Viajar para países próximos ou considerados mais estáveis passa a ser prioridade.”

Outro ponto que aparece com frequência nas conversas com agentes é o custo-benefício. “É imbatível”, resumiu. “O brasileiro se sente em casa na África do Sul. É acolhedor, tem boa gastronomia, vinhos, safári, cidade, praia. E tudo com excelente relação entre preço e experiência.”

Boca a boca como motor de crescimento

Se há um motor silencioso impulsionando os números, ele atende por indicação. “Nosso marketing é muito baseado no boca a boca”, disse Marcelo. “O brasileiro vai, se apaixona e recomenda para amigos e família. Esse ciclo vem se repetindo ano após ano.”

Tati concorda. “Quem já foi sabe. E isso solidifica a seriedade do destino no Brasil.”

Entre estrutura consolidada, reforço aéreo e um cenário global que redireciona fluxos turísticos, a África do Sul aposta que 2026 pode entrar para a história.