Congestionamentos no acesso a Congonhas expõem falhas no bolsão de carros por aplicativo; Aena promete melhorias
Fachada da entrada do Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo (Divulgação/Infraero)

O trânsito nas imediações do Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, tem sido motivo de queixas frequentes de passageiros, motoristas e taxistas. O principal foco das reclamações é o bolsão destinado aos carros de aplicativo, inaugurado pela concessionária Aena em junho de 2024, que passou a concentrar longas filas de veículos e provocar congestionamentos recorrentes na região.

Segundo relatos de quem trabalha diariamente no aeroporto, a falta de controle efetivo sobre a entrada e saída de veículos no espaço tem gerado filas que se estendem pelas vias de acesso ao terminal. O impacto já é sentido em importantes corredores viários da região, como a Avenida Washington Luís e o Túnel Paulo Autran, onde motoristas aguardam por passageiros enquanto tentam acessar o bolsão.

A estrutura atual comporta cerca de 145 veículos. Para taxistas que atuam no aeroporto de Congonhas, o número é insuficiente diante da demanda e acaba provocando uma disputa por vagas sem controle rigoroso de lotação. “O problema acontece principalmente fora dos horários de pico. Porque, sem corridas uma atrás da outra, os motoristas de aplicativo entopem o bolsão e formam uma fila enorme na entrada do terminal que prejudica todos os passageiros e usuários do terminal”, afirma o taxista Flávio dos Santos Souza.

Segundo ele, a situação tem causado atrasos até mesmo para passageiros e tripulações que precisam chegar ao aeroporto. “Tem vários relatos de tripulantes e passageiros se atrasando para o check-in por causa desse tráfego. A gente tentou conversar com a Aena e eles dizem que é por causa da obra que está acontecendo na área. Mas a obra vai terminar só em 2028. Nós vamos ter que esperar até lá?”, questiona.

Motoristas de aplicativo também relatam dificuldades para operar no local. Joelson dos Santos, de 39 anos, diz que deixou de atender corridas no aeroporto por causa da espera e do trânsito. “Eu não costumo usar mais o bolsão porque ele está sempre lotado. Em certas horas, a gente perde mais tempo para entrar lá do que para conseguir passageiro. Então, deixei de atender o aeroporto e fico perto das estações do metrô para pegar os passageiros que vão para Congonhas”, afirma.

Outro motorista, Carlos Eduardo Pereira, relata que tem evitado o aeroporto para reduzir o estresse no trabalho. “Tem dia que eu nem vou mais para o bolsão dos taxistas, porque o caos é tanto para chegar lá que não está compensando. Pela minha saúde, tenho voltado vários dias da semana para casa para não enfrentar o caos que está se formando lá”, diz.

Concessionária promete mudanças

Procurada, a concessionária Aena informou que prepara alterações operacionais no sistema de acesso ao bolsão de Congonhas e promete ampliar a capacidade de vagas nos próximos dias, embora não tenha divulgado um prazo específico.

“A Aena informa que, nos próximos dias, irá implementar mudanças no acesso ao bolsão de espera dos carros de aplicativos no Aeroporto de Congonhas, que passará a ser feito próximo à entrada do edifício-garagem”, afirmou a empresa em nota.

Segundo a concessionária, o número de vagas será ampliado das atuais 140 para cerca de 250. O acesso ao bolsão continuará restrito a motoristas que comprovem estar na fila virtual aguardando corridas. De acordo com a empresa, as mudanças têm como objetivo melhorar o fluxo de veículos na entrada do estacionamento e reduzir o impacto no trânsito do entorno do aeroporto.

Apps e autoridades acompanham situação

As plataformas de transporte por aplicativo, representadas pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne empresas como Uber e 99, afirmaram que mantêm diálogo com a concessionária e com os órgãos responsáveis pelo trânsito. Segundo a entidade, o bolsão foi criado justamente para organizar a operação dos aplicativos no aeroporto e evitar problemas como filas duplas ou ocupação irregular de vagas.

A Amobitec também destacou que existem controles de acesso ao espaço e comunicação constante com os motoristas para evitar a entrada de novos veículos quando a capacidade é atingida.

Ainda assim, a entidade reconhece que o trânsito no entorno de Congonhas representa um desafio estrutural. “O trânsito nas imediações de Congonhas, aeroporto doméstico mais movimentado do país, é um desafio estrutural complexo, influenciado pelo grande volume de passageiros, obras viárias e a própria configuração da região”, afirmou a associação.

CET avalia melhorias em Congonhas

A situação também entrou no radar do poder público. O presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET), Milton Roberto Persoli, esteve no local na segunda-feira (9) acompanhado do vereador Adilson Amadeu para verificar as condições do trânsito.

Segundo apuração, Persoli se comprometeu a elaborar um documento conjunto com representantes de taxistas, concessionária e empresas de aplicativo para avaliar possíveis melhorias na operação.

Em nota, a CET informou que monitora diariamente o trânsito nas vias de acesso ao aeroporto e que o bolsão pode ser fechado operacionalmente em caso de congestionamento.

A companhia também lembrou que, em julho de 2024, foi criada no aeroporto a Zona de Embarque de Aplicativos (ZEA), com ampliação de 33% da área destinada ao embarque de veículos particulares, após a transferência de parte dos ônibus para o piso superior.

Mesmo com essas medidas, a gestão municipal afirma que as obras de ampliação do aeroporto — previstas para seguir até 2028 — têm provocado mudanças nos acessos e podem impactar temporariamente as condições de circulação no entorno.

*Com informações de G1