Cora Azul estreia no Brasil e reforça aposta da Mondiale em produtos nacionais para 2026
Rafael Tobias, diretor geral da Mondiale (Giulia Jardim/M&E)

CAMPINAS – Em um momento de incertezas no cenário internacional, a Mondiale aposta no fortalecimento do turismo doméstico e na diversificação de produtos para sustentar o crescimento em 2026. A principal novidade é a entrada da Corazul ao portfólio, marcando a estreia da operadora no segmento de cruzeiros com embarques no Brasil.

Segundo Rafael Tobias, diretor geral da Mondiale, a chegada da nova armadora representa um movimento estratégico diante de um mercado em transformação. “É uma marca nova, com navios modernos e uma proposta diferenciada, voltada para um público mais exigente. Estamos muito esperançosos com esse lançamento”, afirma.

Até então, a operadora concentrava sua oferta marítima em roteiros internacionais, com saídas pela Europa, Caribe, Panamá e Estados Unidos. A inclusão da Corazul amplia o leque e atende a uma demanda crescente por viagens mais próximas e com menor exposição a instabilidades externas.

A expectativa é de crescimento no segmento, impulsionada por um perfil de consumidor já consolidado. “Existe um público fiel de cruzeiros, que viaja todos os anos e busca novas experiências. Além disso, vemos aumento na procura por grupos e viagens de incentivo”, explica Tobias. Para acompanhar esse movimento, a empresa reforçou sua equipe dedicada ao setor marítimo.

Turismo nacional ganha protagonismo

O lançamento do produto de cruzeiro nacional acontece em sintonia com outra frente estratégica da Mondiale: o fortalecimento dos destinos brasileiros. Em 2025, a operadora registrou crescimento de 60% nas vendas do segmento doméstico, reflexo direto de um cenário global mais sensível.

“O mercado interno está aquecido. Em momentos como o atual, com conflitos e incertezas, o passageiro tende a optar por destinos mais próximos e seguros”, diz o executivo.

Nesse contexto, destinos como Fernando de Noronha, Jericoacoara, Lençóis Maranhenses e Bonito seguem entre os destaques do portfólio. A operadora também observa bom desempenho de praças urbanas e de lazer, como Gramado, Foz do Iguaçu, João Pessoa e Maceió.

Outro diferencial competitivo citado pela empresa é a ampliação da malha aérea. A operação com voos diretos da Latam Airlines entre Guarulhos e Fernando de Noronha permitiu a criação de bloqueios exclusivos, facilitando o acesso ao arquipélago.

Cenário global desafia, mas não freia o setor

Apesar do avanço em algumas frentes, o turismo internacional já sente os efeitos do cenário geopolítico. De acordo com Tobias, houve cancelamentos em viagens de lazer para destinos como Croácia e retração na procura por regiões da Europa e do Oriente Médio, incluindo Dubai.

“Quando há risco de conflito, o passageiro recua. Isso impacta principalmente o lazer, enquanto o corporativo segue mais estável”, explica.

Mesmo diante das oscilações, a expectativa da Mondiale é manter o crescimento, ainda que em ritmo mais moderado. Após expandir entre 35% e 40% nos últimos anos, a projeção para 2026 é de alta entre 10% e 20%.

Para o diretor da Mondiale, a resiliência é uma característica intrínseca ao setor. “O turismo vende sonhos, mas também exige adaptação constante. Já enfrentamos crises cambiais, atentados, desastres naturais e a pandemia. Seguimos nos reinventando”, afirma.

Com a aposta em produtos nacionais e a estreia no segmento de cruzeiros com embarque no Brasil, a Mondiale busca equilibrar o portfólio e responder com agilidade às mudanças do mercado, mantendo o foco na experiência do viajante e na segurança das operações.

O M&E viaja com cobertura GTA