Blimboo
Rafael Sola, da Blimboo – Empresa amplia atuação com pagamentos internacionais e integração no turismo global (Beatriz Waehneldt/M&E)

SÃO PAULO – A Blimboo, empresa de tecnologia financeira voltada ao mercado de turismo, participou da WTM Latin America 2026 (16) com o objetivo de ampliar sua presença no setor e consolidar parcerias estratégicas. Durante o evento, realizado em São Paulo, Rafael Sola, representante da empresa, apresentou o modelo de negócios, os diferenciais operacionais e os planos de expansão da companhia.

A proposta está estruturada em três pilares principais: recebimento de pagamentos, proteção cambial e remessas internacionais. No primeiro eixo, a companhia oferece soluções para recebimento por meio de links de pagamento ou integração via API, cobrando o câmbio correto, no cartão, boleto e Pix. A solução atende empresas que operam com clientes em diferentes países, permitindo transações em múltiplas moedas.

Outro ponto destacado foi a possibilidade de proteção cambial, especialmente relevante para operadoras que realizam pagamentos internacionais. O terceiro pilar envolve justamente a eficiência nas remessas ao exterior, com foco na redução de custos e tempo de operação. A base de clientes da Blimboo inclui empresas brasileiras que realizam pagamentos internacionais e também DMCs (Destination Management Companies) no exterior.

Sobre a participação na WTM Latin America, o CEO da Blimboo, Rafael Sola, destacou a importância do evento como ponto de encontro estratégico. “É sempre um evento muito especial, principalmente para encontrarmos clientes que estão espalhados pelo mundo”, diz. Segundo ele, a feira permite concentrar reuniões com parceiros de diferentes mercados em um curto período. “Num local só, em três dias, é possível encontrar clientes da Turquia, da Colômbia, dos Estados Unidos e também aqui do Brasil, para abrir novos negócios”, completa.

Durante o evento, a Blimboo reforçou acordos com players do setor: “estamos assinando contratos com a Travel Composer e com a Civitatis, por exemplo.” De acordo com Sola, essas relações vêm sendo desenvolvidas há meses e são fortalecidas presencialmente. “São relações que vêm acontecendo há mais de seis meses e quando encontramos as pessoas, que fazemos reunião online, pessoalmente, isso dá um empurrãozinho”, explica.

Outro avanço citado foi a integração com sistemas de back office. Ele revelou que o grupo está homologando uma integração com o sistema Monde, que tem mais de 2500 agências”, revela. A expectativa é que essa integração contribua para automatizar processos financeiros dentro das agências.

A Blimboo foi fundada durante a pandemia, período de paralisação do turismo, que motivou a criação da solução. “Quando tudo parou, decidimos fundar a Blimboo, justamente para resolver essa dor que é a dor do como receber e pagar em multimoedas”, explica. A empresa recebeu investimentos e passou por programas de aceleração e incubação, como a Bossa Nova, do João Kepler, WOW, uma aceleradora de startup e Miditec, Santa Catarina.

Em termos de crescimento, os números indicam avanço no volume transacionado. “A gente teve nos nossos primeiros três anos, aproximadamente R$35 milhões em processamento e só o ano passado a gente processou por volta de 50 milhões”, afirmou. A projeção para o ano seguinte é de expansão. “A previsão desse ano é dobrar”, disse. Atualmente, a empresa conta com cerca de 85 clientes ativos e crescimento mensal entre 4% e 8%.

Um dos principais diferenciais apontados pela Blimboo é o uso de moedas digitais nas operações internacionais

A Blimboo trabalha com o uso de moedas digitais para pagamentos internacionais, as stablecoins, que são atreladas a ativos como dólar e euro. Segundo Sola, a empresa começou a trabalhar com essa tecnologia antes da regulamentação no Brasil. “A gente antecedeu o uso dessas moedas em 2023” diz. “Fomos convidados para participar de uma feira em Dubai, a Gitex, que é uma das maiores feiras de tecnologia do mundo e lá validamos a tese com os stablecoins”, relatou.

O cenário regulatório evoluiu posteriormente, o Banco Central, no final do ano em outubro, soltou três regulações novas que regulamentam o uso de stablecoin para operações cambiais. Com isso, a empresa avançou na implementação da tecnologia.

O uso de stablecoins é apresentado como alternativa ao sistema tradicional de transferências internacionais. “Ele substitui o sistema Swift”, disse. Segundo o executivo, o modelo atual pode levar até dois dias para liquidação e envolve intermediários. Já com stablecoins, o processo é mais ágil. “O pagamento ele é imediato, então você consegue pagar um fornecedor na Europa em 2 minutos”, afirmou.

Entre os próximos passos, a empresa prevê novas integrações tecnológicas. “Os nossos grandes lançamentos é a integração com Travel Composer, onde a gente vai estar como uma opção de check out”, disse. Também mencionou o avanço com o sistema Monde. “As vendas dos nossos links vão ser lançadas automaticamente”, afirma, destacando ganhos operacionais.

Para o médio prazo, o foco é a expansão internacional. “A gente realmente expandindo internacionalmente é o nosso foco”, disse. Segundo ele, a demanda por soluções de pagamento multimoedas não se restringe ao Brasil. “Existem clientes no mundo inteiro que têm a mesma dificuldade de receber pagamentos”, conclui.