Aeroportos
A investigação deve apontar se houve perda de separação entre as aeronaves e identificar fatores que contribuíram para a ocorrência. (Divulgação)

A presença de operadores estrangeiros nos aeroportos brasileiros atingiu um novo patamar, com cerca de 90% dos terminais localizados em capitais sob controle internacional. Atualmente, 25 dos 29 principais aeroportos urbanos do país são administrados por grupos de fora, consolidando uma mudança estrutural no setor iniciada com o ciclo de concessões em 2011.

O movimento reflete a abertura do mercado à iniciativa privada e a entrada de empresas com experiência global em gestão aeroportuária, em um contexto em que o Brasil ainda não contava, à época, com operadores nacionais consolidados nesse segmento. Segundo o presidente da Anac, Tiago Faierstein, a padronização regulatória internacional também contribuiu para atrair investidores e reduzir riscos.

Grupos internacionais lideram operação dos principais aeroportos

Entre os operadores estrangeiros, a espanhola Aena lidera a presença no país, com sete aeroportos sob sua gestão, incluindo Congonhas, em São Paulo, e o Galeão, no Rio de Janeiro – dois dos mais estratégicos do Brasil. Na sequência, aparecem o grupo mexicano Asur, com seis terminais, e a francesa Vinci Airports, com cinco.

Apenas quatro aeroportos em capitais permanecem fora desse controle internacional: Santos Dumont (RJ), Belém (PA), Cuiabá (MT) e Macapá (AP), o que evidencia a abrangência da internacionalização do setor aeroportuário brasileiro.

Infraero encolhe e perde espaço no mercado

Em sentido oposto, a Infraero vem registrando uma redução significativa de sua atuação. A estatal, que em 2010 administrava 67 aeroportos, atualmente responde por apenas 23 unidades, sendo que somente 10 delas operam voos regulares.

Apesar de ainda manter participação em ativos relevantes, como os aeroportos de Guarulhos e Brasília, especialistas apontam uma tendência de retração contínua, impulsionada por novos leilões e processos de relicitação previstos para os próximos anos.

Setor se internacionaliza e levanta debates estratégicos

A transformação reposiciona o Brasil dentro de uma lógica global de infraestrutura aeroportuária, aproximando o país de operadores com maior capacidade de investimento e expertise técnica. Por outro lado, o avanço estrangeiro reduz o protagonismo nacional em um setor considerado estratégico para a logística, o turismo e a integração econômica.

O cenário indica que a internacionalização deve continuar moldando o futuro da aviação no país, com impactos diretos na competitividade, na qualidade dos serviços e na dinâmica do transporte aéreo brasileiro.