Caminho até Jerusalém volta a reunir peregrinos de diferentes religiões em Israel
Projeto revive antiga caminhada até Jerusalém com apoio de comunidades locais pelo trajeto (Divulgação/Turismo de Israel)

A antiga tradição de caminhar até Jerusalém voltou a ganhar espaço em Israel por meio da W2J – The Way to Jerusalem, iniciativa que recria a rota histórica entre o Porto de Jaffa e a Cidade Antiga de Jerusalém. O percurso de aproximadamente 111 quilômetros é realizado ao longo de seis dias e reúne peregrinos de diferentes países, culturas e tradições religiosas em uma experiência que mistura patrimônio histórico, espiritualidade e convivência intercultural.

A proposta da W2J é recuperar uma prática que durante séculos fez parte da jornada de viajantes e peregrinos que chegavam ao território pelo Mediterrâneo e seguiam a pé até Jerusalém. A rota começa em Jaffa, uma das cidades portuárias mais antigas do mundo, e termina no Portão de Jaffa, uma das entradas mais simbólicas da Cidade Antiga.

Ao longo do trajeto, os participantes atravessam vilas, estradas históricas, áreas rurais e comunidades locais. Mais do que um deslocamento físico, o projeto busca criar um ambiente de troca humana e reflexão coletiva.

Projeto aposta em hospitalidade e diálogo entre religiões

Um dos principais diferenciais da W2J está na diversidade dos grupos que participam da caminhada. A peregrinação já reuniu cristãos evangélicos, católicos, judeus e pessoas sem vínculo religioso específico, que percorrem juntos o caminho até Jerusalém.

Segundo a organização, a ideia é transformar a caminhada em um espaço de encontro e escuta. Durante a rota, os peregrinos têm contato com moradores locais, conhecem histórias ligadas à região e compartilham experiências pessoais ao longo das paradas.

A proposta também dialoga com a importância histórica e espiritual de Jerusalém para diferentes tradições religiosas. O percurso passa por áreas associadas aos patrimônios judaico, cristão e muçulmano, reforçando a dimensão simbólica da jornada.

A W2J afirma que o caminho foi pensado como uma experiência externa e interna. Enquanto os participantes avançam fisicamente rumo à Cidade Santa, também são convidados a refletir sobre temas ligados à espiritualidade, convivência e propósito coletivo.

Rota entre Jaffa e Jerusalém percorre 111 quilômetros

A caminhada completa tem cerca de 111 quilômetros e costuma ser dividida em seis dias. Durante o percurso, os peregrinos fazem pausas em pontos de apoio e comunidades parceiras da iniciativa.

Além da experiência cultural e espiritual, a organização também criou elementos inspirados em antigas peregrinações europeias e do Oriente Médio. Cada participante recebe uma Credencial do Peregrino, documento que acompanha toda a travessia.

Ao longo do caminho, a credencial recebe carimbos em diferentes pontos da rota. Quando o peregrino chega ao Portão de Jaffa e apresenta o documento completo, recebe o carimbo final e o Certificado Oficial de Peregrinação Jerushalma.

O certificado simboliza a conclusão da jornada histórica entre Jaffa e Jerusalém e marca oficialmente a participação na experiência da W2J.

Caminhada resgata tradição histórica de Jerusalém

A peregrinação até Jerusalém faz parte da história religiosa da região há milhares de anos. Durante séculos, viajantes cruzaram desertos, portos e estradas em direção à cidade considerada sagrada por diferentes religiões.

Com o passar do tempo, muitas dessas rotas deixaram de ser utilizadas de maneira organizada. A proposta da W2J é justamente recuperar parte dessa memória e adaptá-la ao presente, oferecendo estrutura para que novos peregrinos possam voltar a realizar o percurso.

A iniciativa também acompanha o crescimento do interesse mundial por rotas de caminhada ligadas à espiritualidade e ao patrimônio histórico. Caminhos como Santiago de Compostela, na Espanha, e trilhas religiosas no Japão e na Itália contribuíram para ampliar o interesse por experiências que unem deslocamento, reflexão e conexão cultural.

No caso da W2J, a relação com Jerusalém amplia ainda mais o peso simbólico da jornada. A cidade é considerada um dos lugares mais importantes do mundo para judeus, cristãos e muçulmanos, atraindo milhões de visitantes todos os anos.

Associação criada em Israel coordena a peregrinação

A iniciativa é conduzida pela The Way to Jerusalem Pilgrimage Association, fundada por Golan Rice e Yael Tarasiuk. A associação trabalha na estruturação da rota e na conexão entre peregrinos, comunidades locais e pontos históricos ao longo do caminho.

Segundo a organização, a intenção é tornar novamente acessível a experiência de caminhar até Jerusalém em grupo, seguindo uma tradição antiga que marcou gerações de viajantes na região.

A W2J também aposta na hospitalidade como parte central da experiência. Durante a caminhada, moradores e comunidades parceiras participam da recepção dos peregrinos, fortalecendo a proposta de intercâmbio cultural ao longo da rota.

W2J amplia turismo de experiência em Israel

Além do aspecto religioso, a W2J também se conecta ao crescimento do turismo de experiência em Israel. O país vem ampliando iniciativas ligadas à cultura, história e patrimônio, atraindo visitantes interessados em viagens mais imersivas.

A rota entre Jaffa e Jerusalém se insere nesse movimento ao oferecer uma experiência baseada em convivência, deslocamento lento e contato direto com diferentes paisagens e tradições locais.

Para muitos participantes, o significado da caminhada não está apenas na chegada a Jerusalém, mas no processo vivido durante o percurso. A combinação entre história, espiritualidade e encontros humanos transformou a W2J em uma das novas iniciativas de peregrinação estruturada na região.

A expectativa da organização é ampliar gradualmente o alcance internacional da rota e consolidar o caminho entre Jaffa e Jerusalém como uma nova referência entre as peregrinações contemporâneas em Israel.