Durante encontro da IATA em 2026, Brasil apresenta avanços da aviação e reforça aposta em combustível sustentável
O vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin durante a IATA General Assembly (Divulgação/IATA)

RIO DE JANEIRO – O vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin defendeu nesta segunda-feira, durante a 82ª Assembleia Geral Anual da IATA, a ampliação dos investimentos em infraestrutura aeroportuária, a manutenção de incentivos ao setor aéreo e o avanço da produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) como pilares para o crescimento da aviação brasileira.

As medidas foram apresentadas durante o principal encontro global da indústria aérea, que reúne companhias aéreas, fabricantes, autoridades e representantes do setor. Em sua participação, Alckmin destacou o desempenho recente do mercado brasileiro e as ações adotadas pelo governo para ampliar a conectividade e fortalecer a aviação regional.

O Brasil transportou quase 130 milhões de passageiros em voos domésticos e internacionais em 2025, resultado 9,4% superior ao registrado no ano anterior e acima do recorde histórico anterior. Pela primeira vez, a aviação doméstica ultrapassou a marca de 100 milhões de passageiros em um único ano. No mercado internacional, a movimentação alcançou 28,4 milhões de passageiros, volume mais de 20% superior aos níveis registrados antes da pandemia.

Com mais de 215 milhões de habitantes e dimensões continentais, o país ainda possui espaço para expansão da malha aérea, especialmente por meio da aviação regional, considerada pelo governo um instrumento estratégico de integração nacional.

Youtube video

Infraestrutura e incentivos

Entre as iniciativas apresentadas estão 42 obras aeroportuárias concluídas em 2024, que somaram R$ 3,2 bilhões em investimentos.

O governo também aposta no Programa Ampliar, que prevê a incorporação de até 102 aeroportos regionais aos contratos de concessão existentes. A expectativa é viabilizar até R$ 3,4 bilhões em novos investimentos.

Na área tributária, foram destacadas a redução a zero das alíquotas de PIS e Cofins sobre o transporte aéreo regular de passageiros e a redução gradual do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre operações de leasing de aeronaves.

A aviação também passou a integrar os setores estratégicos da política industrial Nova Indústria Brasil. Outra medida citada foi a adesão do país ao Acordo sobre Comércio de Aeronaves Civis da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Indústria aeronáutica

O discurso também ressaltou a capacidade industrial brasileira no setor. A Embraer registrou crescimento de 18% nas entregas de aeronaves em 2025 e permanece entre os poucos fabricantes do mundo capazes de desenvolver, certificar e produzir aeronaves comerciais completas.

O cenário foi reforçado pelo anúncio da Latam de aquisição de até 74 aeronaves da fabricante brasileira, incluindo 24 pedidos firmes avaliados em aproximadamente US$ 2,1 bilhões.

Descarbonização

A descarbonização foi apontada como um dos principais desafios da aviação global, ao lado dos custos de combustível, dos gargalos nas cadeias de suprimentos e da escassez de mão de obra qualificada.

Nesse contexto, o Brasil apresentou a produção de SAF como uma das principais oportunidades para ampliar sua participação na transição energética do setor. O governo avalia que a combinação entre capacidade agrícola, biodiversidade e pesquisa coloca o país em posição favorável para ampliar a oferta do combustível sustentável.

“O Brasil pode ser para a descarbonização da aviação o que nenhum outro país pode: uma potência verde com capacidade industrial para transformar recursos naturais em soluções globais”, afirmou Alckmin.