
RIO DE JANEIRO – A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) lançou nesta segunda-feira (8), durante a 82ª Assembleia Geral Anual (AGM) realizada no Rio de Janeiro, a campanha global “Save a Life, Not a Bag” (“Salve uma vida, não uma mala”). A iniciativa, apoiada pela Agência de Segurança da Aviação da União Europeia (EASA) e pela Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), responde a uma lacuna de comportamento identificada em pesquisa encomendada pela entidade: mesmo diante de uma emergência a bordo, passageiros continuam priorizando pertences em vez de uma saída rápida da aeronave, um hábito que, segundo especialistas, pode custar vidas.
O objetivo é reforçar uma orientação considerada essencial em situações de emergência: seguir as instruções da tripulação, deixar toda a bagagem para trás e dirigir-se rapidamente à saída utilizável mais próxima. Segundo a IATA, o lançamento ocorre em resposta ao aumento de episódios nos quais passageiros interrompem a evacuação para recolher malas, mochilas e objetos pessoais ou até mesmo para fotografar e filmar a situação. A entidade observa que esse comportamento tem sido registrado com frequência em vídeos compartilhados nas redes sociais e em plataformas digitais.
O diretor-geral da IATA, Willie Walsh, destaca que a retirada de bagagens durante uma evacuação representa um risco direto para todos os ocupantes da aeronave. “Levar bagagens durante uma evacuação não é uma questão menor. Cada segundo importa. Mesmo pegar uma única bolsa pode afetar a evacuação segura de todos a bordo. As instruções da tripulação são claras e simples: deixe tudo para trás e saia rapidamente. ‘Salve uma Vida, Não uma Bagagem’ é uma mensagem que os passageiros precisam compreender e colocar em prática”, afirma Walsh.
Segurança na aviação depende da reação dos passageiros em emergências
A campanha também conta com o apoio da EASA. O diretor executivo da agência, Florian Guillermet, ressalta que a rapidez na evacuação pode determinar a sobrevivência dos passageiros em situações críticas. “A evacuação rápida em uma situação de emergência salva vidas.
De acordo com ele, as aeronaves são certificadas com base em rigorosos padrões de evacuação e as tripulações recebem treinamento extensivo para situações de emergência, garantindo que cada passageiro tenha a melhor chance possível de sobrevivência em uma situação aguda. “Para que isso funcione em uma emergência real, todos os passageiros também precisam fazer sua parte. E isso é muito simples: siga as instruções da tripulação, deixe toda a bagagem para trás e dirija-se rapidamente à saída utilizável mais próxima. Isso não apenas salvará sua vida, mas também permitirá que todos tenham a melhor oportunidade de sair do perigo”, explica Guillermet.
A IATA destaca que segundos valiosos podem ser perdidos quando passageiros tentam retirar objetos dos compartimentos superiores da cabine. Além do atraso provocado, malas e mochilas podem causar quedas, bloquear corredores, dificultar a circulação e até danificar os escorregadores infláveis utilizados durante a evacuação. A entidade relata ainda casos em que passageiros tentam deixar a aeronave carregando simultaneamente bebês e bagagens, situação que compromete a segurança em um momento considerado crítico.
O administrador da FAA, Bryan Bedford, chama atenção para o aumento de situações em que passageiros deixam de seguir as orientações da tripulação durante emergências. “Estamos observando um número crescente de passageiros que não seguem as instruções da tripulação em situações de emergência. Nesses momentos, a conformidade é fundamental. Os passageiros devem agir rapidamente, seguir as instruções sem hesitação e deixar todos os pertences para trás. A segurança é uma responsabilidade compartilhada, e passageiros informados e atentos ajudam a garantir uma evacuação mais rápida e segura para todos a bordo”, declara Bedford.
Pesquisa da IATA revela desconhecimento sobre procedimentos de evacuação
Como parte do desenvolvimento da campanha, a IATA encomendou uma pesquisa com viajantes recentes em quatro mercados considerados representativos: Estados Unidos, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos e Singapura. O estudo contou com a participação de especialistas em comportamento humano e procurou avaliar o nível de conhecimento dos passageiros sobre procedimentos de evacuação.
Os resultados apontam lacunas importantes. Embora 80% dos entrevistados afirmem saber como agir durante uma evacuação de emergência, apenas 61% respondem corretamente que devem abandonar todos os pertences pessoais antes de deixar a aeronave. A pesquisa também mostra que 33% dos participantes dizem já ter visto relatos de pessoas recolhendo bagagens durante evacuações. Entre esse grupo, 22% admitem que provavelmente adotariam a mesma atitude.
Outro dado identificado envolve a percepção do tempo necessário para evacuar uma aeronave. Apenas 18% sabem que os procedimentos de certificação das aeronaves são baseados na capacidade de evacuar todos os ocupantes em até 90 segundos. Por outro lado, 38% acreditam que uma evacuação pode levar três minutos ou mais.
O levantamento aponta ainda que um em cada dez passageiros reconhece que poderia tentar levar bagagem consigo durante uma evacuação ou seguir o comportamento de outros passageiros, mesmo recebendo orientações para não fazê-lo. Além disso, 60% afirmam que seriam menos propensos a recolher bagagens caso itens considerados essenciais, como passaporte, dinheiro e medicamentos, já estivessem guardados junto ao corpo.
O vice-presidente sênior de Operações, Segurança e Proteção da IATA, Nick Careen, avalia que a maioria dos passageiros conhece os procedimentos básicos, mas ressalta que pequenas falhas podem ter consequências graves. “A maioria dos passageiros sabe o que fazer em um acidente.”
No entanto, de acordo com Careen, existe uma lacuna significativa de conhecimento entre alguns viajantes que pode resultar em desastre. “Mesmo que apenas um ou dois passageiros gastem alguns segundos extras recolhendo itens pessoais, vidas podem ser colocadas em risco. É por isso que é essencial criar bons hábitos para todos os viajantes, como prestar atenção às demonstrações de segurança em cada voo e manter itens essenciais, como passaporte, dinheiro e medicamentos, junto ao corpo. Também é importante que os passageiros compreendam as consequências de não ouvir a tripulação. ‘Salve uma Vida, Não uma Bagagem’ pretende ser um lembrete direto do que está em jogo para todos no raro caso de uma evacuação”, observa Careen.
De acordo com a IATA, os riscos associados ao transporte de bagagens durante evacuações vão além do atraso na saída da aeronave. Malas podem bloquear corredores e saídas de emergência, dificultar a movimentação dos passageiros e impedir que as pessoas mantenham as mãos livres para se equilibrar e auxiliar outras pessoas.
A entidade acrescenta que os objetos podem perfurar escorregadores infláveis, esconder a iluminação das rotas de fuga, ficar presos em assentos ou estruturas internas da aeronave e criar obstáculos para tripulantes e equipes de resgate. O risco, segundo a organização, não se limita ao passageiro que transporta a bagagem. Uma única pessoa que interrompe o fluxo para recuperar seus pertences pode atrasar dezenas de outras pessoas, prejudicar as orientações da tripulação e comprometer a utilização adequada das saídas de emergência.
A campanha também orienta os passageiros a se prepararem antes da decolagem e do pouso, mantendo itens indispensáveis junto ao corpo. O vídeo da iniciativa foi desenvolvido com apoio de especialistas em comportamento humano e utiliza imagens surreais e situações exageradas para tornar a mensagem mais fácil de memorizar.
As recomendações centrais da campanha são prestar atenção à tripulação, deixar toda a bagagem para trás, não filmar nem fotografar durante a evacuação, continuar se movimentando e abandonar a aeronave rapidamente. Os materiais digitais poderão ser utilizados por companhias aéreas e parceiros da indústria em campanhas próprias de comunicação com passageiros. A IATA também disponibilizará os conteúdos para veículos de comunicação e demais integrantes da cadeia da aviação.








