
Os protestos contra um resort de luxo ligado à família Trump ultrapassaram a marca de 20 dias consecutivos na Albânia e se transformaram em uma das maiores mobilizações populares do país nos últimos anos. O movimento ganhou força após o anúncio de um megaprojeto turístico associado ao empresário Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e à empresária Ivanka Trump.
As manifestações têm ocorrido principalmente na capital Tirana e reúnem ambientalistas, moradores locais, organizações da sociedade civil e representantes da diáspora albanesa. Os participantes acusam o governo de priorizar interesses privados em detrimento da preservação ambiental e da transparência na condução do projeto.
O empreendimento prevê a construção de um complexo turístico de luxo na ilha de Sazan e em áreas costeiras próximas, incluindo regiões consideradas ambientalmente sensíveis. Críticos argumentam que a iniciativa ameaça habitats protegidos, incluindo zonas úmidas que abrigam flamingos, tartarugas marinhas e outras espécies da fauna local.
Resort mobiliza ambientalistas e amplia pressão sobre governo
O projeto do resort é defendido pelo primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, que vê no investimento uma oportunidade para impulsionar o turismo de alto padrão e fortalecer a economia do país. Segundo o governo, o desenvolvimento poderá atrair visitantes internacionais e ampliar a visibilidade da Albânia como destino turístico.
Já os opositores afirmam que a iniciativa se tornou símbolo de problemas mais amplos, como corrupção, desigualdade e falta de transparência nas decisões públicas. A mobilização passou a ser chamada por alguns participantes de “Revolução dos Flamingos”, em referência às aves que habitam a região ameaçada pelo empreendimento.
Nos últimos dias, os protestos contra o resort ganharam repercussão internacional e chamaram a atenção de instituições europeias. O Parlamento Europeu manifestou preocupação com possíveis impactos ambientais e alertou para a necessidade de que a Albânia mantenha padrões compatíveis com as exigências de adesão à União Europeia.
Embora o governo mantenha apoio ao projeto, a pressão popular continua crescendo. Investigações relacionadas à aquisição de terrenos e às mudanças regulatórias que permitiram o avanço do empreendimento também aumentaram o escrutínio sobre o caso, ampliando o debate sobre o futuro do desenvolvimento turístico no país.







