terremoto
Réplica interrompe buscas por sobreviventes e amplia tensão em La Guaira (Reprodução/Reuters)

Um novo terremoto foi registrado na Venezuela na manhã desta segunda-feira (29), enquanto equipes de resgate seguem mobilizadas na tentativa de localizar sobreviventes nos escombros deixados pelos terremotos que atingiram o país na semana passada. O tremor, de magnitude 5,1, ocorreu na região costeira de La Guaira e foi sentido em diversas localidades próximas à capital Caracas.

De acordo com o Serviço Geológico da Colômbia, o abalo sísmico figura entre as réplicas mais intensas desde os terremotos registrados em 24 de junho, quando dois fortes tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram o norte do país em um intervalo de menos de dois minutos. O epicentro do novo tremor ocorreu nas proximidades de La Guaira, estado venezuelano que concentra grande parte dos danos causados pelos terremotos da semana passada. O abalo também foi percebido em Macuto, localidade situada na mesma região e que permanece entre os principais pontos das operações de busca e salvamento.

O tremor ocorreu justamente no momento em que bombeiros trabalhavam em um edifício destruído onde uma mulher e dois de seus três filhos permanecem desaparecidos. Com a movimentação do solo, as equipes deixaram o prédio por questões de segurança. Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, ninguém ficou ferido durante a nova ocorrência. Os socorristas se afastaram da estrutura colapsada até que as condições de estabilidade fossem novamente avaliadas.

Terremoto na Venezuela interrompe operações de resgate

A réplica acontece em um momento considerado decisivo para as operações de busca. Cinco dias após os terremotos que atingiram a Venezuela, equipes nacionais e internacionais seguem trabalhando na tentativa de encontrar pessoas com vida sob os escombros. As buscas se concentram principalmente em La Guaira, estado localizado na costa do Caribe e situado a cerca de 40 quilômetros de Caracas. Diversos edifícios residenciais e comerciais desabaram após os tremores do último dia 24.

Dados divulgados pelas autoridades venezuelanas apontam que centenas de edificações sofreram danos severos. Parte dos prédios desabou completamente, enquanto outras construções ficaram inclinadas ou apresentaram comprometimento estrutural. As equipes de resgate contam com a participação de bombeiros, militares, agentes de defesa civil e especialistas internacionais. Grupos provenientes de outros países também foram enviados para auxiliar na localização de sobreviventes.

No domingo (28), operações de salvamento conseguiram retirar pessoas com vida dos escombros, renovando as expectativas das equipes que atuam na região. Um pai e um filho foram resgatados após permanecerem vários dias soterrados em La Guaira.

O número de mortos continua aumentando à medida que as buscas avançam. Os balanços mais recentes apontam cerca de 1.450 vítimas fatais, além de milhares de feridos e desalojados. As autoridades também informam que milhares de pessoas permanecem desaparecidas. Organizações internacionais acompanham a situação humanitária e alertam para a necessidade de assistência às populações atingidas. O novo tremor elevou a tensão entre moradores de La Guaira e Caracas. Muitos residentes deixaram suas casas e buscaram áreas abertas após sentirem a movimentação do solo.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, a réplica registrada nesta segunda-feira apresentou magnitude de 4,6, enquanto o Serviço Geológico da Colômbia mediu o evento em 5,1. As diferenças entre as medições decorrem das metodologias adotadas pelos órgãos responsáveis pelo monitoramento sísmico. O epicentro foi localizado próximo à costa venezuelana, ao norte de Caraballeda e nas proximidades de La Guaira. O tremor ocorreu pouco depois das 7h no horário local.

Relatos de moradores indicam que a réplica foi sentida de forma intensa em várias localidades. Em algumas áreas, pessoas deixaram edifícios e permaneceram nas ruas por receio de novos abalos. Um morador de La Guaira relata à AFP: “Foi muito forte”. Outro residente afirma: “A diferença do terremoto anterior é que aquele veio pela lateral. Este veio do chão, que fez o solo vibrar. Todos nós sentimos”.

As autoridades venezuelanas afirmam que, até o momento, não existem registros de novos danos estruturais relacionados à réplica desta segunda-feira. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, informa: “Acabamos de ter uma réplica de intensidade moderada. Não temos relatos de danos adicionais em nenhum lugar do território nacional”.

Especialistas avaliam que as réplicas são esperadas após terremotos de grande magnitude. No entanto, esses eventos representam riscos adicionais para edifícios já comprometidos e podem interromper operações de busca. Engenheiros venezuelanos também defendem uma avaliação estrutural ampla em conjuntos habitacionais e edifícios públicos construídos nas últimas décadas. Profissionais do setor alertam para possíveis falhas construtivas e para a necessidade de inspeções técnicas em áreas afetadas.

A tragédia provocou ainda uma crise humanitária em regiões costeiras do país. Abrigos temporários foram montados para receber famílias que perderam suas casas, enquanto organizações internacionais ampliam os esforços de assistência. O terremoto de 24 de junho é considerado um dos mais fortes registrados na Venezuela em mais de um século. Desde então, centenas de réplicas já foram identificadas pelos serviços de monitoramento sísmico.

*Com informações de Terra.