
JOINVILLE (SC) – Durante o Fórum de Turismo Abav-SC, realizado hoje (2), a Azul apresentou sua estratégia comercial para ampliar o relacionamento com agentes de viagens, detalhou os desafios enfrentados pela aviação brasileira e abriu espaço para ouvir demandas do mercado. Representando a companhia, o diretor comercial Ricardo Bezerra participou de um bate-papo com empresários e dirigentes da Abav, explicou como a empresa tem trabalhado para aproximar o trade das decisões comerciais, comentou os impactos do processo de reestruturação financeira da companhia e respondeu a questionamentos sobre atendimento, judicialização, novas rotas e expansão da malha aérea.
Ao iniciar sua participação, Ricardo Bezerra afirmou que considera importante manter contato permanente com os profissionais do setor. Ele comentou o trabalho realizado pela companhia para ampliar a conectividade internacional por meio do hub de Recife. “Nós colocamos os voos Recife-Madri e Recife-Porto e estamos trazendo muitos turistas estrangeiros para o Brasil por meio do nosso hub em Recife. Existe um trabalho importante que todos nós precisamos fazer.”
Na sequência, destacou a importância da utilização de dados para orientar decisões comerciais, afirmando que esse processo passou a ser prioridade dentro da companhia. “Durante muito tempo vimos decisões sendo tomadas sem uma análise aprofundada. Não temos mais tempo para desperdiçar recursos”, afirma. Segundo ele, essa mesma orientação tem sido transmitida às equipes da empresa.
Aproximação da Azul com o mercado
Bezerra explicou que assumiu a diretoria comercial da Azul há aproximadamente um ano, após atuar durante muitos anos diretamente com agentes de viagens. Segundo ele, o convite partiu da vice-presidência da companhia justamente pela experiência construída ao lado do trade turístico. “Nosso papel hoje na Azul é aproximar ainda mais a companhia dos agentes de viagens, sejam consolidadoras, operadoras, agências corporativas ou agentes independentes”, explica.
Ele acrescentou que uma das primeiras medidas tomadas ao assumir a função foi ouvir o mercado. Os primeiros encontros foram marcados por críticas recebidas da rede de distribuição. “Acho que isso está mudando. Escutar é entender. Nem tudo conseguimos atender, mas precisamos tentar”, afirma. O objetivo atual é manter presença constante junto aos parceiros comerciais para identificar oportunidades de expansão da malha aérea e melhorias operacionais. “Todas as sugestões que recebo são levadas para dentro da Azul como oportunidades.”
Ao apresentar um panorama da empresa, ele destacou que a Azul atende atualmente mais de 130 destinos brasileiros e mantém forte presença em mercados regionais. Aproximadamente 80% das rotas operadas pela companhia são exclusivas. O diretor lembrou que a companhia completa 18 anos de operação e afirmou que, desde sua criação, a estratégia sempre foi conectar cidades de diferentes portes. “A Azul decidiu voar para todo o Brasil.”
Para isso, explicou, a empresa opera diferentes modelos de aeronaves, permitindo atender aeroportos com características distintas. Essa estratégia contribui para o desenvolvimento econômico de diversas regiões. “Quando começamos a voar para determinadas localidades, ajudamos no desenvolvimento econômico desses lugares.”
Como exemplo, Bezerra citou o Programa Asas da Amazônia, que permite o transporte de produtos produzidos por pequenos empreendedores da região amazônica. “O artesanato e os produtos que antes levavam dias para chegar aos grandes centros passaram a ser transportados de avião. Além disso, concedemos cerca de 90% de desconto no frete para esses microempreendedores.” A expansão da Azul Viagens contribuiu para aumentar o fluxo turístico em diversos destinos brasileiros. “Quando colocamos voos dedicados para destinos como Maceió e Natal, saindo diretamente do interior dos estados, toda a economia local cresce. O pequeno empreendedor que está na praia passa a receber mais turistas”, reflete.
A estratégia agora é ampliar esse modelo em parceria com operadoras de turismo. “Estamos trabalhando para realizar mais bloqueios, criar voos dedicados e ampliar nossa atuação tanto no turismo de lazer quanto no corporativo.” O executivo reforçou que pretende continuar levando todas as demandas apresentadas pelos agentes de viagens para avaliação interna.
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