GBTA
Pressão de custo tem origem em um choque abrupto nos mercados globais de energia no início de 2026 (Divulgação/Kléber Galvão)

Um novo estudo divulgado pela Global Business Travel Association (GBTA), na última terça-feira (28), mostra que os custos de viagens corporativas devem permanecer pressionados globalmente até o fim de 2026, movidos sobretudo pela alta do combustível de aviação, com moderação prevista apenas a partir de 2027.

Diante de um custo empurrado por forças que as empresas não controlam, a associação reforça que a diferença passa a ser feita menos pela tentativa de reverter o preço e mais pela qualidade da gestão do programa de viagens.

GBTA Convention 2026

A expectativa é que esse cenário e as estratégias para lidar com a volatilidade dos custos estejam entre os principais temas de debate da GBTA Convention 2026, principal evento mundial do setor de viagens corporativas, que será realizado entre os dias 3 e 5 de agosto, em Chicago (EUA).

A programação reunirá líderes da indústria, gestores de viagens e fornecedores para discutir tendências, pesquisas e tecnologias voltadas ao aumento da eficiência, da previsibilidade e da resiliência dos programas de viagens em um contexto de custos ainda pressionados.

De acordo com a projeção global da GBTA, o preço médio da passagem aérea deve fechar 2026 em alta de 4,7% frente a 2025, com a tarifa econômica subindo 8,7% e a tarifa premium avançando 9,5%. Para 2027, a associação projeta desaceleração, com a tarifa geral subindo cerca de 1,5%.

No Brasil, os números oficiais mostram um cenário ainda mais agudo do que a média mundial: os dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apontam que a tarifa aérea doméstica real, já descontada a inflação, subiu 11,2% em maio de 2026 na comparação com o mesmo mês de 2025, superando a alta projetada pela GBTA até para a tarifa econômica global.

O principal responsável, segundo a própria Anac, é o custo do querosene de aviação (QAV), que acumulou alta de 68,5% em 12 meses e hoje representa cerca de 46% do custo operacional das companhias aéreas brasileiras.

A pressão de custo tem origem em um choque abrupto nos mercados globais de energia no início de 2026, que elevou fortemente o preço do petróleo e do combustível de aviação em todo o mundo, com efeitos em cascata sobre o custo operacional das companhias aéreas.

Segundo a GBTA, parte dessa pressão deve ceder ao longo de 2027, à medida que a oferta de combustível se normaliza, mas outros fatores, como custo de mão de obra e exigências de sustentabilidade no setor aéreo, devem continuar pressionando o custo da viagem corporativa mesmo depois que o choque inicial passar.

Aviação na América Latina

A projeção trata a América Latina como uma região particular dentro do cenário global. Na aviação, a GBTA projeta que a capacidade das companhias na região está crescendo junto com a demanda, o que ajuda a moderar o aumento de tarifas em comparação a outras regiões do mundo.

Os dados brasileiros contam uma história diferente: mesmo com o transporte aéreo doméstico batendo recorde de passageiros, 42 milhões de janeiro a maio de 2026, alta de 6% sobre o mesmo período de 2025, a tarifa média subiu de forma consistente acima da inflação, movida quase inteiramente pelo custo do combustível.

Hospedagem mais cara

Já na hospedagem, o padrão se confirma com mais fidelidade. A GBTA projeta a América Latina como a região com o maior crescimento de diária média de hotel entre todas as analisadas, 9,5% em 2026, resultado de uma demanda que cresce mais rápido que a oferta de novos empreendimentos.

Os dados do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB) confirmam a direção: no acumulado do primeiro semestre de 2026, a diária média nacional avançou 5,7% frente ao mesmo período de 2025, com praças como Curitiba, que registrou alta de 18,2% em junho, e Porto Alegre, com 16,6% em maio, superando até a própria média projetada pela GBTA para toda a região.

Tanto a GBTA quanto os especialistas ouvidos convergem em um ponto: diante de um custo que sobe por forças macroeconômicas fora do alcance de qualquer empresa, a diferença é feita menos pela tentativa de reverter o preço e mais pela qualidade da gestão do programa de viagens.

Hora de reajustar orçamentos

A recomendação da associação para os próximos meses é reajustar o orçamento à nova realidade tarifária em vez de planejar com base em preços de 2025, aproveitar o momento em que a pressão do combustível começa a ceder para negociar acordos de mais longo prazo com fornecedores, e considerar o efeito do câmbio no planejamento de viagens internacionais.

Mais do que buscar um preço menor, o desafio passa a ser transformar a volatilidade em previsibilidade, com dados, política clara e visibilidade em tempo real.

“Em um ano como este, o preço da viagem depende muito mais do barril de petróleo do que de qualquer negociação. Por outro lado, o que a empresa controla não é o custo do combustível, é a qualidade da própria gestão. Programas de viagens bem geridos não prometem reverter uma alta que é do mundo inteiro, mas dão à empresa clareza para decidir, previsibilidade para planejar e disciplina para não pagar mais do que precisa, todos os dias, e não uma vez por ano”, afirmou Luiz Moura, cofundador e diretor de negócios da VOLL.

Ele estará presente no GBTA Convention 2026 na próxima semana. Com raiz em mais de quinze anos de operação em viagens corporativas e tecnologia própria desenvolvida a partir de 2018, a VOLL foi a primeira do segmento a desenvolver agentes de inteligência artificial dedicados a apoiar a gestão de viagens e despesas com resultado mensurável.

A iniciativa foi reconhecida pelo Inbrasc (Instituto Brasileiro de Supply Chain), pelo case de sucesso que celebrou R$ 157 milhões de redução de custos pelo Banco Itaú.

Entre esses agentes está o AirSave, em operação desde agosto de 2025, desenhado para dar previsibilidade justamente na etapa mais volátil da compra: ele acompanha a variação de preço da passagem na janela entre a reserva e a emissão do bilhete e reemite o voo automaticamente caso surja uma tarifa menor, sem alterar a jornada do viajante nem depender de aprovação manual, garantindo que a empresa pague o menor preço disponível sem que ninguém precise ficar monitorando tarifa.

Além de reduzir despesas pontualmente, a gestão inteligente de viagens ganha protagonismo ao transformar dados em decisões, aumentar a previsibilidade dos orçamentos e garantir eficiência contínua, mesmo em um ambiente de alta volatilidade.

Assim, soluções baseadas em tecnologia e inteligência artificial deixam de ser apenas uma inovação e passam a integrar a estratégia financeira e operacional das organizações.