
O turismo mexicano começou 2026 com sinais de desaceleração, especialmente no mercado internacional. Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Geografia (INEGI) mostram que, no primeiro trimestre do ano, o crescimento no número de visitantes estrangeiros foi praticamente estável, enquanto os gastos dos turistas registraram queda, refletindo um cenário de maior cautela no consumo durante as viagens.
Segundo o levantamento, o Produto Interno Bruto (PIB) do turismo do México recuou 0,8% em comparação com o primeiro trimestre de 2025. Ao mesmo tempo, as despesas relacionadas ao setor diminuíram 1,1% no período.
A demanda internacional apresentou crescimento de apenas 0,1%, indicando uma estagnação na chegada de turistas estrangeiros. Já as viagens domésticas tiveram retração de 0,7%, embora o comportamento do consumo interno tenha seguido uma trajetória diferente ao longo do período.
O dado que mais chama atenção é a redução dos gastos dos visitantes internacionais. Na comparação trimestral, as despesas caíram 5,9%, enquanto, em relação ao mesmo período do ano passado, a retração chegou a 18,4%.
Os números de maio reforçam essa tendência. O México recebeu 8,36 milhões de viajantes internacionais no mês, mas o gasto médio por turista encolheu quase 5%, resultando em uma redução de 0,6% no volume total de receitas geradas pelos visitantes estrangeiros.
Apesar do desempenho mais fraco, especialistas apontam que o cenário pode estar mais relacionado ao contexto econômico global do que a uma perda de competitividade do destino. A inflação persistente e o aumento dos custos com passagens aéreas, hospedagem e alimentação em diversos mercados podem estar levando os turistas a controlarem melhor seus orçamentos durante as viagens internacionais, reduzindo o consumo nos destinos visitados.
Enquanto isso, o turismo doméstico segue demonstrando resiliência. No primeiro trimestre de 2026, os gastos dos viajantes mexicanos cresceram 0,5% em relação ao trimestre anterior e avançaram 5,4% na comparação anual, indicando que o mercado interno continua sustentando parte da atividade turística do país.
O desempenho contrasta com os resultados registrados em 2025. De acordo com um estudo do World Travel & Tourism Council (WTTC), o PIB do turismo no México cresceu 1,8% no ano passado, superando o desempenho dos Estados Unidos e do Canadá. No mesmo período, os gastos de turistas internacionais aumentaram 6,1%, enquanto os dois países vizinhos registraram retração nesse indicador.
Os dados divulgados pelo INEGI também não consideram os impactos da Copa do Mundo da FIFA de 2026, realizada conjuntamente por México, Estados Unidos e Canadá. Estimativas apontam que o torneio movimentou aproximadamente US$ 2,4 bilhões em receitas turísticas no país, o que deve influenciar positivamente os resultados dos próximos levantamentos.
Dessa forma, embora o início de 2026 apresente um cenário de menor dinamismo para o turismo internacional mexicano, a expectativa é de que os efeitos econômicos do Mundial contribuam para impulsionar o setor ao longo do ano. O próprio WTTC projetava uma expansão de 2,4% do PIB do turismo mexicano em 2026 impulsionada pelo megaevento.







