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Geliandro Ribeiro, sócio da Casa Mahlzeit – Construção de 1910 preserva a história da comunidade e reúne receitas, embutidos e produtos ligados à tradição gastronômica alemã (Beatriz Waehneldt/M&E)

Pomerode (SC) – Uma antiga casa de comércio construída em 1910 ganhou uma nova função dentro da Rota do Enxaimel, em Pomerode (SC). Restaurado para receber visitantes, o imóvel abriga atualmente o Mahlzeit Café Colonial, que aposta em receitas de tradição alemã para transformar a gastronomia em uma experiência de imersão na cultura local.

A Rota do Enxaimel fica no bairro Testo Alto, em Pomerode, e reúne cerca de 50 casas erguidas na técnica construtiva que dá nome ao local, ao longo de 16 quilômetros de paisagem tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A Organização das Nações Unidas (ONU) elegeu a rota uma das melhores vilas turísticas do mundo pelo conteúdo histórico e cultural preservado pelos descendentes de imigrantes alemães.

A história da rota, começa antes dos restaurantes e das experiências de visitação. A técnica enxaimel foi trazida para Santa Catarina por imigrantes alemães no século XIX. Ela utiliza peças de madeira encaixadas para formar uma estrutura em treliça, com os espaços entre as madeiras preenchidos por materiais como tijolos ou taipa. A construção não depende de pregos ou parafusos para a união das principais peças estruturais.

Em 2026, a rota ganhou reconhecimento na legislação federal com a Lei nº 15.361, de 25 de março. Esta, instituiu oficialmente a Rota Turística do Enxaimel, entre as rotas turísticas nacionais. No trajeto, percorrido de carro, de bicicleta ou com guia local, funcionam durante todo o ano estabelecimentos como a fábrica de chocolates Nugali e o Mahlzeit Café Colonial, além de restaurantes, lojas de produtos coloniais e trilhas na Mata Atlântica.

Mahlzeit Café Colonial é a mais nova aposta cultural na Rota do Enxaimel

O Mahlzeit Café Colonial funciona em outra construção histórica da Rota do Enxaimel, na Rua Testo Alto, 7.097. A casa foi construída em 1910 e passou por restauração antes de receber o café colonial. Localizado na Rua Testo Alto, 7097, o Mahlzeit funciona de quinta-feira a segunda-feira, das 11h às 18h, em esquema de buffet livre.

Segundo Geliandro Fidélis Ribeiro, sócio do Mahlzeit, o imóvel funcionava anteriormente como um comércio. “Por isso que ela é um pouco diferente das outras casas em relação ao tamanho. O salão principal que usamos hoje para o café era o comércio do bairro”, relata. O antigo estabelecimento atendia moradores da região que compravam produtos que não eram produzidos nas propriedades locais. Entre os itens comercializados estavam farinha, açúcar e sal. O espaço também servia para a troca de mercadorias, dentro de uma dinâmica comum às comunidades rurais formadas por imigrantes.

O buffet do café Mahlzeit, que busca incorporar história aos pratos, reúne salgados, pastelão, cucas, strudels e doces associados à tradição germânica. Os embutidos são produzidos em Pomerode e aparecem em diferentes preparações. Entre eles estão linguiça, morcilha branca e escura, Zwiebelwurst e galantina, chamada no estabelecimento de presunto alemão. O cardápio também inclui queijo colonial, torta alemã, torresmo moído e patê de linguiça. Entre os itens recomendados por Ribeiro estão o Apfelstrudel (de maçã), o Käse Strudel (de queijo) e o Käsekuchen (torta de queijo). “Temos o pastelão ou empadão de frango, torta de legumes e as tradicionais salsichas alemãs, Bratwurst e a Bockwurst”, explica Ribeiro.

A produção própria também faz parte do cardápio. O estabelecimento prepara geleias de morango e banana e produz o doce de leite servido no café. O Cará Brot, pão preparado com batata-doce, farinha de milho e cará, também integra o conjunto de receitas. “O Cará é uma espécie de batata também, que é plantada pelas famílias da região”, detalha.

O café completou seis meses de funcionamento no momento da entrevista, de acordo com Ribeiro, a Rota do Enxaimel tem despertado interesse nos turistas e na própria região pela questão do resgate cultural, de trazer de volta o que o imigrante sempre produziu. “Sentíamos falta de um café aqui na região: já tínhamos a fábrica de chocolates, restaurantes, lojas, artesanato e produção de bolachas, mas não tínhamos um café. Daí surgiu a ideia de montar um café colonial, para que as pessoas pudessem fazer essa imersão na cultura gastronômica”, explica.

A rota já foi premiada ao longo dos últimos anos, com diversos prêmios internacionais, e essa divulgação acaba trazendo mais visitantes. “Nossa expectativa é estar junto desse movimento, para que a comida cultural desperte o interesse das pessoas em conhecer um pouco mais a cultura da região”, pondera o sócio.