
Quem estiver viajando pela Europa nesta quarta-feira (12) terá a oportunidade de incluir um espetáculo raro no roteiro: um eclipse solar total vai atravessar parte do continente e transformar o céu de destinos como Espanha e Portugal. O fenômeno também poderá ser observado em sua totalidade em regiões da Groenlândia, Islândia e norte da Rússia.
Para os viajantes, porém, há uma diferença importante entre estar em um país que aparece no mapa do eclipse e conseguir acompanhar a chamada totalidade. A faixa em que a Lua cobrirá completamente o Sol é bastante estreita. Na Europa continental, ela atravessará principalmente a Espanha e chegará a uma pequena área no extremo noroeste de Portugal.
Em outras partes do continente, o fenômeno será parcial, mas ainda assim poderá proporcionar uma experiência visual incomum. Lisboa, por exemplo, terá 95% do Sol encoberto no auge do eclipse, enquanto Madrid chegará a 99%. Paris terá 92% e Londres, 91%.
Para quem já estiver com viagem marcada, portanto, o fenômeno pode ser uma oportunidade de escolher um destino ou ajustar o roteiro para observar o eclipse em melhores condições.
Portugal entra na rota, mas totalidade fica restrita ao norte
Portugal é um dos pontos que ajudam a explicar o aumento do interesse turístico pelo fenômeno. Embora o país esteja na trajetória do eclipse, a totalidade será restrita a uma pequena faixa no extremo norte, na região do Parque Natural de Montesinho, próximo a Bragança.
No restante do território português, o eclipse será parcial. Em Lisboa, a Lua chegará a cobrir 95% do disco solar no momento máximo, segundo a NASA. O início da fase parcial está previsto para 18h39 no horário local, com máximo às 19h36 e término às 20h29.
A experiência será especialmente diferente porque o eclipse ocorrerá no fim do dia em parte da Península Ibérica. Na Espanha e no noroeste de Portugal, a totalidade acontecerá pouco antes do pôr do sol, criando a possibilidade de combinar o fenômeno astronômico com uma paisagem de fim de tarde.
A procura por locais na faixa de totalidade também já movimenta o turismo português. Segundo informações divulgadas pela imprensa local, a região do Parque Natural de Montesinho registra aumento da demanda por hospedagem para acompanhar o fenômeno.
Espanha é uma das melhores apostas para quem quer ver o céu escurecer
Para quem estiver na Espanha, as possibilidades são ainda maiores. Cidades como León e Zaragoza estarão dentro da faixa de totalidade, enquanto outras localidades também poderão observar o Sol quase completamente encoberto.
Em León, por exemplo, a fase parcial começará às 19h32, no horário local, e a totalidade terá início às 20h28, permanecendo por aproximadamente dois minutos. Em Zaragoza, a totalidade começará às 20h29 e terminará às 20h30.
Valencia também estará na faixa do eclipse total, com a totalidade começando às 20h32 e terminando às 20h33. Como o fenômeno ocorrerá próximo ao pôr do sol, a visibilidade dependerá também das condições do horizonte e do tempo no destino.
A Espanha ainda tem um atrativo adicional para os turistas interessados em astronomia: o país será palco de outros dois eclipses solares totais nos próximos anos, em 2027 e 2028, criando uma sequência excepcional de eventos astronômicos na Península Ibérica.
E quem estiver em outros destinos da Europa?
Mesmo fora da faixa de totalidade, quem estiver viajando por diversos países europeus poderá acompanhar um eclipse parcial.
Em Londres, por exemplo, 91% do Sol estará encoberto no momento máximo. Em Paris, serão 92%, enquanto Milão terá 92%, Oslo, 83%, Estocolmo, 81%, Viena, 85%, e Saint Petersburg, na Rússia, 79%.
Isso significa que uma viagem pela Europa nesta semana não precisa necessariamente ser alterada para incluir o fenômeno. Dependendo da cidade, bastará procurar um local com boa visibilidade do céu e acompanhar o momento máximo.
A diferença é que somente quem estiver dentro da faixa de totalidade verá o disco solar completamente coberto pela Lua e poderá experimentar a mudança brusca de luminosidade característica desse tipo de eclipse.
Como acontece um eclipse solar total?
O fenômeno ocorre quando a Lua passa entre a Terra e o Sol e projeta sua sombra sobre a superfície terrestre. Nas regiões atingidas pela parte mais escura da sombra, chamada umbra, o Sol fica completamente encoberto e ocorre a totalidade. Já nas áreas atingidas pela penumbra, apenas uma parte do disco solar é escondida, caracterizando o eclipse parcial.
A faixa de totalidade é estreita justamente por causa do tamanho da sombra projetada pela Lua. Segundo a NASA, a umbra de um eclipse solar tem cerca de 480 quilômetros de largura. Conforme a Terra gira e a sombra lunar se desloca, ela percorre diferentes regiões do planeta, criando uma espécie de corredor de observação.
É por isso que um mesmo eclipse pode ser total em uma cidade e parcial a poucos quilômetros de distância.
Fenômeno será breve — e exige planejamento
Outro fator que torna a experiência especial é a duração. Para a maior parte das localidades dentro da faixa de totalidade, o Sol ficará completamente encoberto por menos de dois minutos. Mesmo nos pontos mais próximos do centro da trajetória, a totalidade não chegará a dois minutos e meio.
Para o viajante que pretende acompanhar o fenômeno, isso significa que chegar com antecedência ao local escolhido é fundamental. Além de encontrar um ponto com horizonte aberto, é importante considerar o trânsito, a lotação e, principalmente, a previsão meteorológica.
Em destinos próximos ao limite da faixa de totalidade, alguns quilômetros podem fazer diferença entre acompanhar o eclipse como total ou parcial.
E quem estiver no Brasil?
O eclipse de 12 de agosto não será visível no Brasil, nem mesmo de forma parcial. A alternativa para quem estiver no país será acompanhar o fenômeno por transmissões online de observatórios e instituições científicas.
A NASA também disponibiliza informações e acompanhamento do evento, enquanto o Observatório Nacional mantém iniciativas de observação remota para eventos astronômicos.
Segurança vem antes da fotografia
Para quem pretende aproveitar a passagem do eclipse pela Europa, o planejamento deve incluir também os cuidados necessários para observar o fenômeno com segurança. Durante as fases parciais, quando ainda houver qualquer parte do Sol visível, não é recomendado olhar diretamente para o astro sem proteção específica.
Óculos de sol convencionais não oferecem a proteção necessária, assim como câmeras, binóculos e telescópios sem filtros solares apropriados. Segundo a NASA, o único momento em que é seguro observar o Sol a olho nu é durante a breve fase de totalidade, quando a Lua cobre completamente o disco solar. Assim que qualquer parte do Sol voltar a aparecer, a proteção deve ser utilizada novamente.







