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Passagens aéreas sobem 11,67% e pressionam inflação de julho no Brasil (Criado com IA/ Freepik)

A inflação oficial brasileira desacelerou pelo quarto mês consecutivo em julho, mas o comportamento dos preços não foi uniforme entre os setores. Enquanto alimentos ficaram mais baratos e ajudaram a conter o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), as passagens aéreas registraram alta de 11,67%, o maior avanço entre os itens do grupo Transportes. O índice geral subiu 0,07% no mês e acumulou alta de 4,44% em 12 meses, voltando para dentro do intervalo de tolerância da meta estabelecida pelo governo.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado de julho ficou exatamente em linha com a projeção apresentada pelo mercado financeiro no boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (10).

Apesar da forte alta das tarifas aéreas, o grupo Transportes teve variação de 0,05% no mês. O impacto das passagens foi parcialmente compensado pela queda nos preços dos combustíveis, que recuaram 1,44% em julho.

Passagens aéreas sobem 11,67% em julho

As passagens aéreas foram um dos principais destaques de alta no IPCA de julho. O avanço de 11,67% ocorreu em um mês no qual o índice geral praticamente ficou estável, com alta de apenas 0,07%.

O aumento das tarifas aéreas chama atenção justamente porque ocorreu em meio à desaceleração da inflação. No grupo Transportes, o movimento foi diferente entre os componentes. Enquanto as passagens ficaram mais caras, os combustíveis registraram queda.

O etanol teve redução de 2,26%, seguido pela gasolina, que caiu 1,37%. O óleo diesel recuou 1,22%, enquanto o gás veicular apresentou baixa de 0,08%.

A alta das passagens aéreas, portanto, contrastou com o comportamento dos combustíveis e contribuiu para manter o setor de transportes no campo positivo durante o mês.

Para o consumidor, o resultado significa que a desaceleração da inflação não foi acompanhada de redução generalizada nos custos relacionados às viagens. Quem precisou comprar uma passagem aérea em julho encontrou tarifas significativamente mais altas em relação ao mês anterior.

Alta das tarifas ocorre em meio à queda do IPCA

O comportamento das passagens aéreas ganha ainda mais destaque quando comparado com os demais grupos pesquisados pelo IBGE. O IPCA de julho foi de 0,07%, o menor resultado desde agosto de 2025, quando a inflação havia registrado 0,11%.

Entre os nove grupos analisados, Alimentação e Bebidas apresentou queda de 0,67%, com impacto negativo de 0,14 ponto percentual no índice. Vestuário recuou 0,66%, enquanto Educação caiu 0,03%.

Na direção oposta, Habitação teve alta de 0,99%, com impacto de 0,15 ponto percentual. Saúde e Cuidados Pessoais subiram 0,40%, Despesas Pessoais avançaram 0,22% e Artigos de Residência registraram alta de 0,07%.

Alimentos mais baratos seguram inflação

A principal contribuição para a desaceleração do IPCA veio dos alimentos. Pelo segundo mês consecutivo, o grupo Alimentação e Bebidas apresentou deflação. Em julho, a queda foi de 0,67%, depois de uma redução de 0,24% em junho.

Dentro da alimentação consumida em casa, a redução chegou a 1,14%. O movimento foi puxado principalmente pelo grupo de tubérculos, raízes e legumes, que teve queda de 16,15%.

O tomate foi o produto que mais contribuiu individualmente para a redução da inflação, com recuo de 29,09%. A batata-inglesa caiu 19,59%, enquanto a cenoura ficou 14,41% mais barata.

O café moído também apresentou queda, de 2,45%.

Segundo Fernando Gonçalves, analista da pesquisa do IBGE, a maior oferta de determinados alimentos contribuiu para a redução dos preços. “O clima ficou mais favorável”, afirmou.

O café também apresentou um resultado relevante no acumulado de 12 meses. A queda de 17,2% foi apontada pelo IBGE como a maior redução registrada para o produto desde o início do Plano Real, em 1994.

Energia elétrica tem alta de 3,09%

Se os alimentos ajudaram a conter o IPCA, a energia elétrica residencial exerceu forte pressão sobre o resultado de julho.

A conta de luz subiu 3,09% no mês e teve o maior impacto individual de alta no índice, contribuindo com 0,13 ponto percentual para o IPCA.

Segundo o IBGE, o resultado está relacionado a reajustes aplicados em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Como o IPCA é calculado a partir dos preços coletados em diferentes regiões do país, mudanças específicas em determinadas localidades também influenciam o resultado nacional.

Para agosto, porém, a expectativa é de redução dessa pressão sobre os consumidores. O IBGE destaca que os consumidores devem receber o desconto conhecido como Bônus Itaipu, aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Inflação volta para dentro da meta

Com a alta de 0,07% em julho, o IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4,44%. O resultado colocou novamente a inflação dentro do intervalo de tolerância da meta do governo.

A meta é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, o limite superior é de 4,5%.

O acumulado havia ficado em 4,39% em abril, mas ultrapassou o teto da meta nos dois meses seguintes. Em maio, chegou a 4,72% e, em junho, ficou em 4,64%.

Desde o início de 2025, o sistema de acompanhamento da meta considera a inflação acumulada nos 12 meses imediatamente anteriores. A regra prevê que a meta seja considerada descumprida quando o índice permanece acima do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos.

IPCA de julho foi o menor desde 2022

O resultado de julho também se destacou na comparação com os mesmos meses de anos anteriores. Considerando apenas os meses de julho, o índice de 0,07% foi o menor desde 2022, quando houve deflação de 0,68%.

O índice de difusão, que mede a proporção de produtos e serviços que registraram aumento de preços, ficou em 50%. Isso significa que metade dos 377 itens acompanhados pelo IBGE apresentou alta durante o mês.

A trajetória do IPCA ao longo de 2026 mostra uma desaceleração gradual depois do pico registrado em março. O índice passou de 0,33% em janeiro para 0,70% em fevereiro e chegou a 0,88% em março. Depois, recuou para 0,67% em abril, 0,58% em maio, 0,16% em junho e, finalmente, 0,07% em julho.

Mercado prevê inflação de 5,02% em 2026

Apesar da desaceleração observada nos últimos meses, as projeções do mercado financeiro ainda apontam para uma inflação acima da meta de 3% no encerramento de 2026.

De acordo com o boletim Focus divulgado pelo Banco Central em 10 de agosto, a expectativa das instituições financeiras consultadas é de IPCA acumulado de 5,02% no ano.

O resultado de julho, portanto, representa uma melhora no comportamento recente dos preços, mas não elimina as pressões existentes em setores específicos.

Entre elas está o transporte aéreo. A alta de 11,67% das passagens aéreas em julho mostra que, mesmo com a inflação geral próxima da estabilidade, alguns componentes da cesta de consumo podem registrar aumentos expressivos e pesar diretamente no orçamento de quem pretende viajar.

O IPCA é calculado pelo IBGE para medir a variação do custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos. A pesquisa acompanha preços de produtos e serviços em dez regiões metropolitanas, além de Brasília e das capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.

O resultado de julho combina, assim, dois movimentos distintos: alimentos mais baratos ajudaram a levar a inflação acumulada novamente para dentro da meta, enquanto as passagens aéreas tiveram uma das maiores altas individuais do mês, avançando 11,67%.