PGA capta R$ 25 milhões na B3 para expandir hotelaria no Nordeste
Grupo pernambucano estreia no mercado de capitais e amplia parceria com a Marriott, que prevê 30 novos hotéis na região (Márcio Diniz/M&E)

O grupo pernambucano PGA Hotels & Resorts captou R$ 25 milhões no mercado de capitais para financiar a expansão de sua operação hoteleira no Nordeste. A emissão de notas comerciais foi realizada pela B3 e marcou a estreia do grupo no mercado de capitais. A cerimônia de toque de campainha ocorreu nesta terça-feira (18), em São Paulo, com a presença de representantes da PGA, da Fábrica de Hotéis, do Itaú Empresas e de executivos da Marriott International.

Entre os representantes da Marriott estavam Paulo Mancio, vice-presidente de desenvolvimento de negócios no Brasil; Laurent de Kousemaeker, Chief Development Officer para América Latina e Caribe; Brenda Durham, Chief Legal Officer; e Bojan Kumer, vice-presidente regional de desenvolvimento. A presença da alta cúpula da companhia reforçou a importância da parceria com o grupo pernambucano dentro da estratégia de crescimento da Marriott no país.

A captação foi estruturada pelo Itaú Empresas e utilizou as regras do Regime Fácil, mecanismo criado para simplificar o acesso de empresas de menor porte ao mercado de capitais. Os recursos serão destinados ao pipeline de novos empreendimentos ligados às marcas Westin e City Express by Marriott no Nordeste.

Segundo Tarcysio Malheiros, diretor da Fábrica de Hotéis, os R$ 25 milhões poderão ser utilizados em diferentes etapas dos empreendimentos, incluindo projetos, aprovações, desenvolvimento, implantação, obras, equipamentos, mobiliário e preparação das unidades para a abertura.

“Mais do que financiar um empreendimento isoladamente, esses R$ 25 milhões contribuem para dar maior velocidade ao nosso pipeline de expansão”, afirmou Malheiros.

Recursos para novos projetos em parceria com a Marriott

A operação ocorre nos primeiros meses de funcionamento do Regime Fácil, que entrou em vigor em 16 de março de 2026. O mecanismo é voltado a companhias com receita bruta anual de até R$ 500 milhões e simplifica procedimentos relacionados a registro, ofertas públicas e prestação de informações.

Para a PGA, a captação amplia as alternativas de financiamento para uma carteira de projetos que exige recursos antes mesmo da chegada dos primeiros hóspedes. Entre a escolha de uma área e a abertura de um hotel, existem despesas com licenciamento, projetos, construção, equipamentos e montagem da operação.

A empresa passa a combinar o mercado de capitais com capital próprio, financiamento bancário e investidores privados. A primeira emissão também cria um histórico da companhia como emissora de títulos e abre espaço para futuras operações.

“A emissão de títulos de dívida corporativa por meio do Regime Fácil se destaca como uma alternativa ágil e estratégica”, afirmou Flavia Mouta, diretora de Listagem e Relacionamento da B3.

O Grupo PGA foi a quarta empresa a emitir títulos de dívida corporativa pelas regras do Regime Fácil desde março. Segundo a B3, as quatro operações registradas somam R$ 149 milhões, entre três emissões de notas comerciais e uma de debêntures.

Da operação em Porto de Galinhas à Marriott

A trajetória da PGA começou na hotelaria de Porto de Galinhas com o casal Ana Helena e Eduardo Malheiros. O empreendimento original, o Porto de Galinhas Resort & Spa, deu origem à operação que posteriormente passou a trabalhar com a Marriott International.

O processo de transformação do hotel começou em 2016, quando o grupo iniciou um retrofit com o objetivo de adequar o empreendimento aos padrões exigidos por uma bandeira internacional. Segundo Eduardo Malheiros, a estratégia foi preparar o projeto antes mesmo da chegada de uma marca.

A negociação com a Marriott avançou durante a pandemia e resultou na entrada da bandeira Westin no empreendimento. Em 2021, PGA e Marriott formalizaram a parceria que transformou o resort no The Westin Porto de Galinhas, primeiro hotel da marca Westin na América do Sul.

Ao falar sobre a decisão de buscar uma bandeira internacional, Malheiros resumiu a estratégia em uma frase: “A gente comprou o tempo”. Segundo o empresário, a parceria permitiu incorporar décadas de experiência da Marriott ao desenvolvimento hoteleiro do grupo.

Eduardo Malheiros acumula mais de três décadas de atuação no setor. A segunda geração da família também participa da expansão. Tarcysio Lacerda Malheiros dirige a Fábrica de Hotéis, empresa responsável pelo desenvolvimento dos novos empreendimentos.

Westin amplia presença na Paraíba

Um dos projetos que fazem parte dessa expansão é o The Westin João Pessoa, no Polo Turístico Cabo Branco, na Paraíba. A instalação do empreendimento foi formalizada em março de 2025, em uma parceria entre Westin Hotels & Resorts, PGA Administradora de Hotéis e Grupo Delta.

O projeto prevê investimento superior a R$ 143 milhões e terá 168 apartamentos, 24 suítes e dez villas. A estrutura também contará com spa, espaços para reuniões e cinco restaurantes.

Na fase de construção, a estimativa divulgada pelo Governo da Paraíba é de mais de 340 empregos diretos. O empreendimento amplia a atuação da PGA para outro mercado turístico do Nordeste.

Além do projeto paraibano, o grupo prepara novos investimentos no The Westin Porto de Galinhas. Em entrevista, Eduardo  revelou que o resort receberá um investimento superior a R$ 30 milhões em um novo rooftop, com inauguração prevista para setembro.

O espaço terá um Club Lounge Westin voltado aos hóspedes das categorias Elite do Marriott Bonvoy, restaurante, bar e terraço panorâmico. A proposta gastronômica também contempla a busca por uma futura chancela do Guia Michelin.

“Hotelaria é renovação diária. Não dá para ficar parado no tempo”, afirmou Eduardo Malheiros ao apresentar os novos investimentos. O grupo também criou uma estrutura interna dedicada ao uso de inteligência artificial para aprimorar serviços do resort.

Bandeira City Express terá 30 hotéis no Brasil

A estratégia de expansão não está concentrada na hotelaria de alto padrão. Em julho de 2025, a Marriott International e a Fábrica de Hotéis assinaram um acordo para desenvolver 30 hotéis da marca City Express by Marriott no Nordeste ao longo de 15 anos, com investimento total superior a R$ 1 bilhão. A bandeira atua no segmento midscale.

As primeiras sete unidades foram contratadas em uma cerimônia realizada em Porto de Galinhas. Em março de 2026, durante o SAHIC, no Rio de Janeiro, outros três contratos foram assinados.

Em julho deste ano, a parceria anunciou um novo City Express no Recife, com 200 apartamentos. Com isso, o número de projetos firmados chegou a pelo menos 11 dentro do acordo anunciado em 2025.

Um dos projetos já está em fase final de obras. O City Express by Marriott Suape terá 178 apartamentos e tem inauguração prevista ainda para 2026. A unidade integra a primeira leva dos empreendimentos que serão desenvolvidos pelo grupo na região.

A expansão também contempla outros mercados nordestinos e amplia a atuação da PGA para diferentes perfis de demanda. Enquanto a bandeira Westin está associada a empreendimentos de maior padrão, o City Express atua em uma faixa intermediária da hotelaria.

Mercado de capitais entra na estratégia da PGA

PGA capta R$ 25 milhões na B3 para expandir hotelaria no Nordeste
Para a PGA, os R$ 25 milhões captados representam recursos para acelerar projetos que já integram o pipeline de expansão (Magnific/lifeforstock)

A primeira emissão de notas comerciais representa uma nova etapa na estratégia financeira da PGA. Ao acessar a B3, o grupo passa a contar com uma alternativa adicional para financiar o crescimento da carteira de hotéis.

“Esta operação representa um marco na história do Grupo PGA e inaugura uma nova fase de crescimento para a nossa empresa”, afirmou Eduardo durante a cerimônia na B3.

A operação também ocorre em paralelo à ampliação da presença da Marriott no Brasil. A companhia definiu o mercado brasileiro como uma frente de crescimento e trabalha na expansão de seu portfólio em diferentes segmentos, com novos projetos em destinos turísticos, cidades médias e capitais.

No caso da PGA, a parceria com a Marriott começou com Porto de Galinhas e passou a incluir projetos de diferentes categorias. O plano de 30 hotéis City Express no Nordeste é o principal eixo de expansão regional, enquanto os projetos Westin ampliam a presença do grupo na hotelaria de maior padrão.

Paulo Mancio, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Marriott no Brasil, afirmou durante o evento que a expansão brasileira foi definida no comitê global da companhia como um dos pilares estratégicos da empresa. A presença de executivos internacionais da Marriott na cerimônia da B3 acompanhou esse movimento. 

Para a PGA, os R$ 25 milhões captados representam recursos para acelerar projetos que já integram o pipeline de expansão. Para a Marriott, a parceria amplia a presença de suas marcas em um mercado regional que reúne destinos turísticos consolidados, novas áreas de desenvolvimento e demanda por diferentes categorias de hospedagem.

Segundo Gabriela Denadai, diretora do Itaú Empresas, a estruturação da operação envolveu análise do momento da companhia e orientação estratégica para a entrada no mercado de capitais “de forma segura e consistente”.