Turismo
Entidades defendem união do turismo para ampliar cruzeiros, destinos e investimentos no Brasil

BRASÍLIA – A cerimônia de abertura do 8º Fórum Clia Brasil 2026 foi encerrada na manhã desta quarta-feira (26), em Brasília, com representantes de diferentes entidades do turismo reforçando a necessidade de integração para ampliar o mercado de cruzeiros no país.

Representantes da Abav Nacional, Fornatur, CNC, Embratur, Braztoa e InvestSP, entre outras entidades, abordaram desde o papel dos agentes de viagens até a necessidade de novos portos, investimentos, segurança jurídica e maior aproximação com os destinos durante a solenidade.

Agentes de viagens como oportunidade de negócios

A presidente da Abav Nacional, Ana Carolina Medeiros destacou o mercado de cruzeiros como uma oportunidade de crescimento para as agências de viagens. Segundo ela, o produto permite agregar diferentes serviços à venda, como seguros, hospedagem, passagens aéreas e passeios nos destinos visitados.

“A gente está falando de uma grande oportunidade de negócio”, afirmou.

Ana Carolina também ressaltou que os cruzeiros atendem diferentes perfis de viajantes e possuem alto valor percebido, além de contar com treinamentos, campanhas e incentivos oferecidos por companhias marítimas, operadoras e fornecedores. Ao falar sobre o mercado brasileiro, defendeu que os navios estejam no país durante todo o ano.

“Temos um litoral magnífico, gigante e com clima maravilhoso o ano inteiro”, disse.

Fornatur defende integração nacional

A presidente do Fornatur e secretária de Turismo do Rio Grande do Norte, Marina Marinho ressaltou que os cruzeiros precisam ser tratados como parte estratégica da política nacional de turismo. Para ela, a chegada de um navio movimenta uma cadeia que vai muito além do porto, beneficiando restaurantes, bares, comércio, transporte, guias, artesanato, equipamentos culturais e pequenos negócios.

“Um navio que chega não traz apenas passageiros, traz oportunidades”, disse.

Marina defendeu avanços em infraestrutura portuária, competitividade, qualificação dos destinos, conectividade e segurança jurídica. Também ressaltou a necessidade de integração entre estados, municípios, governo federal e iniciativa privada.

“Ninguém anda sozinho. O turismo que queremos construir precisa ser um projeto coletivo de país”, declarou.

A presidente do Fornatur ainda destacou a importância de ampliar a presença feminina nos espaços de decisão do turismo, defendendo mais mulheres em posições de liderança em secretarias, empresas e entidades do setor.

CNC defende turismo como política de Estado

Representando a CNC e a FBHA, Alexandre Sampaio afirmou que o turismo deve ser tratado como uma atividade fundamental para o desenvolvimento do país, independentemente do governo que esteja no poder.

“O turismo é um setor alavanca, que exige investimentos, mas potencializa o engajamento, a empregabilidade e a atividade econômica”, defendeu.

Sampaio também destacou a atuação do Sistema CNC-Sesc-Senac na formação profissional e na oferta de serviços sociais, ressaltando a capacidade do turismo de envolver diferentes segmentos da população e gerar oportunidades.

Embratur vê espaço para novas paradas

Philipe Karat, Coordenador de Demanda e Transportes Multimodais da Embratur, também marcou presença no evento e colocou a expansão da infraestrutura e do ambiente regulatório como pontos centrais para o crescimento dos cruzeiros.

Segundo ele, o Brasil possui mais de 2 mil praias, mas conta atualmente com menos de 20 paradas de cruzeiros. Para Karat, existe espaço para desenvolver novos pontos de escala e ampliar a distribuição da atividade pelo território nacional.

“O investidor procura estabilidade. Precisamos acompanhar o desenvolvimento regulatório com o potencial de demanda e com o desenvolvimento das infraestruturas”, explicou.

Karat também avaliou que existem pelo menos dez portos com condições para receber uma embarcação fixa, ampliando a oferta e distribuindo melhor os passageiros pelo país.

Para ele, a expansão dos cruzeiros pode ajudar a superar limitações de capacidade na alta temporada e permitir que brasileiros e estrangeiros conheçam novos destinos nacionais.

Operadoras registram aumento nas vendas

Já para Fabiano Camargo, presidente da Braztoa, há sinais positivos vindos do mercado de distribuição. Segundo ele, mais de 50% das operadoras consultadas registraram crescimento nas vendas de cruzeiros neste ano, mantendo uma tendência observada nos últimos anos.

Camargo defendeu a união entre entidades, companhias, governo, Legislativo e Executivo para enfrentar os desafios do setor.

“Temos uma união e uma cooperação entre todos que estão nesta sala para dar o máximo e ajudar a Clia e as grandes empresas a trazerem mais cruzeiros”, reforçou.

São Paulo busca ampliar participação

Por fim, o consultor da InvestSP e da Secretaria de Turismo e Viagens de São Paulo, Luis Antonio Sobrinho destacou a relevância do estado para a indústria, responsável, segundo ele, por cerca de 60% dos desembarques de cruzeiros no Brasil.

Ele ressaltou que o trabalho precisa ir além da infraestrutura, aproximando os cruzeiros da população dos destinos. Como exemplo, citou ações realizadas em Santos para ampliar a integração dos moradores com a atividade durante a temporada.

Sobrinho também defendeu a criação de novos ativos e atrativos turísticos e uma maior promoção dos cruzeiros dentro do próprio Brasil.

“O Brasil precisa cada vez mais medir isso, investir nos portos e fazer com que essa indústria alcance o patamar que merece”, finalizou.

Após as falas de cada um dos representantes, a cerimônia de abertura do 8º Fórum Clia Brasil 2026 foi oficialmente encerrada e agora, o evento segue sua programação extensa nesta quarta-feira com painéis sobre o mercado global, impacto econômico, infraestrutura portuária e ambiente de negócios para os cruzeiros. O M&E fará a cobertura completa e em tempo real (real mesmo) do evento. Voce pode conferir tudo clicando AQUI.