
A Hero Seguros voltou a ser mencionada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) em uma nova medida envolvendo o segmento de seguro viagem. Dois anos após a autarquia apontar irregularidades em uma operação da Too Seguros que tinha a Hero MGA como representante, a Susep suspendeu cautelarmente, nesta quarta-feira (26), a operação da Generali Brasil Seguros no ramo de seguro viagem. Na decisão, a autarquia voltou a citar a Hero MGA, que agora atua como representante da seguradora nessa operação
A conexão entre os dois episódios não é apenas temporal. Na decisão mais recente, a própria Susep afirma que já havia identificado, em 2024, irregularidades em uma estrutura semelhante envolvendo a Hero MGA e outra seguradora. Segundo a autarquia, mesmo após aquele precedente, a empresa passou a atuar na operação da Generali em um modelo semelhante de remuneração, com mecanismos que, desta vez, teriam aprofundado a relação entre o pagamento à representante e o resultado dos sinistros.
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Embora as medidas cautelares tenham como alvo as seguradoras: a Too, em 2024, e a Generali, agora, a atuação da Hero aparece como elemento comum entre os dois casos. Segundo a Susep, a estrutura de remuneração identificada poderia criar conflito de interesses e comprometer o adequado tratamento dos segurados.
O novo episódio coloca em perspectiva um caso que já havia provocado questionamentos sobre a atuação da Hero no mercado de seguro viagem. O M&E relembra o que aconteceu em 2024, o que mudou desde então e quais são os pontos em comum e as diferenças entre os dois processos.
O caso Too Seguros
Em julho de 2024, a Susep pediu a suspensão imediata das atividades da Too Seguros no segmento de seguro viagem após uma fiscalização identificar uma série de irregularidades. A decisão foi publicada em primeira mão pelo M&E. Entre os pontos levantados estavam o crescimento abrupto dos prêmios arrecadados, o volume de cancelamentos de apólices, o índice de reclamações e problemas relacionados ao pagamento de sinistros.
Segundo a fiscalização da Susep, que analisou o período entre agosto de 2022 e julho de 2023, o relatório apontou que 10.444 pedidos de sinistro foram negados, enquanto 6.131 foram pagos. Na avaliação apresentada pela autarquia, o elevado número de negativas, associado ao modelo de remuneração da operação, poderia gerar um conflito de interesses para o consumidor.
Naquele momento, a Hero MGA aparecia como representante da Too no seguro viagem, sendo responsável por atividades como comercialização, atendimento e regulação dos processos de sinistro.
Após a repercussão do caso, a Hero afirmou ao M&E que havia encerrado o contrato com a Too em novembro de 2023 e que os apontamentos preliminares da Susep não refletiam a realidade. A empresa também sustentou que a decisão não afetava sua operação.
O que acontece agora com a Generali
Em 2026, a Susep voltou a identificar problemas relacionados a uma operação que envolve a Hero MGA. Desta vez, a medida cautelar aprovada por unanimidade pelo Conselho Diretor suspendeu a operação da Generali Brasil no ramo de seguro viagem.
Segundo a autarquia, a Hero atua como representante da seguradora em uma estrutura na qual sua remuneração está vinculada ao resultado da operação e inclui indicadores relacionados aos sinistros pagos e pendentes. Para a fiscalização, esse mecanismo poderia gerar incentivo econômico à redução ou negativa de indenizações.
Além da questão da remuneração, a Susep aponta falhas nos registros e nas informações encaminhadas à autarquia, problemas na regulação de sinistros e no pagamento de prestadores médico-hospitalares, além de situações envolvendo demora na regulação, possíveis recusas indevidas de cobertura e cobranças feitas diretamente aos segurados por prestadores no exterior.
A decisão, no entanto, tem caráter cautelar e atinge a operação da Generali no ramo de seguro viagem. As demais atividades da seguradora permanecem preservadas, e o processo administrativo seguirá com garantia de contraditório e ampla defesa.
O elo entre os dois episódios: a Hero
A principal diferença entre os dois casos está nas seguradoras envolvidas e no alcance das irregularidades apontadas. O ponto de contato, porém, é a presença da Hero MGA na estrutura operacional e, segundo a Susep, a existência de mecanismos de remuneração relacionados ao resultado dos sinistros.
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A questão central, portanto, passa a ser entender se houve mudanças na estrutura adotada pela Hero após o episódio envolvendo a Too e, em caso positivo, quais foram elas. Também será necessário esclarecer como funciona atualmente a remuneração da MGA, quem toma as decisões sobre cobertura e negativas e quais mecanismos existem para evitar conflitos de interesse. Para isso, o M&E está em contato com a Susep, Generali e a Hero para entender mais sobre os desdobramentos deste caso e os detalhes desta decisão.
O posicionamento das empresas, solicitado pelo M&E, assim como esclarecimentos adicionais da Susep sobre as semelhanças entre os dois episódios e as medidas adotadas após o caso de 2024 serão veiculados pelo jornal assim que novas atualizações chegarem.
A medida atual tem caráter cautelar e não representa uma conclusão definitiva sobre eventuais responsabilidades. A suspensão alcança a operação da Generali no ramo de seguro viagem, enquanto as demais atividades da companhia permanecem preservadas. Os processos administrativos seguem em tramitação, com garantia de contraditório e ampla defesa.







