Gloria Guevara (Ana Azevedo/M&E)
Gloria Guevara, presidente e CEO do WTTC (Ana Azevedo/M&E)

O Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) prevê que a contribuição de Viagens e Turismo para o PIB mundial chegará a US$ 12 trilhões em 2026, com crescimento de 3,2%, acima da expansão projetada de 2,4% para a economia global. 

A estimativa foi apresentada nesta quinta-feira (3) pela presidente do conselho, Gloria Guevara, que também anunciou dois novos rankings para acompanhar o desempenho do setor e sete princípios para estimular investimentos turísticos.

A projeção equivale a 9,9% do PIB mundial. O WTTC estima ainda que o setor será responsável por 376 milhões de empregos em 2026, alta de 11,1%. A previsão, no entanto, será revisada nas próximas semanas, segundo Guevara, após a atualização dos indicadores acompanhados pelos cerca de 300 economistas que colaboram com a entidade.

Para 2026, a entidade projeta US$ 2,1 trilhões em gastos internacionais e US$ 5,8 trilhões em gastos domésticos. As viagens de lazer devem responder por US$ 6,3 trilhões, enquanto as de negócios devem movimentar US$ 1,5 trilhão.

No recorte de gastos, o turismo internacional deve representar 26,5% do total, com crescimento anual de 3,7%, enquanto o doméstico terá participação de 73,5%, com alta de 2,9%. As viagens de lazer responderão por 80,5% dos gastos, ante 19,5% das viagens de negócios.

WTTC apresenta novos indicadores

Para ampliar o acompanhamento da atividade, o WTTC passa a monitorar dois novos indicadores. O primeiro mede a contribuição direta de Viagens e Turismo para o PIB, sem considerar efeitos indiretos e induzidos ou investimentos realizados no país. A métrica considera os gastos diretamente relacionados à atividade, como os feitos em hotéis, agências de viagens e companhias aéreas.

“E por que estamos destacando este ranking de contribuição direta? Porque nós medimos a contribuição total, mas muitos países e governos medem a contribuição direta”, explicou Guevara.

Em 2025, os Estados Unidos lideraram o ranking, com US$ 885,8 bilhões, seguidos por China, com US$ 434,8 bilhões, e Alemanha, com US$ 202,9 bilhões. O México ficou em quarto, com US$ 149,4 bilhões. França, Espanha, Itália, Reino Unido, Japão e Índia completam as dez primeiras posições.

O segundo indicador acompanha os gastos com viagens de lazer, considerando turismo doméstico e internacional. Os Estados Unidos também lideraram, com US$ 1,25 trilhão, seguidos por China, com US$ 833,3 bilhões, Alemanha, com US$ 449,8 bilhões, e México, com US$ 237,9 bilhões.

A Índia aparece em quinto lugar, com US$ 222,4 bilhões, ante a décima posição no ranking de contribuição direta. França, Japão, Reino Unido, Espanha e Itália completam a lista.

“É muito interessante quando nos concentramos nas viagens de lazer, porque aqui entram o turismo nacional e o turismo internacional, além dos gastos com viagens de lazer e de ócio, tanto em viagens nacionais quanto internacionais”, disse Guevara.

Segundo a presidente do WTTC, o desempenho da Índia está relacionado principalmente ao volume de viagens domésticas. “A Índia tem uma grande quantidade de viagens domésticas, que vêm crescendo muito. As viagens internacionais ainda não crescem tanto, mas, por exemplo, isso se reflete aqui: as pessoas estão viajando muito a lazer.”

A entidade informou que dispõe de dados de todos os países e que os indicadores serão monitorados nos próximos anos, com possibilidade de inclusão de outros segmentos de viagens.

Princípios para investimentos

WTTC prevê US$ 12 trilhões do turismo no PIB mundial em 2026
Lançamento dos “Sete Princípios Para Atrair Investimento Turístico”, segundo o WTTC (Reprodução)

O WTTC também apresentou sete princípios para orientar governos na criação de condições para investimentos turísticos. Os países que adotarem as medidas poderão receber o selo Destination Ready, criado pela entidade para reconhecer destinos que atendam aos critérios.

A lista inclui segurança jurídica e estabilidade regulatória; balcão único para investimentos; integração entre governo, iniciativa privada, comunidades e investidores; incentivos fiscais e de investimento competitivos; compromisso do chefe de Estado com o turismo; planos diretores de destinos com projetos definidos; e crescimento sustentável da demanda e do potencial de mercado.

Segundo Guevara, a segurança jurídica deve proporcionar previsibilidade aos investidores e confiança para compromissos de longo prazo. Já o balcão único deve concentrar processos e reduzir a burocracia relacionada aos projetos.

O conselho também defende que as estratégias para o setor sejam construídas conjuntamente por governos e iniciativa privada. “Os governos que elaboram suas estratégias sem o setor privado, ou o setor privado que elabora suas estratégias sem o governo, não funcionam. É fundamental considerar o setor privado, o setor público, as comunidades e os investidores nessas estratégias turísticas para que elas tenham sucesso.”

Entre os demais critérios estão estruturas fiscais e de financiamento capazes de melhorar a viabilidade dos projetos e um compromisso visível dos chefes de Estado com o turismo. O WTTC também recomenda planos diretores que indiquem áreas e projetos aptos a receber investimentos.

“Quando existe um planejamento dos destinos, é muito mais fácil explorar e aproveitar essas oportunidades de investimento claramente definidas, nas áreas em que existe necessidade”, afirmou Guevara.

O último princípio trata do crescimento sustentável, considerando conectividade, demografia, demanda de mercado e disponibilidade de mão de obra qualificada. O WTTC pretende reconhecer os governos que cumprirem os sete critérios e apresentar os destinos a executivos e investidores acompanhados pela entidade.