Possível déficit no combustível de aviação leva mercado europeu a buscar novos fornecedores no 4º trimestre
Região deve registrar déficit enquanto EUA e Ásia-Pacífico terão excedentes no período (Reprodução/ANA Airways)

A Europa poderá entrar no quarto trimestre de 2026 diante de um déficit de 510 mil barris por dia de combustível de aviação, em um cenário marcado pela maior pressão sobre as cadeias globais de abastecimento de energia e pelo agravamento das tensões no Oriente Médio. A projeção é da consultoria Energy Aspects e foi divulgada pela Reuters.

Segundo a análise, o mercado europeu permanece particularmente vulnerável a novas interrupções no fornecimento de jet fuel. Embora o continente tenha ampliado a busca por fornecedores alternativos nos últimos meses, a estratégia ainda não seria suficiente para eliminar os riscos associados às restrições de oferta. “A Europa permanece altamente exposta ao risco de novas interrupções no fornecimento à medida que as tensões no Médio Oriente aumentam”, aponta a Energy Aspects.

A necessidade de diversificação já vem alterando a origem do combustível consumido na Europa. Países como Nigéria, Estados Unidos e Canadá passaram a fornecer volumes maiores, enquanto compradores europeus também recorrem a mercados mais distantes para garantir o abastecimento.

Um dos principais movimentos ocorre com a Coreia do Sul. As exportações sul-coreanas de combustível de aviação para a Europa devem alcançar, em setembro, o maior patamar dos últimos quatro anos. Até o mês, os embarques somavam 129 mil barris por dia, o maior volume desde outubro de 2022.

A expectativa da consultoria é de que esse fluxo continue crescendo nos próximos meses, em uma tentativa do mercado europeu de compensar as limitações de oferta e reduzir a exposição às rotas mais afetadas pelas tensões geopolíticas.

Déficit europeu contrasta com cenário de outras regiões

A perspectiva para a Europa se diferencia significativamente da esperada para outros grandes mercados consumidores de combustível de aviação. Para o quarto trimestre, a Energy Aspects estima um déficit europeu de 510 mil barris por dia. Nos Estados Unidos, a projeção é de um superávit de 18 mil barris por dia. Já a região Ásia-Pacífico deverá apresentar excedente de 419 mil barris por dia.

A diferença evidencia o desequilíbrio regional que pode se formar no mercado de jet fuel nos últimos meses do ano. Enquanto algumas regiões terão disponibilidade superior às suas necessidades, a Europa poderá depender de volumes adicionais vindos de fornecedores externos para atender à demanda.

Nesse contexto, a capacidade de deslocar cargas entre diferentes mercados ganha importância para o abastecimento europeu. O aumento das compras de países como a Coreia do Sul mostra justamente esse movimento: diante de uma oferta mais restrita, os compradores precisam ampliar o raio de busca por combustível.

Estreito de Ormuz aumenta pressão sobre abastecimento

O risco para o mercado europeu está relacionado aos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre uma das principais rotas de circulação de petróleo e derivados no mundo.

O Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do fornecimento mundial de petróleo, foi paralisado em meio ao conflito. A interrupção afetou o fluxo internacional de energia e contribuiu para a escassez de combustíveis e para a elevação dos preços.

Os efeitos também chegaram ao setor de aviação. O combustível utilizado pelas aeronaves está entre os derivados impactados pela menor disponibilidade, enquanto as dificuldades logísticas aumentam a complexidade para redistribuir cargas entre regiões produtoras e consumidoras.

Para a Europa, o problema ganha dimensão adicional porque o continente já depende de importações para complementar sua oferta. A ampliação da participação de fornecedores de diferentes origens reduz a concentração do abastecimento, mas não elimina a exposição a choques no mercado internacional.